Entre a margem e o culto: graffiti na sociedade contemporânea
O presente trabalho pensa a manifestação do graffiti na contemporaneidade como um movimento do entre, ou seja, da encenação e performance dessa atividade nos diversos contextos. Não se trata de identificar o graffiti em polos binários ou opostos, nem de propor uma conceituação precisa e fechada, mas de considerar que há trocas entre os atores humanos, não humanos e ambientes. Para isso, adoto os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria Ator-Rede, principalmente de Bruno Latour (2005), na descrição dos trabalhos de campo realizados em três locais da cidade do Rio de Janeiro: o Museu de Favela, localizado no Pavão-Pavãozinho Cantagalo; a Galeria Providência, localizada no Morro da Providência; e o Museu Nami, localizado na comunidade Tavares Bastos. É possível ver através das etnografias que os três espaços têm algumas questões comuns, como o uso do graffiti em corredores a céu aberto, a reafirmação das favelas como parte constituinte das cidades e o uso da arte como forma de gerar afetos e afetações. Mas em cada um dos locais há peculiaridades, particularidades que se dão de acordo com as articulações, conexões e alianças que se compõem, desfazem e recompõem. Nesse sentido, questões como gênero, remoções, direito à cidade, memórias locais, patrimônios, dentre outras, emergem dos vínculos entre os atores e os locais.