Compra e Venda de Terra e Água num Tombamento na Primeira Sesmaria da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso de Jundiaí 1732-1992
O autor demonstra, através de um estudo de caso, que o desenho do antigo rossio, sobreposto pelo desenho do centro contemporâneo da cidade de Campinas, um e outro são o resultado histórico do embate de forças políticas, com a subordinação do quadro fundiário local a interesses especulativos. Uma fazenda miticamente denominada Paraíso, desmembrada da sesmaria primordial das Campinas Velhas e limítrofe ao rossio da vila açucareira, berço de abundantes recursos hídricos para a cidade, perde historicamente sua condição devido à emergência da especulação fundiária rural e imobiliária urbana, decorrente da instalação da economia capitalista de caráter retardatário no Brasil. Um século após, a própria sede desta antiga fazenda é tombada e, ao removê-la do mercado de compra e venda, desvela-se a construção de seu valor de uso perdido. Torna-se, portanto, contraponto político de modo de desenvolvimento urbano desta cidade, vindo somar-se ao conjunto da legislação urbanística de caráter restritivo à valorização especulativa da propriedade em Campinas.