A pesquisa aborda o tema das dinastias políticas, marcando a transmissão do capital político e o poder local. Tem por objetivo analisar as dinastias políticas presentes no campo político parlamentar de Arcos-MG. Buscou-se entender, principalmente, como as suas práticas são moldadas de forma a conviver com a estrutura do Estado Republicano e democrático. Foram anali-sados os capitais políticos, as práticas, os códigos de socialização, os recursos materiais e simbólicos, as alianças e redes sociais dos agentes e das famílias com tradição política. Para tanto, realizou-se uma pesquisa etnográfica e entrevistas com os atuais vereadores e presidentes de partidos políticos do município. A pesquisa buscou compreender os fundamentos e as bases para a reprodução política de membros dessas dinastias, estudando os seus perfis e trajetórias po-líticas. Restou comprovado que o parentesco, na política, é um elemento constitutivo do campo político arcoense e dotado de uma racionalidade própria. A transmis-são das heranças políticas é uma das estratégias centrais para o recrutamento de agentes políticos e vem sendo ressignificada. Os resultados mostram que existem três famílias que representam as grandes lideranças do município e que quase todos os vereadores com altas taxas de re-eleição na história da Câmara Municipal, e em especial na atual legislatura, são vinculados a uma dessas três famílias. A falta de parentesco ou aliança/apadri-nhamento inviabiliza quase que completamente a construção de uma carreira política duradoura em Arcos.
As famílias com mais tradição no campo político, desde a emancipação do mu-nicípio, não só conseguiram se manter após o novo ordenamento jurídico de 1988, como, em geral, aumentaram sua presença e votação. Isso demonstra como as dinastias políticas convivem com as estruturas democráticas, sem com elas rivalizar. Observa-se que as formas de transmissão do capital político e as próprias trajetórias políticas adaptaram-se às mais variadas exigências do cam-po ao longo dos anos.Dessa forma, a presente dissertação contribui para o debate sobre dinastias po-líticas e para a afirmação de que este não é um assunto “resolvido”, cuja existên-cia necessita ser transposta pela modernidade política.