Templários da Avenida Paulista: a formação do self secular no Opus Dei
Olharemos para as tecnologias do self e para as práticas do governo do self desempenhadas pelos membros do opus dei de uma residência da cidade de São Paulo. Nosso objetivo é compreender o lugar dos sujeitos produzidos por essas práticas no cenário católico brasileiro. Partiremos da hipótese de que essas tecnologias orientam práticas monásticas (oração, confissão, mortificação, etc.) Em jovens estudantes universitários e profissionais, ao mesmo tempo que produzem práticas para o governo do self com a finalidade de adequar esses mesmos jovens à vida secular (argumentação, linguagem jurídica e acadêmica, produção de si como “leigo”, etc.). Portanto, o self que emerge dessas práticas produz uma tensão entre o ideal contemporâneo do self da autonomia e da individualidade e a negação de si pelas práticas monásticas. Se, por um lado, as tecnologias do self do opus dei cultivam a negação de si, por outro, sua finalidade é a produção de atitudes para o “mundo secular”. Olhar para as tecnologias do self e para as práticas do governo do self nos informa como os sujeitos produzidos por essas práticas atuam em diferentes espaços do cenário brasileiro: imprensa, universidades, empresas, etc. Com efeito, procuraremos mostrar empiricamente por meio de uma etnografia multisituada (a partir da pesquisa etnográfica que realizei entre os anos de 2011 e 2016 em diferentes lugares das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e nas mídias) como as tecnologias do self e as práticas do governo do self são capazes de produzir sujeitos religiosos com projetos de ação no “mundo secular”.