Espaço urbano

Quando a rua vira point: práticas juvenis e pixadores no centro de São Paulo (2017-2019)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Piaia, Danilo Mendes
Sexo
Homem
Orientador
Frehse, Fraya
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Práticas juvenis
Usos da rua
Centro
São Paulo
Pixação
Resumo

A pesquisa que deu origem a esta dissertação se insere no campo dos estudos sobre juventude e cidade, ao tematizar as práticas juvenis nos lugares públicos do centro da cidade de São Paulo em anos recentes (2017-2019). Guiada pela indagação sobre quais são os usos que os protagonistas de práticas ditas juvenis fazem da rua do centro paulistano nos dias de hoje, a investigação teve como foco os usos que os adeptos da prática da pixação – uma forma peculiar de comunicação gráfica no âmbito do grafite de rua – fazem de seu principal ponto de encontro semanal para interação social pública: um trecho específico, o chamado point, da rua Dom José de Barros, no bairro República.

Com base no método etnográfico, que implicou o uso das técnicas de observação participante nos encontros com os pixadores no point, e de entrevistas semiestruturadas com cinco de seus frequentadores, a pesquisa teve como objetivo, de um lado, analisar os padrões de interação verbal e não verbal vigentes no ponto de encontro de pixadores; de outro lado, descobrir traços do perfil social desses frequentadores e as representações que compartilham sobre o lugar onde se dão seus encontros.

Para aquilatar a dimensão social desses dados etnográficos, na segunda parte da dissertação, identifico, na primeira, representações produzidas em outros dois lugares sociais acerca das práticas juvenis na rua do centro paulistano nas últimas quatro décadas: as ciências sociais e a imprensa escrita. Assim, foi possível conhecer sociologicamente as regras de comportamento corporal e de interação social no referido point dos pixadores, além das representações compartilhadas por frequentadores já adultos sobre tal local, a rua, o centro e o espaço público.

As regras de conduta vigentes nas interações sociais ali promovem a acessibilidade de terceiros para fins de sociabilidade entre pares pixadores. Já as representações reveladas a respeito do ponto de encontro o apontam simultaneamente como "lugar" e "momento" de reunião pública dos pixadores, frequentado há anos por esses protagonistas, da adolescência até a fase adulta.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2017-2019
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-03032020-175035/publico/2019_DaniloMendesPiaia_VCorr.pdf

Os parklets na cidade de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Calca, Paula Renata Felipe de Almeida
Sexo
Mulher
Orientador
Bogus, Lucia Maria Machado
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Espaços públicos
Parklets
Parceria público-privada
Resumo

Esta dissertação de mestrado analisa os parklets na cidade de São Paulo, a implantação dos mesmos, sua real necessidade, bem como seu processo de implementação, diretrizes e normativas definidas pela prefeitura. Analisa, também, os limites e possibilidades de ocupação de espaços públicos na cidade de São Paulo, bem como as apropriações privadas e públicas de espaços urbanos. Indaga em que medida as ruas estão aptas a atender as necessidades da população da cidade, destacando novas ações a serem aplicadas, suas consequências e inovação na utilização do espaço público. Neste âmbito, daremos especial ênfase aos parklets, estratégia contemporânea de conversão dos espaços privados de estacionamento em espaços públicos de lazer. A respeito dos parklets abordam-se conceitos, experiências, opiniões e interação dos usuários, discutindo ainda o papel das parcerias público-privadas, não apenas no que se refere a esta estratégia de uso do espaço público mas, também, enquanto dimensão importante da atual dinâmica urbana das grandes cidades brasileiras.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/22459

Os jovens negros e universitários moradores da periferia da cidade de São Paulo: expectativas, conflitos e contradições

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Tineu, Rogério
Sexo
Homem
Orientador
Veras, Maura Pardini Bicudo
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Segregação socioespacial
Racismo
Desigualdade socioeconômica
Resumo

A natureza deste trabalho está centrada no estudo das expectativas de vida, dos conflitos e das contradições sociais oriundas do racismo e da segregação socioespacial vivenciada pela população negra da cidade de São Paulo, em especial ao jovem negro universitário, estudante de instituições privadas de ensino superior e morador dos bairros periféricos. A cidade de São Paulo apresenta-se cindida de forma esquematizada, com um núcleo rico composto eminentemente por indivíduos brancos, localizado na porção sudoeste da cidade e que desenvolve o papel de centro dinâmico econômico e social. Ao redor desse centro vive uma população composta na sua maioria por indivíduos pobres e negros. Dessa cisão sociourbana denota-se a questão raça e classe, a produção do outro e do diferente. É aqui que se localiza esta pesquisa, cujo estudo se norteia a partir de questionamentos como: os alunos das universidades privadas amplificam a sua consciência racial e buscam formação no ensino superior apenas por uma perspectiva econômica? Quem são esses jovens e quais são suas expectativas, quais são seus conflitos e dificuldades? A universidade é inclusiva ou é um espaço de brancos? A universidade representa a cisão da cidade de São Paulo? A importância desta investigação situa-se no fato do aumento significativo de negros nas universidades brasileiras nos últimos vinte anos por meio de diversas políticas públicas, o que, provavelmente, produziu uma geração de jovens negros que compreendem melhor o seu espaço de luta. A metodologia de pesquisa concentra-se em quatro entrevistas não estruturadas e uma amostra composta por 225 questionários aplicados a alunos negros de instituições privadas de ensino superior (duas em particular são comunitárias, a PUC-SP e a Fundação Cásper Líbero) da cidade de São Paulo. As universidades estão separadas em dois tipos: as universidades populares, que se posicionam como commodities e praticam mensalidades menores, e as elitizadas, que se diferenciam e cobram preços mais elevados. A análise dos dados permitiu, dentre outras questões, descrever o perfil da amostra, comparar dados e informações entre os alunos dos dois tipos de instituições e dos alunos participantes e não participantes de movimentos sociais, além de cruzar essas informações com aquelas obtidas nas entrevistas não estruturadas. De forma sintética, os alunos reconhecem que sofrem racismo, mas sentem orgulho das suas origens negras, pois, para eles, ser negro é lutar cotidianamente por direitos. Além disso, sabem que precisam se esforçar mais do que os não negros. Infere-se, portanto, que a universidade é inclusiva e desenvolveu a consciência de raça e classe, embora fosse um território desconhecido para eles e suas famílias, contudo, ainda há desafios a serem vencidos.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8066832

Adoecimento no trabalho, a metamorfose do trabalhador do campo na cidade e os reflexos da reestruturação produtiva em uma fábrica de confecções têxteis no interior do estado de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Vitor Luiz Carvalho
Sexo
Homem
Orientador
Alves, Giovanni Antonio Pinto
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Adoecimento
Reestruturação Produtiva
Trabalho
Indústria de Confecções
Resumo

Esta dissertação analisa as relações entre o processo de reestruturação produtiva e o adoecimento no trabalho em uma fábrica de confecções têxteis, da cidade de Auriflama, interior do Estado de São Paulo. A problemática estudada foi analisada a luz das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da fábrica têxtil Ares Confecções que reproduz tendências internacionais de flexibilidade e intensificação do trabalho. Assim, as causas, características e consequências das condições de trabalho são analisadas com base, sobretudo em entrevistas semiestruturadas com trabalhadoras e trabalhadores adoecidos, bem como, relatos orais. Abordamos as consequências das condições de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras do seguimento de confecções têxteis, evidenciando seu caráter penoso de esgotamento físico e mental que contribui para os adoecimentos, sobretudo das trabalhadoras.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Auriflama
Localidade
Ares Confecções
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/b158ab80-a7da-42cb-8b6f-42aa7e0b3371

A Vitalidade do Espaço Público: o Jogo e a produção do Lugar em Xangai e São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Kilina, Elena
Sexo
Mulher
Orientador
Dwyer, Thomas Patrick
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia visual
Xangai (China)
São Paulo (Brasil)
Lazer
Espaços públicos
Resumo

Esta tese é inspirada pela definição de Lefebvre (1991) de que a produção do espaço seja baseada em atividades sociais e de lazer utilizadas na vida cotidiana. O ponto de vista das geografias coloniais modernas, que inclui uma variedade de práticas urbanas e relações espaciais complexas para pensar cidades latino-americanas e chinesas, incita a repensar essa noção com o surgimento de funções alternativas e a re-imaginação do espaço urbano e sua relação com a ‘modernidade global’. Espaços espontâneos emergem, que seja através de meios oficiais ou não oficiais, às vezes efêmeros, às vezes com durabilidade, contribuem inevitavelmente a refazer as cidades. Hoje, esta questão é mais importante do que na época quando Lefebvre escreveu, porque mais da metade da população mundial vive atualmente em cidades. Ao longo da última década discussões sobre economias emergentes e suas sociedades tem um foco nos maiores, na China no hemisfério norte, e no Brasil no hemisfério sul. A pesquisadora cuidadosamente selecionou, buscando o maior controle possível sobre as variáveis, dois espaços a serem comparadas nas mais importantes mega-cidades da China e do Brasil: o Parque Minhocão em São Paulo, e o outro Redtown em Xangai. O trabalho de campo conduzido nos dois casos, examinou a transformação do espaço empregando conceitos de espaço e jogo, e a noção de ‘affordances’ de Ingold (Otávio Velho traduz o termo como ‘propiciações’). Espaço e jogo são condicionados por novas formas de lazer, tecnologias de informação, normas e espelham – de maneira complexa – a rápida urbanização que ocorre na China e que ocorreu no passado e que se renova no Brasil. A pesquisadora conduziu sua pesquisa de campo ao longo de quase dois anos, fez uma imersão no contexto social de cada localidade, e dividiu seu tempo entre os dois casos estudados. As técnicas de pesquisa empregadas, tais como análise de documentos, observação, fotografia, além das entrevistas conduzidas pela pesquisadora - sobretudo em português e chinês - com os urbanistas, usuários e demais entrevistados, tanto no Parque Minhocão quanto no Redtown, forneceram os dados analisados ao escrever esta tese. Os registros fotográficos foram especialmente importantes, permitindo à pesquisadora obter imagens comparáveis, de fenômenos parecidos ou diferentes nos dois espaços pesquisados em períodos diferentes. O resultado é uma descrição antropológica rica, feita em múltiplos níveis, do desenvolvimento das propriações, como o espaço e o jogo em Parque Minhocão e Xangai Redtown impactam o tecido urbano e a paisagem social em cada cidade. Através dos estudos de caso, a pesquisadora reflete que tais localidades, que sejam em Xangai ou em São Paulo, são um reflexo direta da saúde de cada cidade. A abordagem de pesquisa adotada faz com que seja possível construir um mapa urbano antropológico de fotografias interativas, junto com a análise de interações/jogos entre espaços públicos e as pessoas que neles coexistem.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Central
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Campos Elíseos
Logradouro
Via Elevado Pres. João Goulart
Localidade
Parque Minhocão
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
China
Especificação da Referência Espacial
Redrown (Xangai)
Referência Temporal
2016-2020
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9957371

O retorno à comunidade: paradoxos do individualismo contemporâneo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Barci, Ana Laura Cunha
Sexo
Mulher
Orientador
Paoliello, Renata Medeiros
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Araraquara
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Condomínios fechados
Privatização
Espaço público
Cidades médias
Franca
Resumo

Podemos afirmar que quatro fatores conectados entre si influenciaram a formação das cidades contemporâneas, sendo eles: as mudanças tecnológicas, a internacionalização, a concentração de renda e a privatização da esfera pública. Partindo desses princípios, este estudo buscou analisar como as cidades médias do interior de São Paulo inserem-se nestas transformações, tendo Franca como locus empírico, e sugere que o crescente fenômeno dos condomínios fechados é intrínseco ao modelo urbano contemporâneo adotado pela maioria das cidades brasileiras. Por uma suposta má qualidade de vida urbana, pessoas buscam segurança, isolamento e maior contato com a natureza nos espaços residenciais fechados e controlados pela iniciativa privada. Contudo, além da falta de legislação pertinente no âmbito nacional para legitimar esses espaços, tal fenômeno tem sido criticado por seu caráter excludente e fragmentário em relação ao resto da cidade. A hipótese levantada por essa pesquisa é a de que o ideal de mundo harmônico, oferecido pelos condomínios fechados, não se realiza e que o projeto destes, realizado pelas incorporadoras, constitui um dano à vida pública, à cidade e à civilidade. Para tal investigação, utilizaram-se os métodos do discurso crítico e análise da mídia, publicidades das incorporadoras, notícias e documentos legislativos. 

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Franca
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7741284

O Crack que o Brasil conhece: do discurso jornalístico à disputa política

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Rodrigues, Igor de Souza
Sexo
Homem
Orientador
Fernandes, Dmitri Cerboncini
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Juiz de Fora
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UFJF
Idioma
Português
Palavras chave
Crack
Cracolândia
Imprensa
De Braços Abertos
Re-Começo
Resumo

O objeto da presente tese é a apropriação política do crack, enquanto um problema social, efetuada pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Analiso como o campo político, inclusive as disputas partidárias mais proeminentes de São Paulo (entre PT e PSDB), serve-se, através dos programas "De Braços Abertos" e "Recomeço", de uma mesma narrativa estruturada no campo jornalístico. Para demonstrar essa influência, investiguei a partir do software IRAMUTEQ e a construção de classes discursivas o problema crack e o "usuário de crack" do ano de 1990 (primeira abordagem jornalística) até 2016 (o desaparecimento do elemento de tensão com o fim da gestão Fernando Haddad - PT). A hipótese é de que os predicados jornalísticos atribuídos ao crack indicam questões mais profundas do que a própria substância química e o seu uso. Concluo que as políticas públicas para lidar com o crack nasceram, foram conformadas e, por fim, alteradas a partir da relação com as abordagens e os discursos presentes na narrativa jornalística.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1990-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8110955

A repetição da construção da interioridade do sujeito em ambulatórios didáticos: uma etnografia por meio da circulação entre hábitos, adicções, dependências e prazeres com drogas e/ou substâncias

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Chaves Júnior, Wander Wilson
Sexo
Homem
Orientador
Passetti, Edson
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Drogas - Abuso
Adicção
Hábito (psicologia)
Vício em drogas
Controle social
Resumo

Esta pesquisa parte de experimentação etnográfica realizada em dois ambulatórios universitários para tratamento de dependência com drogas, localizados na cidade de São Paulo. Parte-se dessas etnografias para situar as drogas entre fluxos abertos e fechados dos tratamentos públicos de saúde mental. Não estamos mais diante da antiga psiquiatria asilar, agora, as pessoas entram e saem dos prédios físicos das instituições. Não somente pessoas, mas cadáveres, líquidos, bactérias, lixo, conceitos, moléculas, subjetividades... Entra muita coisa e sai muita coisa. Estes caminhos levaram a pensar os efeitos da nova gestão sobre drogas e dependências na ultrapassagem da sociedade disciplinar, enunciada por Michel Foucault, para a contemporânea sociedade de controle, esboçada por Gilles Deleuze. As chamadas drogas são proibidas há mais de um século, mas o que se entende por dependência já aparece no campo dos discursos durante o século XVIII. Na pesquisa de campo é possível constatar vários conceitos sendo operacionalizados: hábitos, adicções e dependências. Os conceitos e realidades também aparecem de forma heterogênea, caso das próprias drogas que, ora são substância, ora medicamentos, e, em outros momentos se apresentam de formas mistas. Aberto e fechado, descentralização e verticalização são dois conjuntos de práticas que aparecem com insistência ao longo da análise. A sociedade de controle não prescinde de seus fechamentos e suas verticalizações, mesmo que operando em espaços abertos e fluxos contínuos recombina-se unidades. Buscou-se analisar estas práticas que intercambiam conceitos, realidades e articulações se disjuntando, e ao mesmo tempo se remontando e fundando. Há sempre uma verticalização para cortar e refundar este um central no ambulatório propriamente dito ou no sujeito individual com suas histórias de vida. Os discursos produzidos sobre dependência de drogas também versam sobre uma interiorização, muitas vezes sobre uma fuga daquilo que se é. Esta relação é muitas vezes comparada com o casamento, nos devolvendo a imagem de uma situação-limite do processo de interiorização do sujeito. Iniciou-se pelas caminhadas em direção ao campo, terreno da geografia, para daí habitar a história atravessando o presente e o presente invocando a história. A exposição da pesquisa se propôs a um fluxo contínuo de escrita, sem um agrupamento temático por capítulos levando à produção de traçados de pequenos cortes de fluxos.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/22671

A logística do caos: o motoboy nas “asas da liberdade” do despotismo just in time

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Guimarães, Aender Luis
Sexo
Homem
Orientador
Pinheiro, Jair
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Motoboys
Just in time
Reestruturação flexível
Neoliberalismo
São Paulo
Resumo

A presente pesquisa propõe um estudo sobre os motofretistas sob uma específica disfuncionalidade da cidade capitalista: o trânsito congestionado. Esse profissional atinge a compressão do tempo, via aceleração de sua moto pelo espaço, de modo a contemplar três objetivos distintos, porém interligados e complementares. Em uma perspectiva pessoal, a necessidade premente de sustento próprio e familiar do trabalhador. Em um outro prisma, diminuir o tempo de giro do capital e aumentar a taxa de lucro para os capitalistas individualmente considerados. Por fim, garantir a reprodução ampliada do capitalismo, enquanto relação social de produção. Além disso, este estudo empreende uma investigação do transbordamento da organização científica do trabalho, do ambiente fabril e gerencial para a estrutura urbana da Região Metropolitana de São Paulo. Pretendo demonstrar ainda que o tempo do neoliberalismo se configura como um tempo just in time, que significa uma sazonalidade da velocidade e da urgência na produção e distribuição. Essa oscilação frenética de ritmo acaba por institucionalizar o agir just in time em diversas esferas da existência humana. Ao mesmo tempo, simbolicamente, a impressão de “perder o controle” de condutas e subjetividades passa a ser possível frente o capitalismo neoliberal, o que é sugerido nesta tese por meio da metáfora-slogan asas da liberdade. A racionalização just in time torna-se o despotismo do aqui e agora; e a autonomia individual passa a ser a liberdade de aquisição e do consumo, num ritmo sazonal de pressa e urgência. O uso da história oral permitiu captar depoimentos ou informações dos próprios trabalhadores sobre o mundo do trabalho e as vicissitudes do cotidiano do moto-entregador na Cidade de São Paulo foram importantes pois permitiram um olhar mais próximo do tema pesquisado, e levaram a um melhor entendimento de suas concepções acerca do trabalho, da cidade e da velocidade.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/5f167146-5b89-4754-a13d-1573bc36689f

A empresarização do comércio popular em São Paulo: trabalho, empreendedorismo e formalização excludente

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Rangel, Felipe
Sexo
Homem
Orientador
Lima, Jacob Carlos
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Português
Palavras chave
Comércio popular
Empresarização
Trabalho
Empreendedorismo
Formalização excludente
Resumo

Esta tese descreve e analisa transformações recentes no comércio popular em São Paulo, especialmente no que tange às mudanças no trabalho para os sujeitos ali engajados. Dado que o termo “comércio popular” evoca uma miríade de situações de trabalho e processos de circulação, indico aqui o segmento específico desse universo junto ao qual desenvolvi a pesquisa: são trabalhadores inseridos no comércio em espaços fechados, principalmente na chamada “Feirinha da madrugada” e nas novas galerias e shoppings populares da região do Brás. A partir de observação etnográfica do cotidiano de trabalho de um grupo de comerciantes, realização de entrevistas e do acompanhamento de notícias sobre o comércio popular nos últimos anos, procurei analisar os sentidos e efeitos das novas estratégias de regulação desses mercados. Discuto essas transformações mobilizando a ideia de “empresarização” do comércio popular, enquadrando nessa noção as estratégias de reordenamento dessas atividades comerciais sob a lógica empresarial, que têm transformado os espaços, as formas de regulação e mesmo a conduta, as percepções e as expectativas dos sujeitos. A empresarização desses mercados, inclusive, tem tornando mais plausível o engajamento de outros perfis de trabalhadores, muitos deles deixando empregos formais, num contexto de precarização objetiva e simbólica da relação salarial. Argumento que essas estratégias de reordenamento do comércio popular têm sido promovidas através de uma dupla narrativa, respondendo tanto a interesses de exploração econômica quanto ao discurso de combate a determinados ilegalismos e formalização dessas atividades via lógica empreendedora. No entanto, tendo em vista os efeitos excludentes dessa formalização, tem-se produzido uma espécie de “gentrificação do trabalho” no comércio popular.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Brás
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/12099