O Elevado Presidente João Goulart/Parque Minhocão é uma via, construída em 1971 na cidade de São Paulo que atualmente desempenha atividade dupla: para além de um viaduto, também funciona como parque elevado. Sua história foi marcada por uma série de discussões e articulações sobre seu futuro, com possibilidades vinculadas à sua desativação definitiva para carros, transformação em parque urbano elevado - de forma definitiva ou parcial ou derrubada da estrutura (via desmonte ou demolição). Deste modo, esta pesquisa tem como objetivo principal identificar, descrever e analisar, numa perspectiva histórica, os usos e discursos associados ao turismo e lazer urbanos no Minhocão, tendo por referência a circulação de modelos urbanos. Para tanto, a metodologia selecionada utilizará das técnicas de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas e observação não-estruturada. O referencial teórico estruturou-se a partir de três temas principais: mobilidades e circulação de modelos urbanos, planejamento estratégico e city marketing, turismo e lazer urbanos. Os resultados obtidos permitiram se concluir que os usuários do Minhocão são representados por um conjunto variado de atores turistas, visitantes e residentes, de maneira geral que apresentam a possibilidade de, enquanto usufruindo deste espaço, compartilharem de um olhar turístico. Ainda, sobre os discursos vinculados ao Minhocão, demonstrou-se que estes baseiam-se em duas diferentes visões desta estrutura, como oportunidade (em relação à sua transformação em parque elevado) ou como problema (que necessitaria de uma solução). A partir da noção de circulação de modelos urbanos, entende-se que a história do Minhocão foi marcada pela presença de influências urbanas, que podem se resumir em: modelos de vias expressas elevadas, de parques urbanos elevados ou de experiências de derrubadas de vias elevadas. O Minhocão se apresentou como um poderoso objeto de estudo para se compreender os desafiadores fenômenos urbanos atuais, suas estratégias e representações, a partir de novos sentidos concedidos aos espaços das cidades.