Esse trabalho busca observar aspectos do desenvolvimento do movimento Hip Hop na cidade de São Gonçalo - RJ, segunda cidade mais populosa do Rio de Janeiro, reconhecendo seus principais articuladores, sua relação com o poder público e sua inserção midiática em perspectiva local, nacional e transnacional, além de pensar as transformações do movimento neste território entre os anos 1990 e 2017. Forjado sob a influência de uma série de estruturas como o racismo, o colonialismo, o imperialismo, o capitalismo, a diáspora, a indústria cultural, a modernização das grandes cidades, o Hip Hop é um movimento que marca e é marcado por uma série de mudanças tecnológicas, políticas, de valores sociais, de processos de independência, de migração, imigração e do próprio advento da globalização. Assim, procuro compreender em que medida o acesso às tecnologias digitais, como a internet em banda larga e acesso a equipamentos de filmagem e gravação na passagem dos anos 2000 para 2010, possibilitaram novos horizontes de expectativa para os jovens gonçalenses e a cena que construíam, gerando mais visibilidade aos artistas da cidade. Ao mesmo tempo, tentei não perder de vista as contradições entre os praticantes do Hip Hop e o poder público, como as tensões com a polícia durante a década de 2010. Outro conjunto de questões se articula em torno das interações entre o movimento Hip Hop e alguns espaços da cidade, em particular com os monumentos que se configuram como marcas de um passado a ser preservado. Ao mesmo tempo que acompanho a produção de memórias hegemônicas por parte de setores mais conservadores e tradicionais na cidade, procuro destacar como o Hip Hop tenta construir e reconstruir a memória sobre si mesmo e sobre seu lugar na cidade, procurando se diferenciar dos projetos políticos e discursivos anteriormente inscritos no cotidiano do município ancorados na lógica do mercado no decorrer do século XX.