Vidas Arriscadas: um estudo sobre os jovens inscritos no tráfico de drogas em São Paulo
Esta pesquisa constitui um estudo dos jovens inscritos no tráfico de drogas na cidade de São Paulo com o objetivo de contribuir para descaracterizar como doentias as infrações realizadas por eles, pois a razão delas se encontra em contexto maior. A pesquisa busca escutar estes jovens a partir da tensão existente entre indivíduo e sociedade e das rupturas e continuidades desta relação, em condições que podem ser consideradas quase irracionais. Procurou-se traçar um percurso para assinalar alguns fios condutores que, ao se entrelaçarem, oferecem uma possibilidade de reflexão para um fenômeno tão intricado como o tráfico de drogas e especificamente em relação aos jovens que "trabalham" vendendo drogas ilícitas. Entre estes fios condutores, trabalhou-se a urbanização da cidade e a relação desse processo com o crescimento do crime; a natureza do crack como multiplicador da violência existente; a ausência e/ou a ineficiência do Estado de cumprir o seu dever. São características que definem a especificidade do tráfico de São Paulo. A complexidade destes discursos permitiu a percepção dessa realidade de vários aspectos, como se segue: o mundo do trabalho, ou seja, a inserção destes jovens nas relações de trabalho de um comércio ilegal de drogas; o contrato social, em que se apresenta as formas que regulam as relações sociais existentes no tráfico; a crueldade como espetáculo: a violência tanto da polícia como do traficante e aquela resultante das relações que envolvem droga denominada por "crack". O último tópico a ser tratado é como estas questões discorridas ao longo do trabalho, marcam as subjetividades destes jovens. A análise das entrevistas também foi apoiada, nos aspectos pertinentes, pela teoria psicanalítica de Freud.