Antropologia
As Ruínas e as Torres: transitando entre os edifícios do Recife
Fruto do trabalho de campo realizado para a disciplina de Sociologia da Fotografia e da Imagem, ministrada em 2019 na graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco pelo Prof. Jorge Ventura de Morais, o presente ensaio fotográfico buscou realizar um trajeto partindo do centro histórico em direção à zona sul recifense, enfatizando no caminho os edifícios e a relação deles com o entorno em que se inserem. Ainda que as fotos 2, 6 e 9 tenham surgiram antes do processo de campo, elas entraram na narrativa visual final devido à adequação temática. Tais fotografias foram registradas anteriormente como maneira de trazer em imagens incômodos pessoais constantes acerca da paisagem do Recife, com isso remetendo ao processo intitulado pelo Milton Guran (1997) da fotografia para descobrir e fotografia para contar.
Cultivando Cultura
Realizei meu trabalho de campo durante o mestrado em Antropologia no Museu Nacional em 2016, acompanhando três indígenas que participaram de uma horta comunitária no Complexo do São Carlos, um conjunto de favelas no centro do Rio de Janeiro. Os três indígenas são Niara, filha de pais Cariri Xocó e Fulni-ô, Iracema, Pankararu e Dauá, Puri. Os três são moradores da Aldeia Vertical, um dos prédios do conjunto habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida, que é somente habitado por indígenas, e fica bem em frente a horta do São Carlos.
A morte, os cantos e os yãmĩyxop
Mobilizações feministas na internet e a formação de redes de solidariedade online
Este artigo pretende analisar o aparecimento de grupos feministas na internet e a sua importância para o debate na constituição de redes sociais de mulheres. Intenciona-se discutir a respeito das possibilidades de ativismos no digital, entendendo as particularidades dessa mídia e de como os processos de sociabilidade e de produção de subjetividade ocorrem. Assim, através de três sites, Think Olga, Blogueiras Negras e Revista Azmina, busco compreender a maneira pela qual esses grupos se mobilizam com suas pautas específicas. Cada um deles, interagindo e articulando com pessoas de diversos lugares do Brasil que se identificam ou se opõem a esses sites, produzindo arenas discursivas onde são circulados contradiscursos à esfera pública hegemônica. Por fim, procura-se entender como a internet tornou-se um espaço de atuação de jovens feministas na produção de subjetividades a partir desses discursos.
Cultura e urbanidade no Centro Histórico de Manaus: um estudo espacial e sensorial
O presente artigo pretende abordar uma área do Centro Histórico da cidade de Manaus à luz de duas estratégias de análise urbana, a de Gordon Cullen (2008) e de Kevin Lynch (1960). A intenção é penetrar nas várias camadas que compõem esse espaço, escolhido e delimitado previamente, a partir das perspectivas urbanística e sensorial. Dessa forma, foi selecionada uma área que se considera englobar as várias facetas do Centro Histórico manauara, que pudesse nos guiar nesse percurso como flâneur, em busca de uma apreensão do ambiente construído, suas reverberações e sua legibilidade. O objetivo final é observar as nuances desse espaço, o que ele nos comunica e o que é possível apreender dele dentro da esfera da sensibilidade humana.
Uma trajetória imagética: a construção de uma Pastora Trans
Neste artigo propomos analisar através de imagens a trajetória de Alexya Salvador, que se iconiza como a primeira pastora transgênero latino-americana, vinculada à Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo (ICM) e segue em ato, como candidata a vereadora na cidade de São Paulo, encarnando publicamente a bancada evangélica de esquerda. Pretendemos refletir sobre o modo como ao longo de uma década os meios de comunicação digitais, televisivos e escritos contaram a trajetória biográfica de Alexya e de sua família através de imagens. Pensaremos duas questões principais: em primeiro lugar, a relação entre biografia e ciências sociais; em segundo lugar, a trajetória pública de Alexya Salvador e os reflexos que a circulação de imagens tiveram na constituição de sua pessoa-personagem.
Homenagens públicas e estado: reflexões etnográficas a partir de dois legislativos municipais.
O artigo tem por objetivo produzir uma reflexão etnográfica sobre as homenagens públicas e os processos simbólicos produzidos pelo estado. Nesse sentido, discutiu-se brevemente a concessão de horarias, medalhas e denominação de logradouros públicos de dois legislativos municipais, Rio de Janeiro e São Paulo, contando com alguns poucos exemplos e considerando seu papel na formulação de memórias, histórias e identidades públicas. A partir de leituras de antropologia do estado, refletiu-se sobre como esses processos tentam construir uma percepção de perenidade e tradição, escondendo seus aspectos transitórios e de disputa. Tais elementos podem ajudar a produzir reflexões acerca do funcionamento mais geral de mecanismos estatais.
Negritudes entre o pacífico e o atlântico: um estudo sobre as representações de afroperuanidad no Rio de Janeiro
Dividido em duas partes, o presente artigo tem como objetivo analisar as formas de representação sobre a afroperuanidad no contexto migratório do Brasil, compreendendo como os imigrantes peruanos entendem a negritude e como eles negociam seus significados – hegemônicos e contra-hegemônicos - na sociedade acolhida, a cidade do Rio de Janeiro. Tendo como ponto de partida a premissa de que as reproduções da negritude e as identidades raciais não são essenciais, mas elaboradas de forma relacional, contextual e diaspórica, este trabalho analisará em que medida o deslocamento para fora das fronteiras nacionais do Peru continua a vigorar como um elemento relevante para a elaboração de representações do negro de origem peruana.
Corpos em Cena: Masculinidades e Sobrevivências de Homens de Rua no Limite do Humano
Neste artigo, os corpos dos moradores de rua são pensados como última instância entre a vida e a morte no perambular pela cidade. Eles forjam estilos de masculinidades negociadas e animalizadas que acionadas em suas sociabilidades dão suporte às suas sobrevivências. A etnografia realizada na Praça do Ferreira-Fortaleza/CE e Centro POP analisa como o corpo dos michês da Ferreira se articulam no limite entre o humano, o não humano e o inumano. Narrado em cenas etnográficas, o artigo busca outro olhar para a valoração da aversão e repulsa aos corpos dos moradores de rua.