Modo de vida, imaginário social e cotidiano
As representações da favela e seus significados: o caso dos suvenires by Rocinha
O artigo busca compreender a comercialização de souvenires na favela da Rocinha como objeto diretamente relacionado à experiência turística. A pesquisa se concentrou em responder três questões principais: 1) Como a produção desses objetos pode ser tida como estratégia de visibilidade e de reconhecimento, na medida em que seus produtores recorrem a estereótipos positivos acerca da favela? 2) Até que ponto as imagens que aparecem nos souvenires da Rocinha constroem ou reforçam identidades? 3) Por outro lado, não seria correto afirmar que esses artistas estão interessados em atender uma demanda turística, guiando-se apenas pela lógica do consumo? Para tanto, o trabalho de pesquisa se concentrou em analisar as imagens da favela e de seus moradores presentes nos souvenires ofertados aos turistas, bem como nos discursos dos produtores locais sobre essa materialidade. No caso estudo os souvenires são enfatizados não apenas pela importância turística em si, mas, principalmente, pela relevante experiência de construção de uma função social mediada por imagens, signos e símbolos.
Uma pequena revolução: arte, mobilidade e segregação em uma favela carioca
O ensaio origina-se em duas experiências de pesquisa que têm como referente empírico comum a iniciativa comunitária, artística e social conhecida como Morrinho, enorme maquete de tijolos na qual aspectos do cotidiano das favelas são encenados com pecinhas de Lego. Esse caso transformou-se em Ponto de Cultura e se desdobrou em iniciativas complementares (TV Morrinho, Turismo no Morrinho, Morrinho Social e Morrinho Exposição). São discutidas aqui não só a transformação do ambiente violento da favela, onde se localizam as iniciativas, em localidade atípica, que não conta com tráfico de drogas organizado, milícia ou Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), mas também a ativação das potencialidades dos habitantes da comunidade oriunda dessas mudanças.
Uma Copacabana para o mundo: a década de 1920 e a invenção do Rio atlântico
Pendura essa: a complexa etiqueta de reciprocidade em um botequim do Rio de Janeiro
Clube das mães: a mulher na sociedade cuiabana
Cultura, Identidade e Mediação: o cotidiano de uma professora
Mortalidade infantil e invasão de óbitos no município de Belo Horizonte 1974-1976
Práticas e representações de lazer dos moradores da favela Goiti
A mediação do professor na construção do conceito de natureza: uma experiência de educação ambiental na Serra da Cantareira e Favela do Flamengo - São Paulo/SP
Essa pesquisa desenvolve uma análise do papel mediador do professor e da construção coletiva do conceito de natureza, conceito-chave em educação ambiental, em uma sala de aula de 5ª série na disciplina de História. Atuando como professor e pesquisador, os dados foram obtidos através de observações de campo, aula-debate, registros orais e desenhos. Considerando que as atividades de educação ambiental, de uma forma geral, desenvolvem um aprendizado centrado em uma visão romântica de natureza, dois foram os problemas colocados pela pesquisa: como dar o salto para uma visão em que o contexto seja compreendido e incorporado como histórico-social? Como o entorno da escola contribui para a construção do conceito de natureza? Essa pesquisa tem uma abordagem qualitativa e para a análise da mediação e o seu papel no desenvolvimento conceitual, foram utilizadas as contribuições de Vygotsky e alguns de seus seguidores. Para a análise da interação verbal, foram adotadas como fundamento as três formas de conversar e pensar de Merce: conversação de discussão, conversação acumulativa e a conversação exploratória. Com a análise das produções dos alunos (textos, desenhos e diálogos) foram formuladas as seguintes categorias: romântica, utilitarista, científica, generalizante, naturalista e socio-ambiental, as quais permitiram acompanhar o processo de desenvolvimento conceitual. Foi feita uma análise do grau de conhecimento e desenvolvimento do conceito de natureza a partir de uma situação problema - a leitura do campo - para demonstrar que as observações da natureza em educação ambiental são instrumentos relevantes para desenvolver a "oficina de construção de conhecimentos". O autor chega à conclusão de que a relação criança/natureza e o papel do entorno foram elementos de desenvolvimento remetem à relação indivíduo-entorno, reforçando dessa forma a necessidade de levar-se em conta a inter-relação das crianças com o mundo social.