Por uma teoria social on the move
Parece haver consenso em torno da ideia de que os tempos atuais são caracterizados tan-to pela intensificação dos deslocamentos humanos, quanto pela aceleração dos fluxos digitais. Os contínuos investimentos em tecnologias de comunicação e de transporte que precipitam as distâncias trazem, como efeito colateral e tangível, os gigantescos congestionamentos nas rodovias, ferrovias e aeroportos das grandes cidades nos dois hemisférios. O aquecimento global e as mudanças climáticas constituem efeitos igual-mente perversos, porém menos evidentes para alguns, dessa que tem sido chamada de civilização do carbono. Enquanto as práticas de offshoring operam num mundo em que os grandes capitais e os poderosos se movimentam por rotas ocultas, sob os auspícios de sigilosas jurisdições, dispositivos cada vez mais intrusivos, arbitrários e letais controlam os fluxos de corpos ordinários, mensagens e coisas. É desse mundo de mobilidades e imobilidades, das condições de possibilidade de sua emergência, dos princípios normativos profundamente desiguais que o sustentam e dos deslocamentos epistêmicos por ele provocados, que tratam os artigos reunidos neste Dossiê.