O Espaço Presente entre Ordem e Práticas: uma incursão sobre a praça da Sé paulistana
O espaço presente é concebido, neste trabalho, numa dupla perspectiva. De um lado, o que Michel Foucault chama de ordem disciplinar, ou seja, aquelas forças sociais que intervêm nos diversos tipos de espaço social para ordená-lo, isto é, para transformar pluralidade em homogeneidade. Do outro lado, estão as forças de ordem tática, segundo a denominação de Michel De Certeau. Elas são a contrapartida dos mecanismos disciplinares, atuando do lado onde se joga com a disciplina. Estas últimas forças respondem pelo advento do cotidiano nas sociedades modernas, isto é, de um tipo de "uso burlesco" do espaço ordenado. A análise crítica, que parte do cotejamento entre ordem e práticas, pode escavar o chão presente pelas franjas deixadas pela atuação do poder disciplinar, zonas de esquecimento, e passar a construir imagens que coloquem em questão a ordenação espacial dominante: são as utopias. Entre o sentido das reformas e da atuação do poder gestor na Praça da Sé, especialmente neste século XX, e o das práticas burladoras dessa ordem espacial, a análise constrói a utopia Praça da Sé como um 'centro" sempre buscado pela população historicamente excluída, ou seja, "sem-centro", do legado da modernidade.