Este trabalho trata da gestão escolar dos recursos financeiros transferidos para as escolas municipais de ensino fundamental de Campinas/SP, por meio de diferentes programas advindos da esfera federal e municipal, no período compreendido entre 2009-2010. O objetivo fundamental é o de pesquisar como vem se dando a gestão dos recursos financeiros transferidos para a escola e o destino que essas instituições têm dado a eles, buscando compreender possíveis relações entre a transferência de recursos financeiros para a escola, a autonomia desta, a participação da comunidade escolar e a gestão escolar. Dos cinco programas que repassam recursos financeiros para as escolas, dois são encontrados em todas as escolas analisadas, caso do PDDE (federal) e do Programa Conta Escola (municipal); os outros três programas encontram-se consolidados somente em algumas escolas, como é o caso do PDE Escola, do Programa Mais Educação e do Programa Acessibilidade, todos advindos da esfera federal. Mostrou-se como, apesar de apresentarem características comuns, cada um desses programas chega à escola em um momento diferente, com uma intenção declarada própria e modus operandi bastante diverso. As quatro escolas que compõem o corpus foram selecionadas a partir de critérios definidos pela pesquisa, envolvendo a quantidade de programas desenvolvidos pelas escolas, o número de alunos atendidos e o tempo de permanência do diretor na escola. Trata-se de pesquisa qualitativa, embasada em documentos selecionados para este estudo assim como em entrevistas semiestruturadas realizadas com os gestores das escolas. O trabalho foi organizado em cinco capítulos, sendo que nos dois primeiros encontra-se a fundamentação teórica que aborda questões referentes ao financiamento da educação no Brasil e ao financiamento da educação na escola. O terceiro capítulo apresenta a organização do ensino municipal de Campinas e a dinâmica do atendimento à educação básica, o programa elaborado pelo próprio município (Programa Conta Escola), os montantes de recursos recebidos pelas escolas municipais pelos diferentes programas e a categorização de despesas de cada programa. O quarto capítulo é destinado à análise dos dados coletados por meio da pesquisa de campo junto aos documentos de prestação de contas fornecidos pelas escolas pesquisadas e por meio das entrevistas realizadas com os sujeitos da pesquisa, procurando entender como se dá a gestão escolar dos recursos recebidos e verificando como e onde a escola, de fato, utiliza os recursos transferidos a ela, procurando perceber quais são as suas prioridades na aplicação dos recursos. O quinto capítulo apresenta as considerações finais do trabalho, a partir de quatro grandes eixos de análise: os recursos financeiros transferidos para as escolas, a gestão escolar dos recursos transferidos, a autonomia financeira da escola, a participação da comunidade escolar na decisão da utilização dos recursos financeiros. Desse modo, o objetivo desse estudo é o de contribuir na compreensão de como a gestão escolar tem se colocado frente ao desafio de gerir recursos públicos significativos advindos de diferentes esferas. De como cada uma das escolas tratadas, a seu modo, conquista sua autonomia pedagógica, fortalecida como centro do processo educativo, tendo a transferência de recursos financeiros às escolas pelo poder público, juntamente com o oferecimento das condições necessárias para sua gestão, como estratégia possível na busca de uma escola pública democrática, participativa e autônoma.