Poder e Saúde: a República, a Febre Amarela e a formação dos serviços sanitários no Estado de São Paulo.
O trabalho tem por objetivo a investigação das medições da organização política, em sua vertente Estado/município e dos fundamentos tecnológicos das práticas sanitárias na formação dos serviços de saúde no Estado de São Paulo, entre a proclamação da República em 1889 e 1911. A caracterização epidemiológica e demográfica do Estado no período, mostrou que o fio condutor da ação sanitária estadual foi o combate às doenças epidêmicas, em especial a febre amarela que repercutia no funcionamento da máquina administrativa no cotidiano da população e nas atividades do complexo cafeeiro desde a imigração em torno das teorias sobre as formas de propagação, tratamento e profilaxia da febre amarela encerrados no início do século XX, com a aceitação da teoria da transmissão da doença pelo vetor. A formação e o funcionamento dos serviços sanitários no interior paulista apresentaram muitas particularidades em relação aos principais centros urbanos do Estado. As relações das lideranças políticas municipais e estaduais, sob o chamado " pacto coronelista", suporte regional para a estrutura de poder oligarquizada da primeira república foi fundamental.