Muitas das análises contemporâneas da urbanização contemplam a formulação de tipologias de cidades, tendo a preocupação com os espaços metropolitanos, as cidades médias e as pequenas. Tais tipologias, muitas vezes, classificam as cidades a partir do porte populacional, o qual, não representa a real hierarquização entre os espaços urbanos. Nesta tese, buscamos através da análise crítica de outros aspectos, apontar a complexidade que é a classificação hierárquica de cidades, principalmente no tocante às cidades médias, cuja classificação por porte populacional inclui cidades que não exercem tais funções no âmbito da rede urbana. Partindo deste contexto, destacamos como determinantes, para se realizar a classificação hierárquica das cidades, a situação geográfica e a estrutura das mesmas, associada à distribuição das expressões de centralidade voltadas ao consumo de bens e serviços no bojo do espaço intraurbano. Deste modo, realizamos a análise de três situações geográficas distintas: metropolitana, não-metropolitana e um centro urbano regional, com cidades do mesmo porte populacional, buscando identificar se estas cidades exercem as mesmas funções no âmbito da rede urbana e desenvolvem características estruturais semelhantes no âmbito do espaço intraurbano. Partindo deste princípio, realizamos uma análise da estrutura das cidades com porte populacionais médios com situações geográficas distintas, sendo elas: Taboão da Serra em uma situação metropolitana; São Carlos em uma situação de aglomeração não-metropolitana e; Marília em uma situação de centro urbano regional. Diante da análise da distribuição das expressões da centralidade pelo espaço intraurbano e suas características, observamos que as cidades de porte médio em situações não-metropolitanas e que exercem funções médias no âmbito de sua rede urbana regional, têm em sua estrutura maior complexidade, com a ocorrência de múltiplas formas de expressões da centralidade, enquanto cidades de porte-médio em situações metropolitanas, apesar da complexidade de sua estrutura, apresentam menor quantidade e diversificação de expressões da centralidade. Deste modo, esta tese considera que é essencial à classificação hierárquicas de cidades relacionar características e aspectos interurbanos e intraurbanos, bem como, considera que são essenciais para tal classificação evidenciar a função que a cidade exerce no conjunto de sua situação geográfica, além da associação com a estrutura da cidade e sua morfologia, o que pode ser realizado através da identificação e caracterização da distribuição das expressões da centralidade no âmbito de seu espaço intraurbano.