Assim como nasce um bebê, nasce uma mãe? Para além da depressão pós-parto
Resenha da obra:
CRONEMBERG, Lorena; FRANCH, Monica. Ser mãe é padecer no paraíso? Narrativas de depressão pós-parto. João Pessoa: Editora UFPB, 2020
Resenha da obra:
CRONEMBERG, Lorena; FRANCH, Monica. Ser mãe é padecer no paraíso? Narrativas de depressão pós-parto. João Pessoa: Editora UFPB, 2020
Este artigo discute o tema das políticas de waterfront regeneration (WR) no Brasil. Especificamente, propõe uma sociologia política dos processos institucionais de produção de tais intervenções através da análise dos casos dos projetos Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (RJ), do Cais Mauá, em Porto Alegre (RS), e do Porto Novo e Novo Recife, em Recife (PE). Para tanto, articula uma leitura teórica de diferentes abordagens direcionadas aos fenômenos do político e do urbano a uma pesquisa empírica qualitativa de estudo de casos múltiplos baseado em análises documentais e entrevistas. Ao final, propõe um modelo analítico para interpretação dos casos com base na síntese teórica desenvolvida e, especialmente, na perspectiva neoinstitucionalista, e apresenta um enquadramento possível de leitura dos processos de produção de tais políticas no Brasil.
Neste artigo analisamos o medo do crime entre os moradores do Distrito Federal utilizando os dados da Pesquisa Distrital de Vitimização, realizada em 2015. Inicialmente apresentamos as principais abordagens sobre o medo do crime e seus achados mais importantes. Em seguida, após descrever o medo do crime entre os moradores do DF, exploramos sua correlação com alguns fatores ambientais: a presença de desordens, a coesão social e a qualidade dos serviços públicos. Verificamos que dentre esses fatores ambientais, as desordens e a qualidade dos serviços públicos estão mais fortemente associadas ao medo do crime, ao passo que a coesão social se mostrou menos importante para explicar o fenômeno.
Embora São Paulo receba imigrantes provenientes de todo o mundo, a partir principalmente da década de 1970 podemos observar um aumento na entrada de imigrantes latino-americanos, especialmente bolivianos, paraguaios e peruanos. Os imigrantes latino-americanos têm construído suas vidas na cidade, estabelecendo residência, constituindo famílias e tendo filhos em São Paulo. Filhos estes que levantam a questão das gerações, sobretudo da segunda geração, que pode ser definida como a geração de filhos dos imigrantes adultos, que nasceram ou chegaram ainda novos ao país receptor. Compreender como a segunda geração tem se inserido na cidade e que relações mantêm com a comunidade local é fundamental para entender os efeitos da imigração para a sociedade. Portanto, este estudo busca explanar como vive a segunda geração latino-americana em São Paulo e suas experiências na cidade, destacando a questão do idioma.
Nos últimos dez anos, uma dahira, coletivo religioso de migrantes senegaleses, surgiu e se desenvolveu no Estado do Rio de Janeiro. Acompanhei seu singular processo de institucionalização e a maneira como ela chegou a fazer parte das redes internacionais dessa confraria religiosa. Neste artigo, discuto como a dahira se tornou uma infraestrutura de chegada no contexto específico do Rio de Janeiro e comparo as iniciativas do coletivo da dahira com outras estruturas senegalesas, evidenciando a complexidade das relações sócio-materiais entre os senegaleses.
Nos últimos anos, transformações na divisão internacional do trabalho têm promovido repercussões na dinâmica das migrações internacionais, como a emergência das migrações Sul Sul. Neste sentido, a cidade de São Paulo tem se consolidado como destino para muitos novos imigrantes internacionais e solicitantes de refúgio. Este artigo tem por objetivo analisar a inserção social de imigrantes haitianos e bolivianos em São Paulo. A metodologia contempla revisão teórica sobre migrações contemporâneas e território, bem como trabalho de campo de natureza qualitativa nos espaços sociais da capital paulista com maior presença de trabalhadores imigrantes destas nacionalidades.
O artigo discute a construção da ordem nas prisões a partir do referencial teórico da sociologia das prisões e de um contexto empírico muito específico: o cenário paulista, marcado pela hegemonia do grupo Primeiro Comando da Capital (PCC). Nosso argumento é que esse grupo reconfigurou a dimensão da ordem nas prisões; enquanto organização, estabeleceu um novo padrão de relações com a administração prisional; redesenhou as formas de exercício do poder no interior da massa carcerária, tanto em termos dos elementos constitutivos das hierarquizações entre os presos, como dos controles sociais e, ainda, do uso da violência. Além de um diálogo com a literatura voltada para o tema, foram tomados como objeto de análise dois documentos produzidos pelo PCC (estatutos) que refletem dois momentos distintos da trajetória do grupo, cada um deles engendrando elementos e mecanismos que alteraram as dinâmicas na construção da ordem prisional.
O sistema de transporte por ônibus no Distrito Federal, em funcionamento antes mesmo da criação de Brasília, funda-se sob o protagonismo das famílias empresárias do ônibus, autointituladas pioneiras do transporte de passageiros. A agência desses empresários quanto ao sistema de transporte urbano brasiliense representou a instauração do chamado ethos familista, segundo inspirações do familismo amoral em Edward Banfield. Do ponto de vista histórico, o familismo do transporte é analisado a partir de dinâmicas específicas ocorridas nas chamadas fases do transporte coletivo por ônibus na Capital: a primeira fase (1957-1970), liderada pelos transportadores pioneiros e pela ascensão da família Matsunaga; a segunda fase (1971-2011), marcada pelo capitalismo de mercado e pela criação das corporações do transporte, tendo por líderes as famílias Canhedo e Constantino de Oliveira; e, por fim, a terceira fase (2012-hoje), período de consolidação do que chamamos de bloco nacional do transporte coletivo no Brasil. Seguindo essa estruturação metodológica, a atualidade do familismo caracteriza-se pela sua capacidade de organização em uma rede de cooperação e apoio a partir de trocas diretas com setores estratégicos do campo político, atuando de modo propositivo no processo legislativo, tanto local quanto nacional. Dados específicos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, expuseram a público o padrão de concerto do familismo sobre o transporte urbano no país, o qual, por meio de uma rede sofisticada de pagamentos de propinas a membros do executivo e do legislativo, tem conservado o sentido privatista da política pública de transporte nas principais cidades do país, incluindo o Distrito Federal, como meio central da manutenção da acumulação empresarial desses grupos. Essa conformação de elementos e estratégias associadas à especificidade da cultura política brasileira, a funcionalidade dessas trocas para a manutenção do sistema político e a fragilidade do controle pela sociedade civil permite-nos concluir que o domínio familista é um dos aspectos centrais da debilidade da política pública de transporte brasileira.
O presente artigo analisa formas de sociabilidade de crianças em espaços públicos de Brasília. Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico com referência nos estudos sociológicos da infância. Nesse estudo, as crianças são consideradas agentes ativos e reconhecidas como participantes centrais do mesmo. As análises foram elaboradas por meio da codificação de dados, com base na teoria fundamentada. Os resultados evidenciam que a sociabilidade ocorre por meio de distintos usos que as crianças fazem dos espaços públicos, significando-os como lugares onde podem conviver entre pares, sem a necessidade da presença do seu responsável direto. Essa sociabilidade está intrinsecamente relacionada às suas ações na superquadra, como brincar, fazer amizade e criar regras próprias de convívio. As discussões apresentadas apontam o reconhecimento da criança como cidadã e agente social, que tem direito à vida em comunidade.
O objetivo do texto é contribuir para análise de sistemas territoriais em regiões “marginais”, cujas dinâmicas são permeadas de processos contraditórios e conflitivos, alicerçando a proposta do Patrimônio Territorial Situacional (PaT-S). A partir de aportes teóricos e resultados de pesquisas, os objetivos específico buscam: i) inserir elementos teóricos críticos para análise do patrimônio territorial considerando as particularidades de um recorte amazônico urbano-ribeirinho; ii) realizar análise das dimensões coevolutivas que sinalizam instabilidades situacionais; iii) realizar análise de sistemas territoriais partindo da mediação das cidades e do fenômeno urbano. Os resultados apresentam cenários de manifestações territoriais sobre Parintins (AM), que nos servem como balizadoras para avanços teóricos: o singrar urbano ribeirinho e o circuito de ilegalidade na extração e comercialização de madeira.