Instituto Reciclar: o jovem estigmatizado e sua entrada no mundo normativo
Esta dissertação aborda a relação entre os jovens moradores da favela Nova Jaguaré, localizada no distrito do Jaguaré, zona oeste da cidade de São Paulo, e a organização não-governamental chamada Instituto Reciclar, localizada na mesma região. A pesquisa revelou que o Instituto Reciclar é mediação relevante para a superação do estigma de jovens moradores da favela, pois, ao serem recrutados para integrar sua linha de produção, lhes confere uma garantia de que estão aptos a serem vistos com respeito pelos moradores mais abastados do distrito que, segundo eles, os veem como indivíduos inferiores e indignos. Este estigma incentiva os jovens a buscar trabalho na organização não-governamental, pois acreditam que não terão boas oportunidades de trabalho e de ascensão social sem o aval promovido por ela. Assim, surge um acordo tácito entre os jovens, a ONG e as empresas apoiadoras da organização. A metodologia utilizada para realizar esta dissertação foi a de pesquisa etnográfica, de acordo com a descrição densa de Clifford Geertz, na sede da organização com entrevistas realizadas com os jovens que trabalham para ela e com os seus funcionários. A análise do estigma foi baseada nos estudos de Erving Goffman. Conclui-se que a ONG atinge seu objetivo, assim como a maioria dos jovens que terminam o período de trabalho de cerca de 3 anos, pois são contratados por empresas privadas ou iniciam seus estudos acadêmicos em universidades.