Tortura, punição e morte: os lugares de memória e consciência da escravidão na cidade de São Paulo
Esta pesquisa propõe-se a destacar a trajetória de dois equipamentos públicos, a Forca e Pelourinho, a partir das atas da Câmara Municipal de São Paulo e seu registro geral, além de documentação avulsa e manuscrita, conectada aos eventos específicos desses locais, como enforcamentos e torturas públicas. Por meio dessa documentação, a partir de análise qualitativa, procedeu-se à construção de uma narrativa diacrônica sobre esses equipamentos. Esse levantamento recuperou as motivações para sucessivas construções, remoções, utilizações e significados do patíbulo e do tronco, e algumas circunstâncias sociais em que eles obtiveram destaque na narrativa da cidade. Observou-se que, mesmo com pouco destaque na memória hegemônica local, sobretudo na instalação final de ambos equipamentos na Praça da Liberdade, sendo para a Forca o seu período de maior atividade, eles são mencionados com abundante frequência na documentação oficial, e eram objeto de constante interesse no cotidiano popular da São Paulo colonial e imperial. Concluiu-se que não foi a ausência de menções na documentação oficial um dos motivos para o não destaque dessa história de dor no centro da cidade, e que as mudanças espaciais, toponímicas e de usos das regiões em que estavam instalados salientam processos de ressignificação da história local.