A "Reinvenção" da favela. Urbanização de favelas na era da informação: O caso do Rio de Janeiro
A crise do fordismo, ocorrida na segunda metade do século XX, impulsionou a atual fase do capitalismo financeiro baseada na disseminação da ideia de globalização, justificada por avanços tecnológicos e científicos, e no fortalecimento do paradigma neoliberal. Essas transformações geram impactos no sistema de planejamento urbano das grandes cidades, fazendo despontar o novo modelo de planejamento estratégico apoiado na competitividade global entre cidades por investimentos e recursos através da consolidação de uma imagem forte e atrativa. Esse capitalismo contemporâneo, ao encarar elementos culturais como potenciais produtos autênticos e exclusivos vinculados a uma determinado lugar, cria formas de renda de monopólio exploradas como possibilidades estratégicas pelo novo modelo de planejamento. A cidade do Rio de Janeiro, para se tornar competitiva, investe no fortalecimento de uma identidade distinta. As favelas cariocas sempre fizeram parte de um imaginário, antes relacionado ao sujo, feio, pobre e, portanto, indesejável. Hoje elas são "aceitas" como parte do patrimônio carioca e são representadas como guetos de uma cultura própria e, portanto, valorizada, além de abrigarem a pobreza urbana, o tráfico de drogas e a violência, elementos recorrentes na concepção de um cenário do Terceiro Mundo. Portanto, a favela é autêntica e original. Logo, é passível de ser mercantilizada. O objetivo deste trabalho é analisar o impacto dos grande equipamentos de mobilidade urbana instalados em três favelas cariocas na consolidação de um mercado turístico alternativo e adequado à transformação da favela em elemento cultural e à concepção de uma imagem globalmente robusta da cidade do Rio de Janeiro.