A moradia urbana, no contexto da sociedade paulista do século XIX, foi objeto de significativas transformações. Herdeira de arraigado apego ao morar colonial, com programas de necessidades satisfeito entre grossas paredes de taipa de pilão, essa indolente São Paulo despertaria ao longo dessa centútia com a arruaça dos acadêmicos de direito, ao sabor da riqueza proporcionada pelo café, com o apito do trem e pelo ruído da nascente indústria. Com o café, os imigrantes. E com os estrangeiros, uma nova vida para a cidade. e uma nova maneira de construir e morar. Desse confronto entre a sociedade local e os imigrantes surge uma outra arquitetura, a partir da antiga solução de habitar, mesclando-se com novos partidos condicionados a novos programas de necesidades decorrentes da riqueza cafeeira e da indústria. Materiais novos, sistemas construtivos novos, soluções "modernas" em contraposição às tradicionais, trazidas tanto por eruditos arquitetos como por humildes mestre-de-obra italianos. são transformações simbolizadas na alvenaria de tijolos introduzida pelos imigrantes. Tijolos que construíram tanto a casa do rico burguês como a discriminada moradia operária, levantada longe da cidade, como ordenavam os regulamentos da época. Da contribuição dos estrangeiros surge também o Ecletismo na arquitetura, praticado, entre os profissionais de formação erudita, por Samuel das Neves, domiziano Rossi, victos Dubugras, e sobretudo, Ramos de Azevedo, responsável pelo maior escritório de arquitetura e construção da alta burguesia paulista na passgem do século. De sua firma surgiria o defensor de uma derivação do Ecletismo com pretensões nacionalistas, o "estilo colonial" ou o neocolonial", bandeira do português Rucardo Severo, solução amplamente empregada nas construções realizadas principalmente após a I Grande Guerra. Deste momento em diante constata-se o surgimento de uma outra arquitetura, associada à classe média, uma interpretação de elementos semânticos do Ecletismo como evidente filiação ao "neocolonial" que, por falta de outra denominação mais apropriada, será chamada de "neocolonial simplificada", praticada nos anos 20 e 30. Ao final desta década, vulgariza-se o concreto armado, difunde-se o artdéco. Defraga-se o movimento moderno na arquitetura.