Estrutura regional e metropolitana
Rua Fernandes Guimarães: novos negócios e novas sociabilidades em uma rua do SohoBotafogo
“Rompendo a distância”: mediadores políticos nas pequenas cidades do interior
Os moradores das pequenas cidades do interior costumam viver em um ambiente marcado pela dependência política. Nesse sentido, propus analisar neste texto as práticas de mediadores políticos residentes no município de Italva, situado no interior do estado do Rio de Janeiro. Com este propósito, examinei três situações vigentes em períodos históricos distintos, o que me levou a ressaltar diferentes atributos dos mediadores envolvidos e, consequentemente, a distingui-los como mediadores orgânicos, outorgados ou participativos. Esses perfis de mediador refletem, ao longo do tempo, as condições vividas nesse pequeno município em questão. Nele, a busca por manter relações com políticos e agentes de Estado era vista como uma tentativa de melhorar as condições de vida. O que se almejava ao empreender essas aproximações era a obtenção de recursos públicos e para canalizá-los os deslocamentos físicos em direção às cidades maiores se mostraram imprescindíveis.
Ocupação Urbana e Despejo: entre o ritual popular e o estatal
Quando o ônibus não passa: transporte e exclusão social em Ribeirão das Neves
Nesse artigo, analiso o cotidiano nos transportes coletivos em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Inserido no processo de periferização e segregação territorial da capital mineira, o município possui linhas de ônibus pouco frequentes, de baixa qualidade e caras, o que afeta diretamente a possibilidade de seus moradores acessarem outras regiões da metrópole. Percorrendo os ônibus metropolitanos de Ribeirão das Neves, foi possível perceber alguns dos obstáculos enfrentados pelos seus moradores no acesso aos serviços de transporte e as suas consequências sobre um cotidiano já árduo. A partir da observação participante, apresento uma reflexão sobre o ir e vir dos moradores de Neves, analisando, também, as estratégias encontradas por eles para resistir a um sistema que atua fortemente para sua imobilidade.
GRAHAM, Richard. “Alimentar a cidade: das vendedoras de rua à reforma liberal (Salvador, 1780 - 1860)”
Richard Graham inicia seu livro afirmando que “nenhuma cidade alimenta à si mesma (…) Salvador era uma grande cidade nas Américas do século XVIII. Isso nos estimula a investigar não apenas essa malha de relações comercias, mas também o que seu funcionamento revela sobre a composição social da cidade” (p. 19). Tal afirmação se apresenta como o objetivo central da obra aqui resenhada, buscando, segundo o próprio autor, deixar de ver exploradores e explorados, pois “ao desvendar a vida de pessoas dentro de um grande universo de experiências individuais, [o autor] busca detalhes específicos, tentando compreender alguma coisa do contexto em que viviam” (p. 23). É exatamente através da história de certas pessoas que habitavam Salvador entre o século XVIII e XIX que Graham vai construindo sua narrativa. Enquanto historiador, se coloca como preocupado com as categorias que impõe “a pessoas que não necessariamente viam a si mesmas como pertencentes a elas, mas tent[a] não tirar conclusões a priori sobre indivíduos a partir dessas classificações” (p. 23).
Os ritmos do corpo e da metrópole sobre rodas
“São Paulo: a cidade que não pode parar”. O lema paulistano surgido na década de 1950 alude ao ritmo vertiginoso de crescimento da metrópole, induzido, em grande medida, pelo setor automobilístico coadunado com um planejamento urbano rodoviarista. Ao longo das décadas, no entanto, a cidade que não pôde parar produziu seu inverso. Aprisionou seus automóveis em longos congestionamentos, ameaçando o ritmo do capital produtivo, o que engendrou, paradoxalmente, imobilidades urbanas. Em consequência, emergiram soluções endereçadas às externalidades negativas provocadas pelo excesso de automóveis, dentre elas a bicicleta – em consonância com políticas cicloinclusivas (SÃO PAULO, 2014; SÃO PAULO, 2015) –, acirrando as disputas políticas por espaço e legitimidade na cidade.
Eventos e situações nas ruas de São Paulo: Apresentação
O presente dossiê traz relatos de campo, a maioria sobre acontecimentos havidos na capital em meados de 2018, selecionados (e depois reescritos) dentre trabalhos de fim de curso para a disciplina Antropologia da Cidade. Inicialmente vistos somente como parte de um instrumento pedagógico, os experimentos etnográficos que basearam os relatos aqui publicados mostraram-se potentes como registro de dinâmicas urbanas contemporâneas. Em que pese menor ênfase analítica, dado o incentivo à descrição de cenas e situações observadas, tais experimentos puderam ressaltar os ganhos de um olhar etnográfico sobre a cidade e seus agentes. A publicação aqui de alguns desses resultados também sinaliza a possibilidade de uma contribuição antropológica mais arrojada em um contexto de trabalhos acadêmicos, que, sem demérito algum, necessitam de maior tempo de elaboração.
Divergência e transição: o que há de urbano e ribeirinho na Vila Elesbão (AP)
O ensaio fotográfico Divergência e transição: o que há de urbano e ribeirinho na Vila Elesbão (AP) fez parte do repertório de técnicas de coleta de dados na localidade, ocorrido em cinco visitas acompanhadas de moradores, com e também por vezes sem a equipe completa do referido projeto entre 2017 e 2018. A fotografia, nesta investigação, além de abastecer acervos documentais, serviu de integração ao processo de observação simples, diante os vários métodos de coleta de dados empregados.
Planejamento Urbano no Brasil: a experiência do SERPHAU enquanto órgão federal de planejamento integrado ao desenvolvimento municipal
A pesquisa tem como tema o Planejamento Urbano no Brasil e versa especificamente sobre a avaliação do desempenho do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERPHAU). Cobriu todo o período de existência do órgão, de 1964 até 1974. O SERPHAU tinha como função, desde promover pesquisas relativas ao déficit habitacional até assistir os municípios na elaboração de seus Planos Diretores. Fazem parte deste trabalho, a coleta e a sistematização de informações relativas ao SERPHAU, enquanto órgão de planejamento federal integrado ao desenvolvimento municipal. São aqui apresentadas as atribuições do SERPHAU e de órgãos a ele relacionados, como o Banco Nacional de Habitação e o Serviço Nacional dos Municípios. Para a compreensão da metodologia adotada pelo SERPHAU, foram tomados como objetos de estudo o Plano de Ação Concentrada, o Plano de Desenvolvimento Local Integrado (PDLI) e o material dos seminários e Cursos organizados pelo SERPHAU. São apresentados alguns estudos de casos de Municípios que elaboraram PDLI: Diadema, Itapetininga, Araçatuba e Guarujá.