A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação (1872-1974): subsídios para estudo de uma estrada de ferro paulista
O papel que as empresas de transporte, principalmente as estradas de ferro, representam na história econômico-social de um país, estando o desenvolvimento agrícola, comercial, urbano e industrial a elas diretamente vinculado. A dissertação trata especificamente do papel desempenhado Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, abrangendo o período que vai de 1872 a 1914. Já na segunda metade do século XIX, a Mogiana construiu a maior extensão de linhas férreas no Estado de São Paulo. Além disso, empreendeu e executou outras linhas em Minas Gerais como prolongamento da rede paulista. Constituiu-se ainda numa estrada de pequenos ramais, alguns com menos de 20 quilômetros de extensão, não ultrapassando o maior deles 100. Assim sendo, transformou-se numa verdadeira estrada cata-café que objetivava no seu imediatismo, servir aos interesses das fazendas de uma região que, à época encontrava-se na vanguarda da produção cafeeira do estado. A pesquisa analisa o processo de transformação socioeconômico e político da então Província de são Paulo, no final do século XIX e início do século XX e, num sentido mais estrito, a atuação da Mogiana como fator e termômetro dessas mudanças na região por ela servida. Mais particularmente analisa a sua implantação bem como a influência do mandonismo local na determinação do seu traçado. Ressalta que ordenação cronológica dos dados sobre esta via férrea pode servir de base para análises mais aprofundadas do papel que representou na economia regional e das repercussões que teve sobre a situação demográfica das zonas que percorreu. A análise do desenvolvimento da Mogiana comporta ainda o estudo de vários outros aspectos entre os quais destacam-se a captura da economia de áreas de outros estados para a economia paulista, as correntes de povoamento, a utilização da terra e as funções urbanas e seu raio de influência.