Espaço urbano
A política do esporte e a construção do estádio Mineirão
O presente trabalho tem o objetivo de apresentar a construção do Estádio Magalhães Pinto, popularmente conhecido como Mineirão, localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Destaca-se neste estudo o contexto da política do esporte nacional como fator relevante no processo de edificação do estádio. Assim, como uma partida de futebol, o artigo será apresentado em dois tempos, além da ‘concentração’, com intuito de uma breve apresentação sobre o tema e do ‘apito final’ para as últimas considerações. Primeiramente, será feito um panorama das políticas públicas nacionais de esporte, com destaque para a valorização do futebol no estado de Minas Gerais e em seguida o processo de construção e inauguração do Mineirão. A pesquisa, para além da bibliografia acadêmica pertinente, utilizou jornais e revistas de relevância nacional.
A composição dos dias de jogos da Arena do Grêmio na vida de moradores e não moradores das imediações do estádio
Nos dias de jogos de futebol, a apropriação dos territórios por torcedores pode se estender para além do interior dos estádios, ocupando suas imediações. Realizamos uma pesquisa etnográfica com o objetivo de compreender a apropriação das imediações da Arena do Grêmio, nos períodos que antecedem os jogos, bem como a descrição de aspectos da vida de moradores e não moradores das imediações do estádio. Consideramos que o território dos dias de jogos na Arena compõe as vidas de moradores das imediações do estádio, de outros bairros de Porto Alegre/RS, cidades e estados. São gremistas, torcedores aliados, guardadores, catadores, comerciantes e demais sujeitos que se relacionam entre si. O território é constituído pelas nuances de suas ambiguidades, pela multiplicidade das inter-relações de sociabilidade e pelas relações comerciais, significados e pertencimentos inerentes à apropriação e dominação do espaço, tramadas nas redes da multiterritorialidade.
Favela, Favelas: unidade ou diversidade da favela carioca
Questiona a ideia de a favela ser o espaço típico de concentração da pobreza urbana. Considera necessário saber qual seria hoje a qualidade heurística do tipo ideal favela. Propõe uma revisão e atualização da imagem consagrada dessas aglomerações com base nas diferenças internas, na evolução da qualidade das construções e das habitações, no desenvolvimento da atividade comercial e do mercado imobiliário. Testa estatisticamente as diferenças, presentes ou não, no universo das favelas quando comparadas ao restante do conjunto social. Compara setores censitários de favelas com outras áreas urbanas da cidade do Rio de Janeiro, baseado em informações retiradas dos Questionários 1 e 2 do censo de 1991 e em dados complementares obtidos no Instituto Pereira Passos (antigo IPLANRIO) oriundos do Sistema de Assentamentos de Baixa Renda. Analisa localização, equipamento urbano, nível de infra-estrutura, propriedade do solo, condição de ocupação, categorias sócio-ocupacionais e tipologia espacial. O paper conclui que a especificidade sociológica dos espaços favelados enfatizada em inúmeros trabalhos é antes uma acentuação de algumas características dos espaços populares em geral, do que um contraste brutal com os espaços populares não-favelados.
A desigualdade entre os pobres - favela, favelas
La Recherche Urbaine au Brésil parcours et tendances
Apresenta, em grandes linhas, a trajetória da pesquisa urbana no Brasil após os anos 1930. Conforme a autora, a gradual formação de um campo de estudos urbanos se deveu a quatro fatores: o desenvolvimento das disciplinas universitárias; o financiamento de certas linhas de pesquisa; as tendências das pesquisas internacionais; e a evolução da conjuntura política e urbana brasileira, inspiradora de temas em questões no contexto das disciplinas. Salienta ainda a importância da criação de institutos de pesquisa governamentais, como foi o caso do IBGE (1936), da CAPES e do CNPQ, e o surgimento de associações de pesquisadores, como a ABG (geógrafos), ANPOCS (cientistas sociais) e ANPUR (planificação urbana e regional), na consolidação dos estudos urbanos. Ao mesmo tempo, aponta a influência de geógrafos e sociólogos estrangeiros na formação dos pesquisadores brasileiros, cujos trabalhos passaram a ser divulgados pela Revista de Sociologia nos anos de 1940 e 1950. Destaca as décadas de 1960 e 1970 como o início de uma nova era na pesquisa urbana no Brasil com a entrada de instituições estrangeiras no financiamento de estudos (Fundação Ford); e os anos 1980 como a consolidação destes esforços. Nos anos 1990, as pesquisas urbanas ganham uma nova dimensão com o surgimento do URBANDATA, uma base bibliográfica desenvolvida a partir da iniciativa conjunta do IUPERJ e da ANPUR, que reúne e permite o acesso a mais de cinco mil referências bibliográficas nacionais e estrangeiras, incluindo teses, artigos de periódicos etc.
Habitação
Licia do Prado Valladares, a convite do IBGE, desenvolve uma pesquisa sobre a situação contemporânea da habitação no Brasil, apoiando-se em dados e estatísticas.
Urban Research in Brazil and Venezuela: towards an agenda for the 1990's
Com base em trabalho apresentado em Workshop sobre a pesquisa urbana no Brasil e na Venezuela, o artigo apresenta uma visão panorâmica do passado e do presente dos estudos urbanos em ambos os países, concentrando-se sobre no caso brasileiro. Embora as informações disponíveis não haviam permitido um esforço de ocupação, as autoras procederam à análise contextualizada da literatura e das instituições envolvidas com pesquisa urbana nos dois países. O trabalho aborda ainda os desafios enfrentados pelos pesquisadores do urbano e apresenta sugestões para uma agenda de pesquisa para os próximos anos.
Cem anos pensando a pobreza (urbana) no Brasil
O propósito deste artigo é recuperar, a partir de uma vasta literatura, as imagens e representações que a pobreza urbana vem suscitando no Brasil ao longo dos últimos cem anos. Não se trata de examinar a evolução da pobreza em si, nem de discutir seus indicadores, mas tão-somente de discorrer sobre a mudança constatada na maneira de conceber e definir a pobreza e seus sujeitos ao longo da constituição do país enquanto nação moderna e urbana. Interessa sobretudo analisar a evolução das categorias "pobreza" e "pobre", as noções que elas exprimem, seus sinônimos, suas associações e oposições verbais no contexto das mudanças econômicas e sociais que vêm marcando a sociedade urbana brasileira.