Patrimônio histórico-cultural: transformações e usos no Centro histórico de Itu-SP
No limiar do século XXI o temário do patrimônio cultural alcança proporções e forças de alterar profundamente a dinâmica de cidades, regiões e países. O ato de preservar a paisagem já é em si um dos mais poderosos mecanismos de transformação de uma realidade. Aliado a atividades produtivas e aos interesses de classe, ele é capaz de legitimar ideologias, interesses e ações que se desenvolvem materialmente no espaço geográfico. Partindo dessa conjectura, esta pesquisa analisou as transformações e os novos usos estabelecidos pelo Estado mediante a normatização do patrimônio histórico-cultural em Itu, no interior de São Paulo. Sendo constituída por uma literatura multidisciplinar, a pesquisa teve seu maior foco nas observações em campo, entrevistas qualificadas, questionários aplicados e a análise de relatos, que juntos procuram subsidiar o conhecimento das múltiplas contradições geradas a partir das transformações urbanas. Constatou-se generalizadamente que o relacionamento da população com sua cidade é precário, se realizando a partir de sociabilidades segmentadas a espaços de consumo, junto a seus semelhantes. Evidenciando que mesmo com as possibilidades trazidas pela questão patrimonial, é imperativa a indiferença com o tema. Seja por seu caráter repressor ao legitimar as hegemonias, seja pelo desconhecimento histórico ligado a baixos níveis de qualidade na educação, esta se torna mais uma variável complicadora nos processos de construção de uma cidade mais justa socialmente, calcada em valores para além dos interesses do capital.