Socialização: um estudo com famílias de migrantes em bairro periférico de São Paulo
O trabalho analisa o processo de socialização de famílias de migrantes provenientes do Estado de Minas Gerais - de meios socioculturais diversos: rural,semi-rural e urbano, residentes à época da pesquisa na Vila Helena, periferia de São Paulo. A análise desenvolvida resulta de uma tentativa de aproximação das abordagens de Sartre (1960 e 1983), Berger e Luckmann (1976) e Erikson (1976). O trabalho foi realizado com cinco grupos familiares que preencheram os seguintes critérios: apresentaram três gerações consecutivas vivas: de mulheres, as duas primeiras e mista a terceira. Através de entrevistas abertas foram obtidas informações que, posteriormente comparadas, permitiram a análise dos aspectos: nascimento, lactância, treino higiênico, atividades infantis - brinquedo, trabalho e escola. Além disso, foram analisados os valores subjacentes à ação educativa: o namoro e o casamento; os papéis sociais masculinos e femininos; as punições. Dentre as várias modificações que ocorreram no processo de socialização, acompanhando os passos migratórios familiares no sentido campo-cidade, ressaltam: o encurtamento do período de amamentação, o desaparecimento dos treinos específicos, o afastamento e a especialização dos universos masculinos e femininos, o aparecimento do sentimento de infância, a associação infância-brincadeira-escola, a transformação dos padrões de autoridade-submissão.