Psicologia

A Meninice (em casa) na Rua: no limite da intimidade e da exposição da subjetividade no discurso

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Silva, Patrícia Regina Da Matta
Sexo
Mulher
Orientador
GUIRADO, Marlene
Ano de Publicação
2002
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
291
Idioma
Português
Palavras chave
Uso Do Espaço
Instituições
Vulnerabilidade
Narrativas
Infância
Resumo

Esta pesquisa qualitativa teve por objetivo mapear os modos de subjetivação das crianças e adolescentes que mantém uma relação de permanência e de uso diverso com o espaço das ruas das metrópoles (trabalho, lazer, transgressões, moradia, etc), portanto, de relações. A proposta metodológica é fundamentada pela articulação da noção de sujeito, instituição e discurso, elaborada por M. Guirado, que possibilita uma estratégia de pensamento importante e possível para a produção do conhecimento em psicologia. Foi realizada uma análise sobre a produção da "infância de rua" como categoria social e objeto de estudo acadêmico a partir da década de 1980, bem como um estudo de campo com procedimentos de observação participante e entrevistas com crianças, adolescentes e adultos (quando estes mostravam ter uma história passada e presente com e na rua) na região da Avenida Paulista e do Centro antigo da cidade de São Paulo. A partir da análise do material de pesquisa produzido, com apontamentos das regularidades e das diferenças, foi possível desenhar um modo de reconhecimento com o espaço da rua mediado pela família, pela atividade que exerciam e pela própria vida que levavam.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Centro antigo
Logradouro
Avenida Paulista
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
A partir da década de 1980
Localização Eletrônica
https://repositorio.usp.br/item/001310721

Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Costa, Fernando Braga da
Sexo
Homem
Orientador
Gonçalves Filho, José Moura
Ano de Publicação
2002
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
177
Idioma
Português
Palavras chave
Trabalho
Relação com a Cidade
Sociabilidade
Subjetividade
Resumo

Através de dados materiais, subjetivos e intersubjetivos, caracterizamos e discutimos um problema de Psicologia Social: a invisibilidade pública. O pesquisador conduziu-se pelo caminho da observação participante, segundo o regime de uma pesquisa etnográfica, um dos procedimentos metódicos dos mais encarecidos em Psicologia Social. Tal método supôs o desempenho do oficio de gari pelo próprio pesquisador, durante seis anos e semanalmente. A invisibilidade pública é fenômeno que não pode ser suficiente e certeiramente investigado à distância do oprimido, à distância de quem vive por dentro sua ação corrosiva. Esta pesquisa inscreveu-se em dois níveis de investigação psicossocial: 1) Investigação participante de uma modalidade de trabalho não qualificado e subalterno (o trabalho de garis). Descrevemos, narramos e analisamos a operação de mecanismos sociais de reificação e subalternização no trabalho dos garis: o modo como são reprodutores e geradores de invisibilidade pública. Será reconhecível, em conteúdo e extensão, o quanto foi este o nível privilegiado de investigação nesta dissertação de mestrado. 2) Investigação participante da aproximação entre pesquisador e trabalhadores pobres. Buscamos descrever, narrar e analisar a existência de barreiras e aberturas psicossociais operantes no encontro e na comunicação entre o pesquisador e os garis. Será reconhecível, neste nível de investigação, o caráter de um exame apenas preliminar: seu desenvolvimento mais satisfatório, acompanhado de informações de campo ainda inéditas, corresponderá ao que pretendemos melhor desenvolver em regime de doutorado. Os dois níveis de investigação que discriminamos, todavia, comunicam-se: o exame do trabalho dos garis e o exame de nosso encontro com eles, como verificamos. Orientamo-nos especialmente por Ecléa Bosi, Georg Luckács, Gilberto Safra, Jean Laplanche, José Moura Gonçalves Filho, Lucien Goldmann, Simone Weil e Sylvia Leser de Mello.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://dedalus.usp.br/F/?func=direct&doc_number=001298332

Moradia, Corporeidade e Desenvolvimento Humano em Espaços Liminares: um estudo sobre formas de subjetividade na favela

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Tavares, Sandra Maria Greger
Sexo
Mulher
Orientador
Albertini, Paulo
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
352
Idioma
Português
Palavras chave
Apropriação Do Espaço
Formação Do Sujeito
Habitação
Pobreza
Periferia
Resumo

Esta pesquisa abordou a experiência de construção e revelação de subjetividades (individuais e coletivas) concretizadas em espaços de moradia (privados e públicos) numa comunidade fronteiriça - São José - Favela do Jardim Peri, periferia de São Paulo. Para realização desta investigação foram selecionadas quatro famílias, fundadoras de São José. Foi desenvolvida uma observação participante por três anos e foram captados depoimentos tendo como foco a reconstrução da história do movimento comunitário e a transformação do espaço fisico-geográfico. Foram analisadas formas de ser e de morar numa zona de transição, a favela, espaço considerado como liminar, sendo marcado pela instabilidade geográfica, social e existencial. Os modos de apropriação do espaço na favela revelam formas híbridas de subjetividade e de moradia que articulam experiências de enraizamento e desenraizamento no cotidiano, construindo a possibilidade de reapropriação da cultura da comunidade de origem pelos sujeitos. Estes aspectos revelam símbolos vinculados a um conceito ampliado de desenvolvimento humano. Apesar da condição de liminaridade, as casas tornam-se sólidas quando construídas em redes de solidariedade, pois são habitadas por corpos-sujeitos imersos em suas tradições culturais.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
zona norte
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Jardim Peri
Localidade
São José - Favela do Jardim Peri
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.usp.br/single.php?_id=001321122

Os Padres Operários nas Lembranças de uma Comunidade: um estudo de memória e prática política

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ribeiro, Karen
Sexo
Mulher
Orientador
Oliveira, Paulo De Salles
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
189
Idioma
Português
Palavras chave
Narrativas
Religiosidade
Organizações De Trabalhadores
Lutas Políticas
Resumo

O presente trabalho estuda a memória cultivada na convivência de uma comunidade localizada na periferia do município de Osasco - São Paulo com os padres operários especialmente Domingos Barbé, Frei Emmanuel Retumba, Michel Cüenot, Gaspar Neerinck, na década de 1970. Verifica como os ensinamentos da época permanecem nas práticas atuais, como os sujeitos interpretam a cultura comunitária e a militância. Apresenta caráter exploratório de amostra sem representatividade estatística. Os sujeitos são 14 homens e mulheres que se envolveram ativamente na experiência de comunidade de base. Utiliza entrevistas abertas orientadas por roteiro elaborado previamente com o auxílio das entrevistas-piloto e facilitadas pelo uso do gravador. Observações também guiadas por roteiro, foram realizadas nos encontros da Pastoral Fé e Política, da Pastoral da Saúde, dos Vicentinos, do Conselho Gestor do posto de saúde do bairro, da creche, nas missas e nos eventos comunitários. Os resultados receberam análise qualitativa com base nos escritos de Alfredo Bosi, Ecléa Bosi, Walter Benjamin, Hannah Arendt, Simone Weil, Domingos Barbé, Emmanuel Retumba, Michel Cüenot, entre outros.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Osasco
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Década de 1970
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-06122022-112114/fr.php

Trabalho e Processo de Exclusão/Inclusão Social: um estudo com assistidos-trabalhadores de um centro de triagem de materiais recicláveis implantado por uma instituição assistencial na cidade de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Nicolau, Stella Maris
Sexo
Mulher
Orientador
Sato, Leny
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
122
Idioma
Português
Palavras chave
Trabalho
Reciclagem
Cooperativa
Pobreza
Resumo

Esta pesquisa aborda o trabalho como instrumento de inclusão social. Apóia-se na experiência de uma instituição assistencial da cidade de São Paulo que implantou um centro de triagem de material reciclável a fim de oferecer oportunidades de trabalho a moradores de rua. A investigação consistiu em acompanhar o cotidiano de trabalho no galpão onde se realiza o processamento do material reciclável, tendo como objetivo destacar elementos que configurem esta experiência como possibilidade de ampliação das redes de apoio socio-familiares e de inserção em formas de trabalho que garantam proteção social. Ressaltamos algumas condições capazes de revelar maiores densidades de inclusão social a partir do engajamento nesta experiência de trabalho, tais como: a ampliação de redes de sociabilidade, a inserção em regimes de trabalho que assegurem proteções frente às situações adversas da existência, a possibilidade de reconhecer-se e ser reconhecido como uni trabalhador. A análise dos dados revelou que esta experiência de trabalho possibilita diversos matizes de inclusão social, que oscilam entre aqueles que mantêm-se em relações de trabalho precárias e não ampliam suas redes de apoio socio-familiares - continuando dependentes da assistência social -, até os que alcançam formas regulamentadas de trabalho, e ampliam significativamente suas redes sociais de suporte.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I

A Violência no Coração da Cidade: um estudo psicanalítico sobre as violências na cidade de São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Endo, Paulo Cesar
Sexo
Homem
Orientador
Sato, Leny
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
122
Idioma
Português
Palavras chave
Subjetividade
Espacialização
Desigualdade
Corpo
Resumo

Este trabalho tem como objeto violências que se produzem na cidade, articulando sua argumentação em torno de três eixos fudamentais: o corpo, a violência e a cidade de São Paulo. Esses eixos remetem-se, por sua vez, a três fontes de pesquisa: à Psicanálise, especialmente por meio da contribuição do pensamento freudiano; aos testemunhos dos habitantes da cidade de São Paulo, extraídos preponderantemente de entrevistas diretas ao longo de minha participação nas atividades do Fórum em defesa da vida, contra a violência do Jardim Ângela ou, indiretamente, através de trabalhos de outros pesquisadores; e análises sobre as violências no Brasil e na cidade de São Paulo advindas de outras áreas do conhecimento e com as quais procuramos fazer a Psicanálise dialogar. Nossa intenção é demonstrar como determinadas violências que ocorrem na cidade de São Paulo, hoje uma das cidades mais violentas do mundo, são produto de uma articulação complexa entre os poderes instituídos, os aparatos públicos de segurança e a população da cidade. Desse modo, pretendemos contribuir com um debate que se alastra por toda a cidade acompanhando as violências que o antecedem, e que fazem de cada habitante da metrópole testemunha, ator e vítima da cidade violenta.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.usp.br/item/001343704

Trabalho e Reificação: um estudo participante de psicologia social em uma metalúrgica da região do ABC

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Svartman, Bernardo Parodi
Sexo
Homem
Orientador
Gonçalves Filho, José Moura
Ano de Publicação
2004
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
186
Idioma
Português
Palavras chave
Indústria
Capitalismo
Relações De Trabalho
Resumo

O caráter opressivo da produção capitalista não se encontra apenas em seu regime de propriedade ou extração de mais-valia, mas assume incomparável visibilidade na organização mesma do trabalho fabril e na experiência que se tem dele. Este trabalho buscou investigar, através de uma pesquisa de campo em regime de observação participante, as relações entre a organização e a experiência do trabalho numa metalúrgica da região do ABC paulista. Durante dois anos, um dia por semana, o cargo de ajudante geral foi assumido pelo pesquisador. O foco da pesquisa privilegiou a experiência de trabalho na fábrica: as formas de relacionamento dos homens entre si, com as máquinas e a matéria do trabalho. Pelo testemunho de uma experiência pessoalmente assumida e pelo contato e conversas com os trabalhadores, buscamos os episódios e as palavras que nos pareceram melhor descrevê-la. Autores como Simone Weil, Karl Marx, Lucien Goldmann, Ecléa Bosi e José Moura Gonçalves Filho ajudaram a balizar esta investigação. As perguntas que procuramos responder foram, sobretudo as seguintes: 1) a experiência de trabalho ainda se caracteriza, como expôs Simone Weil, pela transformação do homem em um instrumento de trabalho fabril, pelo impedimento da participação na organização e planejamento das atividades? 2) Corno reagem os operários ao trabalho fabril? 3) Desde então, quais transformações da organização do trabalho poderíamos vislumbrar e que seriam favoráveis aos operários? As atividades fabris, tais como realizadas, assumem a figura de um processo maquinal, rápido, esquemático, e não a genuína figura de um trabalho humano. A impossibilidade de participação na organização das tarefas impede que elas sejam vividas com interioridade ou que abriguem formas de aparição pessoal. Ainda assim, os trabalhadores, através das iniciativas e movimentações no chão-de-fábrica, empenham formas de resistir a este esvaziamento de suas atividades.

Disciplina
Referência Espacial
Região
Região do ABC
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
(N/I)

Arouche 2004: uma incursão no território urbano da cidade de São Paulo através de seus personagens. Estudo psicossocial sobre encontros e desencontros entre olhares, imagens e paisagens - diagnóstico para uma intervenção ambiental

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Okamura, Cintia
Sexo
Mulher
Orientador
Tassara, Eda
Ano de Publicação
2004
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
300
Idioma
Português
Palavras chave
Usos Do Espaço
Representação
Relação Com A Cidade
Resumo

O presente trabalho delimitou como território da pesquisa uma região do Centro velho da cidade de São Paulo, onde, através de um "mergulho" no campo, objetivou-se compreender como as pessoas, moradores ou freqüentadores, se relacionavam com aquele território. Nessa incursão, verificou-se a existência de diferentes segmentos sociais a partilhar os espaços públicos, formando diversas comunidades fechadas que, ao delimitarem o seu território, acabavam privatizando esses espaços, produzindo a exclusão do outro, do diferente, configurando, com isso, uma situação de conflito, ocorrendo uma luta pelo território. Essas comunidades apresentavam como traço marcante: o agrupamento de pessoas em função de características identitárias semelhantes. Tendo em vista o constatado, buscou-se representantes das categorias de identidade social identificadas. Estes representantes foram, por estas categorias, chamados de personagens. E assim, foram selecionados 15 personagens, quais sejam: líder comunitária, morador de rua, drag queen, aposentada, menina de rua, invasora, presidente da associação local, travesti, proprietário de restaurante, síndico do prédio, executivo, segurança do bairro, homossexual, advogado e vendedor ambulante. A coleta de dados subjetivos teve como substrato uma entrevista aberta, na qual se solicitava ao sujeito que falasse sobre a sua vida e, mais especificamente, sobre a sua vida no bairro. Pediu-se também que o entrevistado conduzisse uma trilha, ao lado do pesquisador, mostrando, comentando e registrando fotograficamente aquilo que ele considerasse importante no seu território. A análise dos dados obtidos foi efetuada tendo como hipótese que a espacialização da identidade desses grupos poderia ser o substrato desse conflito, na medida em que o sujeito, ao se apropriar do espaço, supõe e tem o território como seu. O estudo apontou que a origem do conflito ancorava-se na estrutura da ordem social, apontando como necessária a desconstrução da realidade, que se apresenta a nós de forma naturalizada, como um modelo hegemônico.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Localidade
Largo do Arouch
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2004
Localização Eletrônica
https://repositorio.usp.br/item/001397583

Vidas Arriscadas: um estudo sobre os jovens inscritos no tráfico de drogas em São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Feffermann, Marisa
Sexo
Mulher
Orientador
Mello, Sylvia Leser de
Ano de Publicação
2004
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Desigualdade
Violência
Juventude
Ilegalidade
Resumo

Esta pesquisa constitui um estudo dos jovens inscritos no tráfico de drogas na cidade de São Paulo com o objetivo de contribuir para descaracterizar como doentias as infrações realizadas por eles, pois a razão delas se encontra em contexto maior. A pesquisa busca escutar estes jovens a partir da tensão existente entre indivíduo e sociedade e das rupturas e continuidades desta relação, em condições que podem ser consideradas quase irracionais. Procurou-se traçar um percurso para assinalar alguns fios condutores que, ao se entrelaçarem, oferecem uma possibilidade de reflexão para um fenômeno tão intricado como o tráfico de drogas e especificamente em relação aos jovens que "trabalham" vendendo drogas ilícitas. Entre estes fios condutores, trabalhou-se a urbanização da cidade e a relação desse processo com o crescimento do crime; a natureza do crack como multiplicador da violência existente; a ausência e/ou a ineficiência do Estado de cumprir o seu dever. São características que definem a especificidade do tráfico de São Paulo. A complexidade destes discursos permitiu a percepção dessa realidade de vários aspectos, como se segue: o mundo do trabalho, ou seja, a inserção destes jovens nas relações de trabalho de um comércio ilegal de drogas; o contrato social, em que se apresenta as formas que regulam as relações sociais existentes no tráfico; a crueldade como espetáculo: a violência tanto da polícia como do traficante e aquela resultante das relações que envolvem droga denominada por "crack". O último tópico a ser tratado é como estas questões discorridas ao longo do trabalho, marcam as subjetividades destes jovens. A análise das entrevistas também foi apoiada, nos aspectos pertinentes, pela teoria psicanalítica de Freud.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1050278

Redes e vigilância: uma experiência de cartografia psicossocial

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Castro, Rafael Barreto de
Sexo
Homem
Orientador
Pedro, Rosa Maria Leite Ribeiro
Ano de Publicação
2008
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Programa
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social
Instituição
UFRJ
Página Inicial
1
Página Final
177
Idioma
Português
Palavras chave
vigilância
redes sócio-ténicas
cartografia
Resumo

Partindo da evidência que o ambiente urbano e seus procedimentos de planejamento aglutinam coletivos humanos e não-humanos em suas várias ordens, ressalta-se como questão neste trabalho a presença cada vez maior dos dispositivos tecnológicos de vigilância na dinâmica das cidades. Tomando como eixo o referencial teórico de Redes Sociotécnicas, que se debruça justamente sobre o tema da produção de coletivos híbridos – essas misturas de sociedade, natureza e técnica – investigou-se em que medida este tipo de abordagem poderia contribuir para a compreensão das formas contemporâneas de sociabilidade e subjetividade produzidas como efeito desta rede. Entendendo que cada sujeito traduz a rede diferentemente, buscou-se evidenciar as diferentes versões que compõem especificamente essa controvérsia tecnocientífica e suas ressonâncias. A partir da questão principal da vigilância, foram propostos como eixos temáticos a serem aprofundados as experiências (1) da segurança – que articula questões como a violência, o medo e a confiança; e (2) da visibilidade – e os sentidos propiciados de liberdade, intimidade e privacidade. Como estratégia de pesquisa, propôs-se a escolha de uma dada fração urbana monitorada por câmeras para a realização de uma cartografia segundo três momentos: gênese, situação atual e visão de futuro. O local de realização da pesquisa foi o município de Guarujá, litoral do estado de São Paulo, uma das cidades pioneiras no que se refere à vigilância por câmeras. Como eixos de “coleta de dados”, a pesquisa foi conduzida no sentido de evidenciar as diferentes traduções em dois níveis: práticas e discursos. No âmbito das práticas, observações de caráter etnográfico foram empreendidas. Quanto aos discursos, tentou-se coletá-los através das mais variadas fontes, tais como contribuições científicas e artísticas, reportagens veiculadas na mídia, documentos e, principalmente, entrevistas com os atores da rede. Foram entrevistados moradores do município, visitantes, os responsáveis pelo projeto de monitoramento e seus operadores. Para analisar o material reunido, o método utilizado foi o de “Análise de Controvérsias”, cujo mote é seguir os atores na rede, de modo a evidenciar o jogo de forças envolvido nas diferentes apropriações e no processo de estabilização da rede. Ao final, ficou evidente que as decisões acerca destes dispositivos de vigilância são tão técnicas quanto políticas, o que faz de seu percurso um traçado de constante negociações e embates, nos quais as possibilidades e os papeis jamais estão estabelecidos de antemão.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Guarujá
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
http://objdig.ufrj.br/30/teses/RafaelBarretodeCastro.pdf