Modernização, modernidade e modernismo: três conceituações para um estudo da nova arquitetura no Rio de Janeiro e em São Paulo até o final da Era Vargas
Acreditamos ser necessário, para um aprofundamento do conhecimento da “nova arquitetura” brasileira (seja ela moderna ou modernista) suas manifestações, tendências, peculiaridades e limitações, um estudo mais acurado das manifestações que, conjuntamente, possibilitaram sua existência: modernização, modernidade e modernismo. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com o intuito de conceituar modernização, modernidade e modernismo, associando esta pesquisa a alguns manifestos e programas modernos, nacionais e estrangeiros, e a um breve estudo da formação da sociedade brasileira. Esta dissertação pressupõe um estudo que vai além da análise dos projetos arquitetônicos produzidos pelos participantes do movimento da nova arquitetura brasileira: o estudo, ainda que incipiente, das questões filosóficas nas quais se enredam as raízes do movimento moderno, contribui para o entendimento das tensões envolvidas na produção do pensamento deste movimento. O aspecto sócio-político constitui a linha divisória entre os arquitetos que podem ser considerados efetivamente modernos e os modernistas, que se aplicaram a produzir uma “nova arquitetura”, mas não tiveram maior envolvimento com as questões sociais pertinentes às massas, à maioria formada pelo “povo” (de maneira geral explorado e vilipendiado). Tanto os arquitetos modernistas quanto os modernos possuíram preocupações formais, técnicas, plásticas, porém, no grupo de arquitetos modernos, somam-se a todas estas questões aquelas preocupações de caráter social. A questão da classificação entre moderno e modernista não diminui a importância ou a qualidade da arquitetura produzida, porém, determina a amplitude, o alcance social de cada proposta. No Brasil adota-se uma versão própria da arquitetura moderna: exuberante, monumental, integradora das artes, mas questionamos: seria uma arquitetura voltada para o “povo”, preocupada com a satisfação das necessidades da maioria? Seria, neste sentido, arquitetura moderna? O desenvolvimento desta dissertação consiste em identificar pontos convergentes e divergentes entre os dados conceitos, os principais programas e manifestos modernos e modernistas brasileiros, alguns fatores sócio-culturais específicos da formação da sociedade brasileira, aplicando-os à análise de exemplares representativos do movimento moderno brasileiro, a nossa “nova arquitetura”.