A presente dissertação tem como objetivo apresentar a inserção no mercado de trabalho e as condições de vida das mulheres refugiadas no município de São Paulo. Para atingir tal intento fez-se necessário uma investigação minuciosa da realidade do refúgio no mundo e no Brasil, considerando a legislação pátria, as convenções e tratados internacionais dos quais o Brasil é subsidiário. Nesse sentido, buscou-se inicialmente identificar os diversos grupos de pessoas que se deslocam em busca de refúgio, consideraram-se como refugiadas somente aquelas pessoas que de acordo com a Lei 9.474 de 22 de julho 1997 em seu art. I são forçadas a abandonar seus lares em situações de conflitos, por questões religiosas, étnicas, políticas, dentre outras. Os conflitos colocam em risco a vida, a liberdade e a segurança da população que sofre ameaças e efetivas perseguições, desencadeando o refúgio. Essa situação obriga a fuga das pessoas de seus países em busca de uma vida melhor em outro que as receba. Mas, para sobreviverem em outro país precisam trabalhar e isso desencadeou a pesquisa em questão, na qual se investigou a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho paulistano, considerando a categoria trabalho e as mudanças no mundo de trabalho, no contexto do sistema capitalista, vinculada intrinsecamente às condições dessa inserção como fator determinante para a sua sobrevivência e refletem nas condições de vida dessas mulheres, na sua formação educacional, qualificação profissional e consequentemente no modo de inserção no mercado de trabalho. Nesse sentido, procedeu-se a pesquisa bibliográfica, que subsidiou o aprofundamento teórico sobre o tema. A apropriação teórica em relação ao histórico e à legislação foi essencial para dar início ao estudo. Por meio de pesquisa qualitativa, com base em exame críticoanalítico da realidade investigada, procedeu-se a análise do objeto de estudo, assim como a pesquisa de campo, fornecendo elementos necessários à descrição e interpretação do fenômeno estudado. Assim, procedeu-se ao exame dessa realidade particular mediante a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e entrevista aprofundada. O contato com quatro organizações atuantes na questão do refúgio forneceu os dados e as condições para contato com as refugiadas. Selecionou-se uma amostra representativa de 53 mulheres refugiadas residentes na cidade de São Paulo, as quais forneceram as informações pertinentes às análises desenvolvidas neste trabalho. No processo de investigação buscaram-se desvelar o conceito de trabalho, as mudanças ocorridas nesse universo, o mundo do trabalho e suas transformações ao longo do processo histórico da sociedade capitalista, inter-relacionando-as com a realidade das mulheres refugiadas. Nesse processo buscou-se também desvelar a história de vida da mulher refugiada, suas condições de moradia, como tem se dado sua sobrevivência. Entretanto, a despeito de haver centrado seu foco de interesse no que concerne à inserção no mercado de trabalho e a condição de vida desse grupo social, não se limitou este estudo a descrever tão somente tais condições, mas investigar o que o Estado, órgão responsável pela acolhida e permanência dessas pessoas tem feito, e pode fazer para efetivar o que em discurso já está estruturado, a verdadeira acolhida aos refugiados, no estudo em questão às refugiadas. Como corolário dessa linha argumentativa, tem-se que sem a presença ativa do Estado como agente estruturador, dificilmente o país terá condições de garantir a proteção social a esse grupo, que, como já mencionado, tem crescido a cada dia. Considerando os aspectos ora pontuados, espera-se que este trabalho possa servir como fonte adicional de consulta e interesse para todos aqueles que têm no refúgio sua área de atuação, mormente para os que se dedicam ao estudo da problemática relacionada aos direitos dos refugiados, atendendo ainda aos que buscam apreender sobre como vivem as refugiadas na megalópole paulistana. Estima-se que esta pesquisa sirva de orientação para outros pesquisadores na área do serviço social e que a mesma, diferentemente de se tornar mais uma produção nas prateleiras da academia, suscite novas discussões e novos debates na área, inquietando alguns e, em outros, despertando novos olhares em direção a uma realidade mais crítica, social e política acerca do refúgio e das refugiadas.