Processos de urbanização
O programa municipal Alegra Centro (Santos-SP): alegria para poucos e exclusão para muitos
A cidade litorânea de Santos (SP), atualmente, passa por uma profunda transformação de seu espaço histórico e central por meio de políticas públicas, em níveis de poder diferenciados (municipal, estadual e federal), para a sua revalorização, entendida aqui no sentido de um enobrecimento deste fragmento de espaço, enfocando a reabilitação de sua infraestrutura urbana, a readequação do seu patrimônio histórico edificado e a tentativa fazer retornar em seu espaço central investimentos econômicos e comerciais. Esta profunda transformação se dá, neste fragmento a partir da produção de um espaço turístico na área de interface porto-cidade (antiga área portuária abandonada), enobrecimento das atividades comerciais e turísticas na área e também pela tentativa de solucionar diversos problemas de infraestrutura e moradia de grande da população trabalhadora local.
A crise da cidade em jogo: o futebol na contramão em ruas da Penha
Através do futebol de rua jogado no bairro da Penha em São Paulo, esta pesquisa tentou compreender a crise da cidade e do lúdico no processo de urbanização da sociedade. O entendimento desta problemática foi abordado em duas etapas, a primeira destinou-se à reinterpretação da história do futebol brasileiro dando ênfase ao futebol improvisado, costumeiramente denominado pelada. Na segunda etapa, foi analisada a psicogeografia da infância e do uso da rua na cidade. O que exigiu o estudo do cotidiano na metrópole atrelado ao fim da vida de bairro e ao predomínio do automóvel sobre a rua.
Metropolização e o discurso da modernidade na reposição da periferia: o bairro do Cabuçu no município de Guarulhos
O presente trabalho tem por objetivo de estudo a relação envolvendo a periferia e o seu processo de reposição na metrópole de São Paulo, tendo por base o estudo realizado no bairro do Cabuçu, no município de Guarulhos. A complexidade urbana do momento atual comporta diferentes análises no sentido de sua interpretação. Partindo-se desse pressuposto, o que se analisa neste trabalho é a atual condição da periferia na metrópole de São Paulo face às promessas da modernidade relacionada ao desenvolvimento urbano. Essa modernidade, acompanhando a evolução do capitalismo, leva a instituição propriedade privada à posição de centralidade, transformando esta numa das principais marcas da sociedade moderna. Em meio a tantas alternativas acerca da complexidade urbana atual, a escolha aqui feita foi a de analisar a periferia enquanto uma realidade sócio-espacial que, do ponto de vista desta reprodução ampliada, deve ser incessamente resposta ao longo do território da metrópole, não excluindo as contradições inerentes a esse processo. Por sua vez, esse movimento incessante vincula-se ao próprio sentido do urbano, que é reproduzido a partir da lógica do capital, e à impossibilidade no alcance das promessas da modernidade. A metrópole chega à atual fase enquanto um território que, dentre vários outros desdobramentos, passa a enfatizar a relação entre o capital especulativo e o mercado imobiliário. Vem daí a intensificação da especulação imobiliária, que é articulada longo do território da metrópole. Como consequência, a reposição da periferia, que se consubstancia em função do drama cada vez maior da moradia, passa também a ser um movimento articulado nessa mesma metrópole.
O processo de obsolecência nas áreas centrais da cidade de São Paulo: o distrito da Liberdade
Através da retomada de concepções clássicas dos estudos urbanos, que permeiam a geografia, a sociologia e o urbanismo, tentaremos estabelecer uma relação entre os aspectos da organização social e a conformação espacial da cidade. Enfocaremos algumas das forças presentes na transformação do uso do solo no intuito de compreender os processos de obsolescência e renovação urbana, especialmente onde tais processos são mais intensos, no core das aglomerações urbanas. Para tanto, tomaremos como estudo de caso o distrito da Liberdade, área central da cidade de São Paulo. Buscaremos as bases teóricas que dão sustentação à idéia de estrutura urbana, apontando diferentes estratégias de trabalho intelectual para promover um confronto interpretativo entre linhas de pensamento que oferecem modelos de explicação sobre o crescimento urbano e suas implicações, apontando algumas das forças presentes na transformação do uso do solo.
Metropolização e segregações urbanas em Campo Limpo Paulista - SP
Este trabalho tem como objetivo analisar de que maneira o município de Campo Limpo Paulista tem sido historicamente atingido pelos processos de modernização capitalista a partir do avanço da metrópole de São Paulo em direção ao seu entorno. Trata-se de compreender as especificidades da produção do espaço urbano em relação ao processo de metropolização. Campo Limpo por volta do ano de 1950 era considerado um pequeno povoado-estação do cinturão caipira, após deu origem ao modesto subúrbio industrial e residencial, tornando-se, mais recentemente, em mais um dos espaços de reprodução periférica metropolitana. A industrialização e a urbanização possibilitadas e direcionadas por seus tentáculos - a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí em 1881, depois as rodovias Anhanguera (1948) e Máximo Zamboto (1971) têm aglutinado mais fortemente novos lugares, contribuindo para a desagregação da unidade espacial interna do município, onde se tem verificado dinâmicas de auto-segregação dos ricos vindos de São Paulo a ocupar as chácaras urbanas da Estância Figueira Branca e tem segregado os pobres entre seus iguais, no Conjunto Habitacional São José, além de ser um município receptor da dispersão industrial.
Formam-se favelas e ganham importância no cenário urbano São Paulo: Heliópolis e Paraisópolis
Este trabalho tem a finalidade de empreender uma reflexão crítica a respeito do mundo da formação de favelas que encontramos no espaço urbano da Cidade de São Paulo. Abordamos ainda, mesmo que de passagem, os cortiços, pelo fato de terem uma semelhança com a favela em seu aspecto fisionômico, porque ambos constituem moradias precárias onde se encontram famílias de baixa renda. Para isso destacamos através de tabelas, fotos, pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo realizada em ambientes de favela e cortiço, determinadas fundamentais a cada ambiente em questão. E é a partir da atividade transformadora dos objetos em questão que podemos não só mostrar como se iniciaram, mas a realidade atual, trazendo ao leitor amostra de ocupação, estruturação e incorporação de um novo espaço urbano fazendo parte da Cidade. O tema abordado neste trabalho tem a intenção de mostrar a implantação da favela provocando um grande impacto ambiental e social. Procura ainda mostrar as mudanças nas edificações através de seus diferentes projetos, a ocorrência de riscos no ambiente de favela, além de propor um intercâmbio entre as diversas disciplinas das ciências sociais. Destacam-se nos ambientes de favela um grande movimento circulatório de pessoas caracterizando uma densidade demográfica bastante acentuada, o que também é típico dos cortiços. Neste ambiente há uma verdadeira mini cidade, com comércio legal, negócios com mercadorias de procedência duvidosa, comércio de drogas, desenvolvimento de mercado imobiliário com forte aquecimento e principalmente o comércio informal em franco desenvolvimento nas diversas atividades. Mencionamos neste trabalho duas importantes amostras na Cidade de São Paulo, as quais são a Favela Heliópolis, a primeira em sua grandeza, e uma segunda amostra é a Favela Paraisópolis, tida como a segunda em grandeza. A implantação de Favela, ausente de um padrão de planejamento urbano, vem mostrar quão grande é a miséria na Cidade, quão problemática é a questão da moradia popular na maior metrópole brasileira, pois são ocupadas pela população de baixa renda, com fraco acesso aos bens e serviços da Cidade.
A reprodução da metrópole: o projeto Eixo Tamanduatehy
Turismo de segunda residência em Praia Grande (SP)
A presente dissertação analisa o fenômeno do turismo de segunda residência sob o prisma da geografia humana e histórica da cidade de Praia Grande e sua inserção no turismo, produção do espaço e segunda residência. O objetivo desta pesquisa é o de analisar o processo histórico da urbanização de Praia Grande, desde a época em que ainda fazia parte de São Vicente e entender como se deu a produção do espaço amparada pelo turismo de segunda residência. O procedimento metodológico utilizado procurou entender os fatos, as políticas públicas e as ações que levaram às transformações, crescimento e desenvolvimento de Praia Grande do início do século passado até os dias atuais. Os resultados desta pesquisa mostram como se deu a descoberta da atividade turística desta estância balneária, pertencente à Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS), que vem despertando o interesse dos mais variados segmentos da sociedade, sejam eles, das áreas da construção civil, planejamento, investimentos, comércio, dentre outros. Por conta disso, constatamos um abrupto crescimento e desenvolvimento desta estância balneária com mudanças paisagísticas e investimentos na sua infra-estrutura, que em seu bojo, trouxeram mais recursos e investimentos para esta cidade média paulista.
A integração precária e a resistência indígena na periferia da metróple
Trata-se de um debate sobre os processos de mudanças ocorridos nas aldeias indígenas Guarani Mbya do Jaraguá, localizadas na zona noroeste do município de São Paulo. Estes processos são decorrentes dos conflitos de duas diferentes lógicas que coexistem no mesmo espaço, em uma porção da periferia da metrópole. É o embate entre a lógica capitalista, hegemônica na metrópole, que produz seu espaço, a propriedade privada, que tenta moldar o espaço da comunidade indígena e a lógica indígena, oposta a acumulação. Neste sentido, obrigaram os indígenas à aceitação de um espaço produzido pelo Estado, Terra Indígena (T.I.), e limitado pelo processo de periferização da metrópole. Porém, não sem reação, já que os indígenas ocupam outras áreas, e formam novas aldeias. Assim, este processo pode ser lido através da contradição integração/desintegração deste povo no que se pode chamar de universo urbano. Porém, este é um processo contraditório que não se realiza de forma integral, revelando sua negatividade através de outro momento, a resistência. A resistência suposta pelo uso e apropriação que a comunidade exerce através de suas relações sociais fundamentadas por sua cultura é que vai produzir um espaço diferenciado dentro da metrópole paulistana, um espaço considerado de resistência.