O processo de expansão periférica verificado nas metrópoles brasileiras suscita questionamentos em relação a problemas fundamentais, como o da segregação espacial da população pelo território, a perda da qualidade ambiental e o desmonte da paisagem original encontrada nestas áreas. A qualidade de vida da população que habita as regiões mais distantes das áreas centrais apresenta-se hoje nitidamente insatisfatória. Milhares de famílias são anualmente transferidas para Conjuntos Habitacionais de grande porte, construídos nestas regiões periféricas, pouco dotadas da infra-estrutura mínima necessária. A difícil adaptação a estes locais decorre não apenas em virtude dos empecilhos impostos pelo isolamento que estes Conjuntos apresentam em relação ao restante da cidade, mas, sobretudo, devido à perda de referenciais que estas famílias possuíam com o local de origem. Como resultado imediato, tem-se a falta de identificação, por parte da população, com estes "aglomerados habitacionais", onde o meio natural passa despercebido, tanto aos olhos dos agentes promotores destes empreendimentos, quanto dos futuros moradores destes locais. Reconhecendo a complexidade desta problemática, o presente trabalho tem como objetivo fornecer alguns subsídios para a discussão deste tema. Enfocando a região do Jaraguá, riquíssima em diversidade paisagística e ambiental e considerada como um dos principais vetores de expansão e adensamento da capital nas duas últimas décadas, pretende-se, através de uma reflexão sobre os fatores que influenciaram e continuam colaborando para o processo de fragmentação daquela paisagem, efetuar uma crítica à situação encontrada, apresentando parâmetros que estimulem uma discussão a respeito da necessidade da elaboração de um planejamento para aquela paisagem. Segundo a visão adotada, onde o local influencia e até mesmo determina o global, avalia-se a contribuição que um projeto participativo para a elaboração, gestão e uso dos espaços livres coletivos encontrados na área de estudo teria, visando a recomposição da paisagem e a conexão de tecidos secionados, unido não apenas fragmentos do meio físico, mas principalmente, pessoas e Comunidades, conferindo, desta forma, um novo sentido para o lugar.