Processos de urbanização
Turismo urbano na cidade de São Paulo: o deslocamento do CBD e seus reflexos na hotelaria
Este trabalho discute o Turismo Urbano na cidade de São Paulo e a estreita relação dessa modalidade turística com os deslocamentos do CBD Central Business District. Ao tratar dessa questão, verifica-se que, assim como as outras grandes metrópoles do mundo, São Paulo indica uma tendência a ser palco de um complexo movimento turístico. No entanto, a falta de reflexão e de promoção para o turismo, aliada à falta de políticas públicas, faz com que a cidade não se revele enquanto destino turístico. Este estudo, fundamentado na literatura de ordem geral e específica e no trabalho de campo que resultou no mapeamento de áreas, buscou entender o movimento dos CBD e sua relação com o Turismo Urbano. Os centros de negócios, acompanhados de infra-estrutura como hotéis e espaços para eventos, norteou as investigações para esclarecer a dinâmica do turismo na cidade. Com base na conectividade existente entre a hotelaria, os espaços para eventos e os atrativos, essa pesquisa revela a riqueza da infra-estrutura e de equipamentos existente em São Paulo, revelando uma estreita relação entre parte da oferta e a migração do CBD.
A (in)sustentabilidade do turismo no entorno de Campos de Jordão – SP
O eixo São Paulo - Campinas: concentração de capitais e segregação urbana
Nesta dissertação tratamos de uma região que é central para a história do capitalismo brasileiro a partir do século XIX. Seu crescimento é exponencial e o eixo São Paulo-Campinas tem um papel de destaque no estado de São Paulo e no Brasil. Buscamos explicar os mecanismos pelos quais os capitais se apropriam do território, principalmente sob a égide do processo de reestruturação produtiva do capital, tendo como uma de suas consequências uma nova forma de segregação urbana, que se soma às tradicionais formas de reprodução da desigualdade social brasileira. Analisamos inicialmente as transformações ocorridas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), na Região Metropolitana de Campinas (RMC) e na Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ) nos seus aspectos históricos, econômicos e demográficos. Em seguida, analisamos as especificidades da urbanização no eixo São Paulo-Campinas nos aspectos de crescente conurbação dos municípios pela extensão da ocupação urbana, os deslocamentos pendulares e a segregação urbana. Continuamos com a análise dos grandes projetos urbanos no eixo São Paulo-Campinas: loteamentos fechados; indústrias; centros de distribuição e condomínios empresariais.
Rede de transporte de massa e espaço urbano: um ensaio de traçado para São Paulo à luz das experiências de Londres e Paris
Vende-se qualidade de vida: Alphaville Barueri - implantação e consolidação de uma cidade privada
Entraves do planejamento urbano no Brasil: dos planos de desenvolvimento integrado à fragmentação das políticas urbanas na RMSP
Este trabalho procura analisar as particularidades do processo urbano no contexto do desenvolvimento do modo de produção capitalista brasileiro, destacando, sobretudo, os aspectos do planejamento urbano na Região Metropolitana de São Paulo. A relação do Estado junto aos mecanismos de acumulação capitalista é determinante e justifica o presente estágio de precariedade observado nas aglomerações urbanas brasileiras. Tratase de uma sociedade capitalista onde a acumulação entravada serve de base material para assegurar as formas de reprodução social, que impede o pleno desenvolvimento das forças produtivas, bem como das condições da vida urbana. O período desse estudo tem como enfoque as décadas de 1960 e 1970, quando são intensificadas as atividades de planejamento no país e novos elementos são inseridos para a organização das metrópoles, como a elaboração dos planos centralizados e integrados. Porém, mantidos somente no plano discursivo, logo fracassaram. Com o avanço da ideologia neoliberal, a partir da década de 1990, instituições metropolitanas sofreram um progressivo esvaziamento programático e privilegiou-se um modelo de planejamento urbano fragmentado e "despolitizado". É possível observar, portanto, que as aglomerações urbanas se organizam em função das necessidades intrínsecas do modo de produção capitalista no Brasil e suas particularidades, e que evidenciam as tensões sociais constitutivas da metrópole de uma sociedade de elite. O processo de transformação dessa perspectiva depende da própria transformação da sociedade, no sentido de criar as condições necessárias para instituição de mecanismos capazes de romper com os entraves que prejudicam seu pleno desenvolvimento.
O canteiro é o banheiro, o desenho é a obra
A presente pesquisa objetiva analisar a Política Pública de Urbanização de Favelas, em Santo André, através das práticas e procedimentos adotados na urbanização no Núcleo Capuava e da inserção desta política junto à outras políticas públicas transversais implementadas no período de 1997 a 2007. A partir da reflexão sobre os problemas enfrentados no processo de urbanização verificamos como o projeto de urbanização pode ser alterado nos processos de canteiro e desenho, alterando também os processos de gestão de contratos, medições e prestação de contas do município. Até que ponto a política de urbanização, ao promover a diferenciação do espaço urbano através da implantação de infraestrutura em certas regiões e não em outras, não está reconstruindo também a estrutura de poder. Procuramos analisar se a afirmação da política habitacional de urbanização reitera a apropriação do espaço da cidade, de forma desigual, ressaltando a forma como a riqueza é produzida na cidade mantendo o modo como frações de classe (mais alta renda) controlam a produção do espaço através do domínio do mercado imobiliário, da ideologia e do Estado.
A guerra dos lugares nas ocupações de edifícios abandonados do centro de São Paulo
As áreas centrais das aglomerações urbanas contemporâneas são peças-chave para análise e compreensão dos inúmeros conflitos sociais constituintes da sociedade capitalista atual. O centro da cidade de São Paulo, apesar de dotado de uma complexa rede de infra-estrutura e serviços, encontra-se subutilizado, perfurado por uma infinidade de vazios. São milhares de imóveis desocupados na área central da cidade. As classes sociais menos favorecidas ocupam as ruínas desses edifícios abandonados numa operação de reconquista do espaço urbano do qual são constantemente excluídas, num processo de reivindicação da cidade. No entanto, a propriedade permanece protegida pelo Estado, e seus ocupantes são despejados através de ações de reintegração de posse. A observação de todos esses deslocamentos de forças demonstra, segundo Arantes Neto, uma série de territórios interpenetrados em confronto, que constituem no espaço urbano uma Guerra dos Lugares1. A partir desse conceito, pretende-se compreender como os espaços urbanos residuais centrais são gerados, quem os ocupa, de que forma são ocupados, e como acontece sua posterior desarticulação. Para o desenvolvimento da pesquisa foi delimitado como recorte analítico quatro ocupações de edifícios abandonados localizadas no bairro da Luz, centro da cidade de São Paulo: Ed. Plínio Ramos, Ed. Prestes Maia, Ed. Paula Souza e Ed. São Vito.
Chicago; São Paulo: contribuição ao estudo do transporte coletivo no processo de urbanização
A percepção de diferenças acentuadas entre os padrões de urbanização de cidades aparentemente comparáveis no contexto da economia de mercado levanta questões, e demanda interpretação. A pesquisa que embasa a dissertação surgiu de indagação dessa natureza, motivada por uma viagem a Chicago. O confronto inevitável da qualidade urbana e, em particular, da excelência do serviço de transporte daquele pólo econômico norte-americano com os quadros correspondentes de São Paulo, importante centro de produção nacional, conduziu à busca de uma razão, não para a diferença em si entre os respectivos espaços, mas para os fatores que a produzem, a validam e a sustentam ao longo do tempo. A proposição orientou a pesquisa para a história da produção do espaço americano, no processo de conquista de seu regime autônomo de acumulação, colocando Chicago simultaneamente como foco e eixo ordenador de seu desenvolvimento. A dissertação foi organizada em quatro partes. A Introdução apresenta o tema, e aponta seus contornos teóricos. O Capítulo I acompanha a formação de Chicago no quadro da constituição do espaço nacional americano. O Capítulo II descreve o serviço de transporte daquela cidade, destacando a maciça presença do Estado americano em sua provisão. A Conclusão retoma os temas principais da pesquisa para refleti-los no contexto da região metropolitana de São Paulo.