Configuração Territorial, Urbanização e Patrimônio: Colônia da Glória (1876-1904)
Este estudo analisa a organização e o parcelamento territorial da antiga Colônia da Glória, criada em 1876, com outros 3 núcleos próximos da cidade de São Paulo (Santana, S. Caetano, S. Bernardo), para abrigar colonos imigrantes. Procurou-se delimitar os condicionantes físicos e históricos que definiram modificações e permanências de certas estruturas fundiárias nos bairros que surgiram na área da Glória, como Cambuci, Jardim da Glória, Chácara Klabin, entre outros. Estudou-se o intenso processo de concentração fundiária ocorrido após a emancipação desse núcleo em 1878, quando os colonos vendem suas propriedades para novos investidores interessados na valorização dessas terras e em sua urbanização. Esse processo se acelera entre 1890 e 1893 devido ao Encilhamento, período de euforia financeira e de interesse especulativo em propriedades próximas ao centro paulistano. Essas alterações resultaram no loteamento da Cidade Deodoro, parte do bairro do Cambuci, em 1891, que definiu a mudança de funções dessa área, iniciando sua urbanização. Por trás dessas modificações estão investidores e empresas influentes e já conhecidas desse período, como Lins de Vasconcellos, Lacerda Franco, Proost Rodovalho, Banco União; e outros menos estudados como Samuel Eduardo da Costa Mesquita, dentista francês estabelecido no Rio e em São Paulo na segunda metade do século XIX, e que exercerá um papel relevante nas alterações fundiárias de parte da Glória. A recuperação e análise das mudanças e permanências de referências espaciais nesse território permitiu também refletir sobre as relações entre configuração territorial, a preservação do patrimônio cultural e os processos de mediação cultural que definem a permanência ou a destruição dessas referências.