Favela Código Cidade: "o muito falar e o não fazer e suas em vão": Assembléia do povo - 1980 a 1986
O objetivo deste trabalho é contribuir para a discussão da cidade contemporânea, decodificando-a através do espaço urbano da Favela. Seu inicio deveu-se a algumas indagações colocadas durante uma experiência técnico-profissional e política, realizada junto aos moradores de favela de Campinas, que durante a década de 1980 se mobilizaram no espaço político conhecido como Assembléia do Povo. A Luta pela Terra, a elaboração da Lei da Terra, as diretrizes urbanísticas do Plano de Urbanização Específica, associadas à opção pela urbanização de fato, indicaram que os moradores de favela compartilhavam, de alguma forma, da concepção de cidade predominante na sociedade. Recorreu-se ao campo das leis para compreender, refletir e analisar essas questões. As diretrizes urbanísticas de Campinas foram visitadas, num ir e vir, entre o presente e o passado. A base da concepção de cidade encontrada nas leis, além de traduzir os conceitos sanitaristas e higiênicos, tem como alicerces estruturais o lote individual, o zoneamento funcional e a segregação socioespacial da população. Há registro das medidas adotadas para remover a presença, no centro da cidade, do cortiço e da favela, formas urbanas de moradia da pobreza, que representam o caos e a desordem. Mas, por outro lado, há também as anistias, as exceções, a flexibilidade, as revogações, as "premonições" e a impunidade. A cidade das leis apresenta-se tão caótica quanto a realidade que tenta disciplinar.