Pobreza e desigualdade

Lugar para estar: a frequência de pessoas em situação de rua na biblioteca pública

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Nasser, Luiza Arantes
Sexo
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
1
Ano de Publicação
2022
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Pessoas em situação de rua
Biblioteca pública
Papel social da biblioteca pública
Acolhimento
Resumo

Considerando a reduzida produção nacional de pesquisas acadêmicas sobre a frequência de pessoas em situação de rua na biblioteca pública, objetiva-se realizar uma análise sobre a questão, investigando se essa instituição consegue cumprir seu papel social, e se, além disso, ela representa para estes indivíduos um espaço acolhedor. Para tanto, procede-se à pesquisa bibliográfica, com enfoque na produção nacional e estrangeira sobre o tema, acompanhada por levantamento de campo através de entrevistas pontuais com funcionários de duas bibliotecas públicas de referência da cidade de São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade e a Biblioteca de São Paulo. Desse modo, observa-se que há pontos em comum entre o que foi pesquisado na teoria e apreendido nas entrevistas, que expressam a concordância dos funcionários com a afirmação de que os usuários em situação de rua compõem um segmento heterogêneo, com necessidades diferentes, e que são acolhidos pela biblioteca. Outro ponto em comum foi o de serem contrários à oferta de serviços específicos voltados a esses grupos, ainda que isso tenha sido questionado. Depreende-se por fim, que a biblioteca pública tem um papel e responsabilidade sociais muito grandes, sendo de muita importância na vida dessas pessoas, principalmente, como representação de abrigo.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Localidade
Biblioteca Mário de Andrade
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Zona
Norte
Cidade/Município
São Paulo
Localidade
Biblioteca de São Paulo
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2020-2022
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/1043

Xenorracismo: a face do preconceito contra imigrantes

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Ribeiro, Juliana Carvalho
Sexo
Mulher
Autor(es) Secundário(s)
Baeninger, Rosana
Sexo:
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
1
Ano de Publicação
2024
Idioma
Português
Palavras chave
Xenofobia
Racismo
Xenorracismo
Região Metropolitana de Campinas
Americana-SP
Resumo

O atual fenômeno migratório internacional é marcado pela intensificação das migrações Sul-Sul ― configuradas pelo movimento cada vez mais vigoroso de migrantes entre (e em direção) aos países do Sul, e o Brasil se destaca entre os países que entraram na rota dos fluxos. Apesar (e em função) desta intensidade, imigrantes não-brancas/os (pretas/os, pardas/os ou indígenas) são recorrentemente desqualificadas/os e tratadas/os como inferiores ― não apenas no nosso país, mas, também, nele ―, vítimas do que ficou conhecido como xenorracismo. Sivanandan (2001) e Fekete (2001), referências internacionais na luta pelos direitos de migrantes na Europa, inspiram reflexões acerca deste novo conceito: uma xenofobia que carrega toda a carga do racismo construído historicamente. Esta realidade, cada vez mais evidente e cotidianamente alimentada, longe de ser algo recente, tem raízes que remontam ao período colonial. Inserida no Projeto Temático Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-UNICAMP), esta pesquisa tem como objetivo refletir acerca do xenorracismo praticado na Região Metropolitana de Campinas-SP, usando como referências 76 entrevistas semiestruturadas aplicadas com migrantes internacionais residentes em Americana-SP entre fins de abril e meados de agosto de 2022. Percebem-se violências nas experiências de vida das/os interlocutoras/es da pesquisa. Busca-se, assim, refletir sobre elas, para compreendê-las com mais profundidade e criticidade e, dessa forma, lutar contra elas. A migração não-branca requer intervenção e diálogo junto à sociedade receptora para não intensificar o xenorracismo, mas o que se tem assistido atualmente, com a ressurgência da extrema direita e a consolidação de neofascismos, são ataques deliberados por parte de parcelas consideráveis de populações e por representantes governamentais a migrantes não-brancas/os. Para apreender esta realidade, colocamos a lupa sobre a Região Metropolitana de Campinas-SP, mais especificamente Americana-SP. Por sermos todas/os migrantes ― porque migramos, uma vez que essa é uma possibilidade sempre existente, ou porque a migração desenhou a história de nossas famílias, com laços sanguíneos ou não ―, o presente estudo se torna, também, autorreflexão. Refletir sobre os processos migratórios é pensar sobre nós mesmos e é lutar por um mundo mais justo.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de Campinas
Cidade/Município
Americana
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2022
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/1207

Territorialidades haitianas em Cuiabá/MT: o processo de reterritorialização através do Centro de Pastoral para o Migrante em Mato Grosso

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Batista, Danilo Paranhos
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
1
Ano de Publicação
2024
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Imigrantes
Haitianos
Centro de Pastoral para o Migrante
Cuiabá
Resumo

O presente trabalho foi realizado com apoio da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT – Brasil. O artigo analisa o processo de reterritorialização dos haitianos em Cuiabá, a partir da atuação do Centro de Pastoral para o Migrante (CPM). Tem como objetivo compreender como o CPM contribuiu para a reterritorialização dos haitianos em Cuiabá. Como procedimentos metodológicos, a pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com haitianos, a coordenadora do CPM e a assistente social da instituição. Os resultados mostram que o CPM foi fundamental para a reterritorialização dos haitianos em Cuiabá, fornecendo abrigo, assistência social e orientação aos recém-chegados. O CPM também contribuiu para a formação de redes de solidariedade entre os haitianos, o que facilitou sua integração na cidade. O CPM desempenhou um papel importante no processo de reterritorialização dos haitianos em Cuiabá, contribuindo para a sua integração social e econômica. No entanto, a segregação espacial dos haitianos em bairros com estruturas deficitárias os manteve em uma condição de vulnerabilidade social. As redes de solidariedade entre os haitianos foram importantes para a sua integração na cidade, mas o Estado deve promover políticas públicas que garantam os direitos e a igualdade dos haitianos.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Cuiabá
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
2024
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/1213

Vida nua: biopolítica na gestão da população de rua

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Barbosa, Aline Ramos
Sexo
Mulher
Orientador
Poker, Jose Geraldo Alberto Bertoncini
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
População de Rua
Intersetorialidade
Biopolítica
Tanatopolítica
Resumo

Esta tese analisa o acolhimento intersetorial (Saúde e Assistência Social) para a população em situação de rua de um município de médio porte do interior paulista. Para tal intento, foi realizada uma pesquisa de campo no equipamento público denominado Casa Transitória “Adélia Portella Volpe” e na rede de acolhimento intersetorial da população em situação de rua, em Jaboticabal-SP. A partir das concepções de biopolítica, tanatopolítica e vida nua, esta tese analisa a gestão atual da população de rua. Para isso, são elencados os dados da pesquisa de campo, a análise documental e o contexto de guerra às drogas, evidenciado pelo Programa Crack – é preciso vencer, que articula Saúde, Assistência Social e Segurança Pública no plano nacional. Desta forma, a argumentação da tese se estrutura em duas perspectivas de análise: a. uma primeira mais “positiva” das políticas públicas, que as leva a sério e descreve suas características, impasses e limitações. Ou seja, uma análise do que denominei “políticas de governo”; b. uma segunda análise, mais pessimista, que faz a crítica do próprio limite do Estado em sua relação com a população. Então, apresenta a análise do dispositivo de gestão nas margens do Estado. E, desta forma, trabalha com a ideia de “políticas de Estado”. Ambas perspectivas, embora distintas, fazem parte de uma mesma análise. E, em qualquer uma das duas perspectivas, as políticas públicas destinadas para população em situação de rua não dão conta do que se propõem. A não ser o controle desta população, que reforça o dispositivo e em nada emancipar.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Jaboticabal
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2016-2017
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5079034

Trabalho infantil em Limeira - SP: pesquisa com estudantes da rede municipal e estadual de ensino

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Vendramin, Marcia Cristina Da Silva
Sexo
Mulher
Orientador
Gemma, Sandra Francisca Bezerra
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
Limeira
Programa
Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Limeira
Trabalho Infantil
Bijuterias
Semijoias
Resumo

O trabalho infantil e adolescente desassistido, no mundo e no brasil, continua sendo um grande problema social. Muitas ações para a erradicação do trabalho infantil têm sido tomadas e, mesmo com a redução de casos, o problema continua preocupante. A cidade de Limeira - SP, conhecida atualmente como a “capital da joia folheada”, convive com a informalidade e o trabalho infantil demandado por este setor produtivo. Diante desse contexto nessa pesquisa buscou-se investigar, discutir e gerar conhecimento sobre as questões relacionadas ao trabalho infantil, especialmente na produção de semijoias e bijuterias. Para sua realização foram identificados inicialmente os bairros mais vulneráveis nesse tema da produção de semijoias e bijuterias em residências e posteriormente foi aplicado um questionário junto aos estudantes na faixa etária de 08 a 18 anos das escolas municipais e estaduais que atendem essa região. O questionário foi estruturado com questões relacionadas ao estudante, trabalho e família. Na primeira etapa da pesquisa foram selecionadas 9 escolas da região sul e central e dos estudantes que responderam à pesquisa 28,50% (211 alunos) relataram trabalhar na produção de semijoias e bijuterias. Na segunda etapa da pesquisa concentramos os esforços em 2 escolas da região sul e essa porcentagem foi de 39,30% dos estudantes, ou seja 318 deles envolvidos na produção de semijoias e bijuterias. Os resultados mostram uma realidade extremamente preocupante e, apesar de explicitarem os resultados de uma região sabidamente vulnerável, que talvez não permita generalizar os achados para o município, possibilitaram ampliar a compreensão das múltiplas questões envolvidas e assim contribuir para que novas ações sejam empreendidas no sentido de erradicar definitivamente essa mazela social. 

Disciplina
Referência Espacial
Região
Centro-Leste de São Paulo
Cidade/Município
Limeira
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5665121

Trabalho e pobreza no Brasil entre narrativas governamentais e experiências individuais

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Vieira, Priscila Pereira Faria
Sexo
Mulher
Orientador
Guimaraes, Nadya Araujo
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Trabalho
Políticas Sociais
Pobreza
Brasil
Resumo

Esta tese objetiva compreender as transformações, deslocamentos, tensões e disputas em torno das articulações das categorias “trabalho” e “pobreza”, analisando-as sob duas óticas diferentes, conquanto conectadas, a governamental e a individual. Por isso, a investigação empírica se processa em dois âmbitos: o do Estado brasileiro, que, com suas políticas, classifica alguns dos seus cidadãos como “pobres”, e o dos indivíduos por ele assim classificados. Analisamos as ações governamentais e as formulações institucionais que pautaram as políticas sociais brasileiras nos anos 2000 e 2010, revelando as estratégias e narrativas que sustentaram as ações governamentais voltadas para o problema da inserção dos indivíduos “pobres” no mundo produtivo. Esse processo foi reconstituído a partir da consulta a materiais institucionais e de entrevistas com agentes governamentais nos níveis federal e municipal. Documentamos que, conforme a conjuntura brasileira se transformava e as políticas sociais se desenvolviam, os discursos governamentais produziam novas formas simbólicas de enlaçar pobreza e trabalho. A temática foi igualmente investigada pela ótica das experiências cotidianas de um grupo de indivíduos e famílias beneficiárias dos programas de superação da pobreza. Com base em uma pesquisa etnográfica em um bairro periférico do município de São Paulo, analisamos as trajetórias de famílias institucionalmente categorizadas como “pobres”, evidenciando tanto a multiplicidade de arranjos de sobrevivência e garantia de renda e bem-estar, quanto a diversidade de formas nativas de descrevê-las e representá-las. Composição e dinâmica familiar, origem, gênero e geração mostraram-se dimensões cruciais no curso da análise. Esta revelou a intensidade com que diferentes significados de trabalho eram construídos, manipulados e disputados no cotidiano dos indivíduos em contextos de pobreza. Observamos que se transformavam as narrativas, as estratégias e as dinâmicas de relações dos pobres com os circuitos estruturantes da sua sobrevivência: os mercados, o estado, a família e as redes de amizade e vizinhança. Essa trama complexa de atividades que os indivíduos desempenham para ganhar a vida - formais e informais, legais e ilegais, morais e imorais, visíveis e invisíveis -, desafiam tanto os discursos e práticas governamentais, quanto a compreensão da sociologia do trabalho.
 

Disciplina
Referência Espacial
Brasil
Habilitado
Referência Temporal
2000 - 2010
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5063871

Sobre os usos sociais da cultura: observações acerca do programa “Fábricas de Cultura” do Estado de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Kruchin, Rafael Kiefer
Sexo
Homem
Orientador
Garcia, Sylvia Gemignani
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Programa Fábricas de Cultura
Brasilândia
Cultura
Políticas Públicas
Pobreza
Resumo

Propõe-se, nesta dissertação, a observação do Programa “Fábricas de Cultura” do Governo do Estado de São Paulo para investigar e problematizar um caso empírico de política pública que concebe a cultura como meio para a transformação social de setores populacionais específicos e delimitados territorialmente no mundo da pobreza. Para isso, é feita uma reconstrução histórica do contexto em que surge a política e do seu processo de implementação, complementada por uma análise empírica de seu funcionamento a partir de incursões em campo na unidade Brasilândia. Esses movimentos analíticos permitem ressaltar o caráter histórico e político do Programa, de sua concepção à sua implementação. Em especial, a observação exploratória de seu funcionamento permite caracterizá-lo como exemplar da perspectiva moral e de despolitização das políticas públicas voltadas para os “jovens pobres”, tal como vem apontando a literatura contemporânea.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Zona Norte
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Brasilândia
Logradouro
Av. General Penha Brasil, 2508
Localidade
Fábrica de Cultura de Brasilândia
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2017
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5165290

Segregação racial em São Paulo: residências, redes pessoais e trajetórias urbanas de negros e brancos no século XXI

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Franca, Danilo Sales do Nascimento
Sexo
Homem
Orientador
Silva, Márcia Regina de Lima
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Segregação Residencial
Relações Raciais
Desigualdades
Sociologia Urbana
Redes Pessoais
Resumo

Esta tese propõe uma interpretação sobre a relevância da segregação residencial como dimensão estruturante das relações raciais no Brasil, a partir da análise de dados da Região Metropolitana de São Paulo. Comparações com situações de segregação racial típicas de cidades norte-americanas, aliadas a narrativas de dissimulação das manifestações do racismo no Brasil, têm alimentado discursos que desprezam a importância da segregação para as relações raciais, argumentando que em nossas cidades ocorre segregação apenas por classe social. Esta pesquisa posiciona-se contrariamente a tais discursos e apresenta evidências da segregação residencial por raça nos diferentes estratos sociais. Por um lado, através de abordagens quantitativas mais tradicionais que partem dos diferenciais de localização das residências de grupos sociais, constatamos pequenos níveis de segregação racial em camadas sociais mais baixas que se tornam significativos nas camadas médias e altas. Os brancos de classes médias e superiores residem nas áreas mais privilegiadas da metrópole, estando muito isolados e distantes de todos os outros grupos, até mesmo de negros de classe média e alta. Trata-se, portanto, de segregação residencial por raça e classe. Por outro lado, a partir de uma crítica das formas como a própria noção de segregação residencial tem sido mobilizada pela sociologia, propomos uma abordagem mais aprofundada que revele em que medida a separação das moradias se associa a diferenciais de integração social e acesso à cidade. Para tanto, empreendemos uma estratégia empírica baseada no mapeamento de trajetos e locais frequentados pelos indivíduos no espaço da cidade e na espacialização de suas redes pessoais de relações. As informações foram coletadas através de pesquisa qualitativa na qual entrevistamos 28 indivíduos de classe média – negros e brancos, mulheres e homens – em três diferentes áreas da cidade de São Paulo: São Miguel Paulista, Tatuapé e Itaim Bibi. Demostramos a importância do local de residência na medida em que a maior parte dos relacionamentos pessoais e dos locais frequentados localizam-se no entorno do distrito no qual residem os entrevistados. Ou seja, na medida em que negros e brancos estão residencialmente segregados, são segregadas também suas redes pessoais e locais frequentados. Além disso, nossos resultados apontam que brancos, independentemente do local de residência, possuem redes pessoais compostas preponderantemente por outros brancos e frequentam mais as áreas nobres da metrópole. Nossos achados realçam o papel do espaço urbano em processos de fechamento social que reforçam barreiras à integração de negros nas classes médias. Ademais, argumentamos que as classes médias se organizam como grupos de status cujas fronteiras são fortemente baseadas, não apenas em características raciais, mas também no espaço urbano (habitado e frequentado).

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Zona
Zona Leste
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
São Miguel Paulista
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Zona
Zona Leste
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Tatuapé
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Zona
Zona Oeste
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Itaim Bibi
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2013-2017
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5063722

Relações de classe, raça e políticas públicas de expansão do Ensino Superior no Brasil (2003-2016)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Nogueira, Priscilla Lemos
Sexo
Mulher
Orientador
Souza, Davisson Charles Cangussu de
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
Guarulhos
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNIFESP
Idioma
Português
Palavras chave
Expansão do Ensino Superior
Divisão de Classe
Relações Raciais
Democratização do Ensino Superior
Resumo

Esta dissertação tem por objetivo analisar a expansão do sistema de Ensino Superior brasileiro, através das políticas que foram sendo realizadas ao longo do século XX e, principalmente, as políticas recentes ocorridas entre 2003 e 2016. A análise está articulada às relações inerentes a estrutura de classes e as desigualdades raciais que vêm se perpetuando no interior da sociedade ao longo de sua história, e a pesquisa quantitativa realizada através dos dados do perfil de estudantes ingressantes na Universidade Federal de São Paulo. Buscamos compreender se o atual modelo de expansão se apresenta como um modelo ideal para democratização e/ou diversificação do sistema de ensino, ou se segue perpetuando políticas públicas que beneficiam a lucratividade das instituições privadas e a segmentação de classe e privilégios históricos nas instituições públicas.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Guarulhos
Localidade
UNIFESP
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2003-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5441832

Raça, infância e escola: etnografia entre crianças em uma escola municipal de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Fasson, Karina
Sexo
Mulher
Orientador
Silva, Marcia Regina de Lima
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Sociologia das Relações Raciais
Sociologia da Infância
Lei 10.639/03
Infância
Discriminação Racial
Resumo

A presente pesquisa tem como objeto de estudo as relações raciais na infância no ambiente escolar, e como pano de fundo o contexto de mudanças político-institucionais observadas no Brasil a partir de 2003, com a promoção da igualdade racial e combate ao racismo. Nesse sentido, a pergunta de pesquisa colocada foi: como são construídas as relações raciais entre as crianças em um ambiente escolar que assume a existência de racismo e desigualdade racial no Brasil? A etnografia foi empregada como metodologia, tal como presente nos estudos sociais da infância, e complementada por perspectivas clássicas e estudos no ambiente escolar. Envolveu estratégias e procedimentos que incluíram a entrada em campo e aceitação, coleta de informações por meio de observação e interações, escrita constante de notas de campo e posterior elaboração de descrições detalhadas, interpretações e teorizações a partir dos dados. A pesquisa foi realizada em uma escola da rede municipal de São Paulo, onde foi acompanhado o cotidiano de uma turma de quarto ano, dentro e fora da sala de aula, durante o ano letivo de 2016. Por meio da observação das relações entre as crianças, foi possível compreender aspectos referentes às atitudes e aos comportamentos raciais (preconceito e discriminação racial, respectivamente). Como resultado, em relação às atitudes, temos que as preferências estéticas das crianças estavam relacionadas ao fenótipo branco, tido como o padrão, o que ficava evidente inclusive pela maneira com que algumas crianças negras se retratavam. Apesar disso, era possível notar contrapontos a esse padrão. Em relação aos comportamentos, destacam-se as ofensas verbais entre as crianças, que revelam características do tratamento dado à questão racial: (1) as crianças que sofrem com práticas racistas costumam denunciar tais atos para um adulto responsável, não se calando (diferentemente do que foi visto em estudos anteriores); (2) as crianças têm percepção de que é errado ofender colegas com palavras ligadas à cor/raça; (3) o insulto racial não é visto enquanto um tipo específico de discriminação, mas colocado juntamente com outros problemas de violência entre pares da infância/ adolescência: é denominado genericamente enquanto bullying pelas crianças e também pelos adultos na escola; (4) as ofensas em tom de brincadeira caracterizam boa parte das ocorrências de discriminação racial entre as crianças, denotando ambivalência da prática. Por fim, aponta-se a importância da inclusão da infância na agenda dos estudos sociológicos sobre relações raciais, dado seu potencial para explicação do limite na redução de desigualdades raciais na educação, como também para reflexões sobre o que ocorre na vida adulta e para que se reflita sobre as políticas de Estado que visam combater a discriminação e a desigualdade racial no Brasil.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5210385