Processos de urbanização
O abandono do “espírito universitário” na construção da Cidade Universitária Armando de Sales Oliveira
O artigo aborda a história da construção da Cidade Universitária Armando de Sales Oliveira, em especial o período compreendido entre a fundação da USP, em 1934, e a década de 1960. Nesse período, vários projetos foram elaborados, em princípio pautados pela integração entre as áreas do conhecimento, mas que resultaram num campus marcado pelo isolamento. O objetivo é compreender por que foi abandonado o que havia sido estabelecido no decreto de fundação da USP, em especial no que diz respeito à promoção do “espírito universitário” na construção do campus.
São Paulo, cem anos de máquina de crescimento urbano
Este artigo atravessa diferentes camadas históricas na metrópole paulistana, recolhendo pistas sobre operações imobiliárias de grande envergadura decisivas para o padrão de acumulação e segregação socioespacial em São Paulo no último século. O primeiro ato, nosso ponto de partida, é a operação imobiliária realizada a partir de 1910 pelo capital financeiro internacional em associação com agentes públicos e privados locais, em terras que correspondiam a mais de um terço da área urbana do município, sob liderança da Companhia City. O segundo ato, lida com os primórdios da articulação mais recente por trás da produção de um skyline que mimetiza aquele das chamadas cidades globais, nas margens do Rio Pinheiros. Entre eles, outra operação com terras que marcaria a história da cidade, com a captura de 21 mil hectares de áreas lindeiras ao Rio Pinheiros, obtidas com a canalização e retificação do rio, e drenagem de suas margens. A sucessão desses arranjos e coalizões que discutiremos não é linear nem indica necessariamente progresso, menos ainda desenvolvimento, mas sim estratégias de cada momento da máquina imobiliária de crescimento.
Sobre Foucault e o urbanismo brasileiro: uma genealogia do planejamento (c. 1850s-1945)
Este artigo identifica e discute algumas ideias do filósofo francês Michel Foucault e as aplica à história do urbanismo brasileiro. Sustenta-se e mostra-se que o quadro teórico desenvolvido em seu trabalho proporciona um olhar útil para a compreensão do discurso sobre o urbanismo no Brasil. Discutem-se conceitos criados por Foucault como disciplina e biopoder aplicando-os à história do urbanismo, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, analisando episódios de intervenções em cidades brasileiras.
Guimarães Rosa e outros escritores provincianos latino-americanos (Arguedas, Rulfo, Rosa Bastos e García Marquez)
Neste trabalho, proponho-me examinar a obra de João Guimarães Rosa (principalmente Grande Sertão: Veredas e alguns contos) em relação com as obras mais reconhecidas de outros escritores junto com os quais conformaria o grupo que José María Arguedas denomina escritores provincianos: Juan Rulfo, o próprio Arguedas e, embora menos próximo a eles, García Márquez. Além destes autores, examino sua relação com Augusto Roa Bastos, autor que a crítica posterior a Arguedas inclui entre os provincianos. Analisa-se por que estes escritores se apresentam como humildes camponeses, vaqueiros ou índios que não gostam dos intelectuais e escrevem obras que parecem narradas por um membro das culturas fundamentalmente orais de suas regiões de origem. Aponta-se que o objetivo dos provincianos é fazer surgir a província no literário em uma escrita que tem como destino a cidade, em resposta aos processos de modernização que parecem condená-la a desaparecer. Avalia-se o que fica dessa resposta, sugerindo-se que pode ser uma ruína. Na análise sobre a proposta narrativa dos provincianos são consideradas diferentes interpretações dedicadas a esse tema, desde os estudos clássicos de Ángel Rama e Antonio Candido até alguns textos que questionaram esses estudos, como os de Alberto Moreiras e Idelber Avelar.
Relato de viagem: sobre a informalidade popular, tentativas de criminalização, e estratégias de resistência e de reivindicação por direitos – contatos entre São Paulo e Los Angeles
Este texto é uma versão simplificada e editada do relatório para FAPESP referente à bolsa de pesquisa de estágio no exterior (BEPE) realizada na UCLA (University of California – Los Angeles), nos Estados Unidos, onde fui recebido e acolhido pelo UCLA Luskin Institute on Inequality and Democracy, sob supervisão da professora Ananya Roy (número do processo Fapesp: 2022/06583-7).
Continuities and transformations in the studies of urban politics and governments
Cities are paramount nowadays. They host most of the world’s population in increasingly heterogeneous urban contexts. Local governments are mainly responsible for facing some of our most important social and political challenges. This Review discusses the rich analytical tradition that focused on city governments and politics following two of its underlying analytical threads—the political autonomy of city governments and the relationships between cities and democracy, in light of their durable social and political inequalities. Recent scholarship has been advancing in understanding city governments by considering them as political arenas populated by heterogeneous local institutions, dynamic processes and interconnected actors.
Rocinha: uma favela em bibliografia
Rocinha: uma favela em bibliografia é um ato político de resistência pelo direito à memória e ao passado. O livro, escrito a seis mãos, procura tornar a Rocinha um objeto da História, reunindo mais de duzentas fontes como um primeiro passo para a constituição de um acervo bibliográfico sobre a favela.
Lembranças de Moscouzinho (1943-1964): Estudo Sobre Um Conjunto Residencial Construído Pelo Estado Para Trabalhadores Industriais.
Aborda a construção do primeiro conjugado residencial denominado Realengo, onde mais tarde acabou recebendo o nome de "Moscouzinho", por iniciativa da comunidade da época vinculada ao partido comunista brasileiro. Essa construção foi feita pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI) por iniciativa do Governo na década de 40. (MINO).
BOTAFOGO, CAJU, PAQUETÁ: A BAÍA DE GUANABARA EM FESTA - O REMO E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO (1866-1895)
Este estudo objetiva discutir o papel desempenhado por sociedades náuticas no delineamento de um novo perfil de ocupação da Baía de Guanabara, concebida também como lugar de entretenimento. O recorte temporal tem em conta a fundação da primeira agremiação que teve maior vitalidade e longevidade (Clube de Regatas, 1866) e o momento inicial de estabilização do remo fluminense (1895). Foram utilizados dois tipos de fontes: documentos disponíveis em arquivos públicos e, majoritariamente, revistas e jornais publicados no Rio de Janeiro no período em tela. Espera-se lançar um olhar para a história da cidade, seu processo de urbanização e produção dos espaços, a partir de um importante indicador, os divertimentos públicos, especialmente um que logrou progressiva popularidade: o esporte.