Espaço vivido favela: brincadeiras infantis nos espaços livres da Rocinha
Este trabalho se desenvolve em torno das interações eco-auto-organizáveis indivíduo-meio e adota os espaços livres da favela como lugares apropriáveis pelas brincadeiras das crianças. Apresentamos como estudo de caso a favela da Rocinha, situada no sopé do morro Dois Irmãos, entre os Bairros de São Conrado e Gávea, na cidade do Rio de Janeiro. A investigação parte de dados coletados em conversas informais, observações de campo, fotografias e desenhos de crianças, orientando-se como uma pesquisa qualitativa. Pretendemos assimilar a construção da identidade da criança na interação complexa da brincadeira com o espaço vivido favela, considerando-o como uma cultura inserida e materializada na cidade através do tempo. Partimos das formas de brincadeiras infantis que se apropriam dos espaços livres da favela, transformando-os em espaços de afetividade, admitindo tais interações como parte constitutiva da identidade do indivíduo, a partir do momento que se reconhece no seu meio. Para tanto, baseamo-nos nos estudos de Morin(2002), Tuan(1983,1980), Fischer (1994), e Vigotski (2002). Acreditamos que este entendimento destes mecanismos sócio-espaciais poderá subsidiar intervenções nos espaços de favela, destacando a importância da ação das crianças na construção e identificação do lugar.