Raça e gênero: olhares e sentidos na Revista Eparrei
Este trabalho aborda aspectos específicos da condição da mulher negra no Brasil, por meio das práticas e formações discursivas da revista Eparrei, veículo de comunicação da Casa de Cultura da Mulher Negra na cidade de Santos, no estado de São Paulo. Nossa discussão centra-se em quais seriam as estratégias discursivas (formações discursiva e ideológica) utilizadas pela Revista Eparrei para produzir (novos) sentidos no imaginário social brasileiro e na memória coletiva acerca da mulher negra. Mostra como a análise da revista dá acesso à produção de sentidos sobre relações de raça e gênero na sociedade brasileira, revelando um discurso de resistência aos marcadores sociais dominantes e padrões hegemônicos. Indica, na trama textual dos editoriais da revista, novos sentidos que podem ser tomados como referenciais de identidade e prática política. Um discurso perpassado por outros discursos transversos cujas origens estão nas tradições afro-brasileiras e que busca a afirmação da mulher negra e a contra hegemonia à formação ideológica que dá sustentação ao racismo. Com essa leitura, não podemos deixar de notar o silenciamento em torno do Estatuto da Igualdade Racial, o que sugere uma crítica ou rejeição a esse instituto jurídico. Concluímos que, assim como a atuação do racismo no Brasil, se dá no subentendido, no implícito e nas ações cotidianas, os editoriais da revista Eparrei utilizam, sugerem e defendem a sutileza para romper com o imaginário negativo que circunda cidadãos, negros e negras.