A globalização e o espaço do cidadão: espaço global - mundo fragmentado
Tenho por 12 anos desenvolvido pesquisas empíricas junto aos vários grupos ciganos presentes, principalmente na região da Grande São Paulo e entre estes notadamente o subgrupo “calón” (dialeto cale), cujos membros são tradicionalmente nômades e que viviam em pequenos e médios acampamentos espalhados pela região. Paralelamente à pesquisa, desenvolví alguns projetos que visaram a uma melhor integração entre estes e a sociedade majoritária. A criação da Primeira Escola Itinerante destinada à alfabetização bilíngue entre os calons foi um destes projetos, e graças ao apoio internacional conseguimos ao longo de quatro anos, alfabetizar 427 crianças e adultos, bem como facilitar a obtenção de documentos legais a 672 calons.
Tais demonstrações evidenciam a imensa marginalidade a que este grupo étnico está submetido dentro do contexto nacional, situação não muito diferente de outras partes do mundo, principalmente na Europa e América do Norte, onde também ocorrem estas manifestações de marginalidade sócio-política entre os subgrupos Kalderash, Manuche e Sinti.