Processos de urbanização
Expansão urbana e meio ambiente nas cidades não-metropolitanas: o caso de Franca-SP
Da terra ao mar: um estudo de microtoponímia caiçara em Iguape/SP
Cada nome uma História: dos nomes geográficos de São Bernardo do Campo aos nomes das ruas e vilas do bairro de Rudge Ramos
Brás, Bexiga/ Bela Vista, Barra Funda: estudo antropotoponímico
Este trabalho se insere no projeto Atlas das Cidades da Profa. Dra. Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick. A pesquisa visa identificar as motivações dos denominadores dos logradouros públicos do Brás, do Bexiga/Bela Vista e da Barra Funda da proclamação da Primeira República (1889) até 1926. A análise dos topônimos no período indicado comporta inúmeras referências aos anos anteriores a 1889, que ajudam na reconstrução, em retrospectiva, da história do progressivo desenvolvimento de antigas sesmarias, chácaras, sítios e várzeas alagadiças, localizadas em áreas periféricas em relação ao centro histórico antigo, nos quais se desenvolveu a malha viária da área em exame. Da análise do inventário toponímico da República, emerge o novo perfil da identidade do povo brasileiro, desenhado pelos intelectuais republicanos, que atuaram mais como agentes políticos propriamente ditos que como intelectuais mediadores da identidade simbólica da nação. No final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX os imigrantes europeus, pessoas de poucos recursos financeiros, tendiam a fixar-se na capital do Estado de São Paulo, em áreas dotadas de meios de transporte coletivo, próximas a seus locais de trabalho, nas quais o terreno tivesse custos accessíveis. O Brás, o Bexiga/Bela Vista e a Barra Funda, possuindo esses requisitos, atraíram os italianos, que, amalgamados a outros grupos etnolinguísticos, também residentes nestes três bairros, foram co-autores na construção do registro sociolinguístico-cultural da comunidade, processo do qual a toponímia é parte integrante. A participação dos imigrantes italianos foi significativa na composição étnica da população dos três bairros: introduziu traços culturais novos na arquitetura, nos hábitos, na culinária e na língua, mas foi numericamente pouco expressiva nas denominações dos logradouros. A pesquisa baseia-se na conferência de Sapir, Língua e Ambiente. O trabalho é documental e vale-se de documentação cartográfica, de documentos oficiais do acervo do Arquivo Municipal Washington Luiz e de literatura especializada. A metodologia utilizada é o método indutivo/dedutivo de Dick e vale-se dos instrumentos de pesquisa criados por ela, isto é, a ficha de levantamento de dados e as taxionomias toponímicas. O emprego das taxionomias permitiu analisar a distribuição qualitativa dos topônimos no território em apreço e formular as conclusões finais do trabalho.
A rede ferroviária e a urbanização da freguesia do Brás: estudo onomástico contrastivo
De um extremo a outro, entende-se a toponímia de regiões urbanizadas como resultante de homenagens ou como resquícios da história de formação da comunidade. No primeiro caso, a denominação é entendida como retribuição a uma ação realizada em prol do local, dedicada àqueles que se empenharam em sua consolidação, ou impostas por autoridades políticas e como reflexos de mudanças históricas e sociais. No segundo caso, interpreta-se a fixação de designativos como testemunhos da passagem de determinados indivíduos na região ou como a descrição de características inerentes ao local, em geral perdidas com a sua ocupação maciça. Ignora-se, em ambos os casos, a pesquisa do processo de formação, de cristalização e de ressemantização do topônimo, gerando, muitas vezes, conclusões equivocadas. No presente trabalho, aplicamos a metodologia de recuperação de causas denominativas do Projeto Atlas das Cidades, coordenado por Dick (1996), à freguesia do Brás, região a leste do antigo núcleo paulistano. Após o levantamento dos designativos e dos referencializadores utilizados entre os anos de 1850 e 1914, analisamos o desenvolvimento da maneira de singularizar os espaços em contraste à ocupação da região e à mudança do perfil do morador. Constatamos três fases de engendramento de topônimos: na primeira, até a década de 1870, enquanto a freguesia do Brás mantém-se isolada do restante de São Paulo, os designativos são formados pela descrição do espaço; entre as décadas de 1880 e 1900, período em que os antigos chacareiros loteiam suas propriedades, a denominação sistemática é visível na região, mas a fixação dos designativos atende antes à referencialização, no caso de antropotopônimos indicados, e ao desejo de atribuir topônimos que remetessem a regiões prósperas, no caso dos corotopônimos, do que à escolha aleatória e à homenagem propriamente dita; é após a Proclamação da República e a ocupação da freguesia do Brás por imigrantes e migrantes pobres, quando se evidencia a urbanização, que a homenagem a autoridades políticas e a indicação de topônimos a partir de motivações toponímicas pré-estabelecidas tornam-se tendências denominativas.
"Itaquera para quem?" Projetos urbanos e mudanças socioespaciais na periferia de São Paulo
A presente dissertação de mestrado tem como objetivo analisar as mudanças socioespaciais ocorridas no bairro de Itaquera localizado na Zona Leste do Município de São Paulo a partir de uma série de intervenções no espaço urbano da região entre os anos de 2010 e 2014. Consideramos que tal processo é decorrente de determinadas ações provenientes dos diversos agentes sociais que influem na dinâmica de produção e reprodução do espaço por meio da elaboração de Grandes Projetos Urbanos e da realização do megaevento esportivo Copa do Mundo FIFA de futebol 2014 na região. Para tanto, o texto aborda primeiramente uma discussão teórica sobre o espaço urbano, a produção do espaço no sistema capitalista e o processo de urbanização da sociedade, que no caso particular da cidade de São Paulo deu origem a uma organização socioespacial fragmentada e desigual. A pesquisa busca demonstrar também, tal qual um objetivo secundário, o processo de formação socioespacial de Itaquera ao longo do século XX, bem como suas características atuais por meio da apresentação de dados socioeconômicos. Num segundo momento, o texto aborda o atual modelo de planejamento urbano (estratégico) na elaboração de grandes projetos urbanos e dos megaeventos. E por fim, a pesquisa analisa o projeto denominado Polo Institucional Itaquera e as consequentes mudanças socioespaciais observadas no espaço urbano de Itaquera. Avaliamos que a prática desse modelo de planejamento urbano recentemente tem como finalidade a expansão do capital imobiliário e a construção de novas centralidades na cidade. A pesquisa é de caráter documental e analítico qualitativo e propõe um exame interdisciplinar acerca da problemática exposta na elaboração de um grande projeto urbano em uma região de periferia e confirma a hipótese da expansão do capital imobiliário que neste caso persiste em reproduzir grandes desigualdades socioespaciais.
Dimensão social da participação comunitária no processo de urbanização nos bairros cota da Serra do Mar em Cubatão
Paisagens paulistanas, memória e patrimônio às margens do rio Tietê
Este trabalho possui o objetivo de analisar as mudanças ocorridas ao longo do tempo na paisagem da porção oriental da cidade de São Paulo margeada pelo rio Tietê, resultante das diferentes formas de ocupação do território. O entendimento aqui expresso é o de que os signos de memórias mapeados nesse espaço funcionam como testemunhos das histórias e das transformações humanas no ambiente. Para isso é fundamental o entendimento de três conceitos: paisagem, memória e patrimônio, assim como as relações entre esses. Esses elementos são importantes, pois possibilitam entender e explicar as transformações ocorridas e as marcas desse processo.
Os parques da realidade e da ficção: O cenário de criação dos parques públicos municipais, na cidade de São Paulo e suas implicações na Qualidade de Vida dos cidadãos
O trabalho teve por objetivo analisar as formas de tratamento dadas pelo município, a parques públicos de características semelhantes, situados em áreas com perfis socioeconômicos diferenciados, além de contextualizar a estruturação e criação dos parques urbanos na cidade de São Paulo. Buscou-se estabelecer sob uma abordagem histórica e sociológica, como ocorreu a distribuição do espaço e sua apropriação pelos diferentes grupos desde a colonização até a atualidade e as relações estabelecidas em seus entornos. Para a execução deste trabalho foram realizados levantamentos bibliográficos e consultas em órgãos públicos para a obtenção de dados sobre os parques estudados e as regiões onde se localizam os mesmos. O suporte teórico deu-se por meio de bibliografia levantada sobre os temas: qualidade de vida, lazer, urbanização, produção do espaço, parques públicos e dominação política. A partir de uma perspectiva comparativa, foram analisados o Parque do Carmo - Subprefeitura de Itaquera e o Parque Ibirapuera - Subprefeitura da Vila Mariana. A escolha recaiu sobre esses parques, pela semelhança nas suas dimensões, características e funções, bem como por situarem-se em áreas habitadas por moradores de diferentes perfis socioeconômicos. As comparações foram realizadas após visitas de campo, levantamento e organização dos dados, para a caracterização e análise dos parques. Os resultados demonstraram as diferenças de tratamento oferecidas pela prefeitura aos equipamentos pesquisados. A pesquisa também permitiu observar práticas de uso do espaço público visando a dominação política e gerando desigualdades, enraizadas desde os processos de distribuição de terras no Brasil colonial, prosseguindo durante a urbanização da capital paulista.