Cidades e vilas da escravidão: Espaços dos excluídos
A coroa portuguesa construiu no brasil um modelo de exclusão espacial fundamentado nas políticas de terra e trabalho. Este trabalho, paradoxalmente, não pode prescindir de formações espaciais especificas dos excluídos pela servidão ou escravidão. Apesar de camufla-las, despreza-las ou tentar destrui-las, mais de um terço das 227 vilas coloniais surgiram de aglomerações de excluídos. Aldeamentos indígenas organizados por missionários, deram origem a mais de 90 vilas nas frentes de povoamentos. Quilombos tornaram-se paisagem persistente na retaguarda das vilas e regiões de produção. Cortiços tomaram conta dos centros em suas redondezas. As favelas, fruto do contexto pós-abolição, agregaram com sua aparência, novo perfil a paisagem urbana. A comprovação da tese foi perseguida nas mais diferentes escalas: desde a do território brasileiro e de suas regiões de produção até a das vilas, cidades e áreas intraurbanas. Em todas elas a persistência das condições econômico-sociais e a coerências das políticas de acesso à terra e ao trabalho, ao longo do tempo, consolidaram o modelo de exclusão, cuja herança vem sendo hoje reforçada pelos efeitos da globalização.