Pobreza e desigualdade
Escola internacional, educação nacional : a gênese do espaço de escolas internacionais de São Paulo
Esta pesquisa aborda uma das dimensões do processo de expansão do segmento privado de ensino no Brasil, e, particularmente, as condições de estruturação
da oferta de escolarização internacional. Para tanto, o estudo focaliza um mercado escolar concreto, o de escolas internacionais da cidade de São Paulo, e examina a gênese
desse espaço escolar, tributário tanto das transformações na estrutura social da cidade, associadas ao crescimento econômico e à industrialização, como das diferentes modalidades
de relação com outros estados nacionais, entre 1880 e 1945. Inicialmente, a análise revela os esforços de determinados grupos de estrangeiros para criar escolas de alto nível
para seus filhos. Utilizadas por grupos em franca ascensão material, tais escolas permitiram a acumulação estratégica do capital simbólico necessário às lutas por diferenciação
e inserção mais qualificada e legítima na sociedade brasileira. Em seguida, focaliza-se as alianças implementadas entre frações das elites brasileiras, intelectuais franceses
e governo francês que, frente à ameaça de concorrência representada pelos grupos imigrantes em ascensão e suas escolas de alto nível, investiram recursos econômicos e simbólicos
na fundação de um liceu francês em São Paulo, destinado à formação de futuros dirigentes.A criação desse liceu aparece como um passo importante no processo de construção da
nacionalidade e seu estudo vincula processos de emergência e consolidação dos Estados Nação às lutas pela definição de uma cultura nacional, mostrando o lugar privilegiado
ocupado pela escola nesses processos.
O negro na educação superior : perspectivas das ações afirmativas
A presente pesquisa objetiva avaliar a presença do negro na universidade e as medidas governamentais propostas, tendo em vista ampliar o número de negros na educação superior. A pesquisa foi desenvolvida na PUC-Campinas, valendo-se de questionários aplicados aos acadêmicos do Programa de Pós- Graduação e dos cursos de
Especialização e Graduação da Faculdade de Educação. Foram sujeitos da pesquisa 331 alunos os quais opinaram sobre ação afirmativa, cota, democracia racial, fornecendo dados quanto ao trabalho, aos cursos freqüentados anteriormente, à renda familiar e auto declaração quanto à cor, a fim de mapear-se o número de alunos negros na Faculdade de Educação.
Como resultado, obtiveram-se estes dados: a faculdade de educação é freqüentada por uma maioria feminina e branca e o total de negros (a soma daqueles que se auto declararam de cor preta ou de cor parda) é de 61 alunos. Brancos e negros declararam a inoperância das cotas e questionaram as ações afirmativas dirigidas ao negro por julgarem a medida
discriminatória
Curriculo em tempos plurais : uma experiencia no ensino medio
Este trabalho é resultado de pesquisa realizada durante os anos de 2001 e 2002 no ensino médio da Escola Estadual Jardim Amanda II na cidade de Hortolândia
(SP), localizada em um bairro populoso e marcado por problemas sociais característicos das periferias dos grandes centros urbanos. O objetivo deste estudo é elucidar o currículo
que tem se efetivado no cotidiano dessa instituição, confrontando-o com os documentos curriculares oficiais e com questões contemporâneas tais como as problemáticas do sujeito
e da diversidade cultural. O trabalho investigativo fundamentou-se na concepção metodológica da História Oral utilizando diferentes instrumentos de pesquisa tais como: observação;
entrevista com professores (3 homens e 4 mulheres), membros da equipe gestora (2 homens ¿ ex-diretor e coordenador ¿ e 3 mulheres ¿ diretora, vice-diretora e coordenadora),
uma funcionária, 13 alunos (8 garotos e 5 garotas) e um membro da comunidade; além da aplicação de 45 questionários contemplando todos os docentes do ensino médio daquela
escola. Como estratégia de aproximação com os alunos e de apreensão de sua visão acerca da realidade estudada, foi constituído um grupo de 13 jovens que fotografaram livremente
a escola trazendo à tona temáticas significativas para a realização deste trabalho. Verificou-se que as atuais políticas curriculares brasileiras estão comprometidas com um
projeto conservador de sociedade e que têm, de certo modo, junto à precariedade de condições físicas e materiais da escola e a deficiente formação dos professores, contribuído
para reforçar uma situação de simplificação e superficialização do conhecimento científico veiculado na escola. No entanto, apesar das dificuldades e limitações, constatou-se
algumas iniciativas de docentes no sentido de superar esse quadro de crise vivido pela instituição pública de ensino, bem como a luta da população em defesa da escola pública
e de qualidade.
Programa de aprimoramento profissional para saude : qualificação de assistentes sociais
Esta tese analisa o processo de implantação e expansão do Programa de Aprimoramento em Serviço Social na UNICAMP em dupla dimensão: sua inscrição no
Programa mais amplo do Estado de São Paulo relacionada à política de saúde e as experiências das alunas profissionais que o realizaram, com inserção no mercado de trabalho.
O recorte de espaço/tempo foi definido pelo Aprimoramento em Serviço Social do Hospital de Clínicas da UNICAMP no período de 1994/2001, com os sujeitos que vivenciaram o processo.
A pesquisa desenvolveu-se a partir de fontes documentais e bibliográficas, tendo como base empírica aplicação de questionários junto às alunas do período citado e com depoimentos
de fonte oral gravados. Os resultados indicam ampliação dos cursos e aumento da demanda por esses profissionais na saúde a partir daimplantação do SUS- Sistema ®ico de Saúde.
As trajetórias sociais expressam experiências de mulheres que buscaram na profissionalização e qualificação uma forma de mobilidade social ascendente
Conte comigo: a migração abrindo portas: migração interna, redes de suporte social e vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Campinas
Não é de hoje que diversos estudos se propõem a analisar o processo migratório a partir da perspectiva das redes sociais. Para tanto, tais estudos basicamente investigam tanto os efeitos que elas possuem no direcionamento do fluxo populacional, quanto as possíveis mitigações dos riscos e custos inerentes ao processo e, consequentemente, a provável maior facilidade de integração do recém-aportado migrante às regiões de destino. Contudo, não é este necessariamente o objetivo final e geral do presente estudo, senão o contrário. Interessa-nos observar o caminho inverso, ou seja, quais os impactos nas redes sociais derivados do próprio ato de migrar? Considerando que a resposta a essa pergunta seria algo relativamente simples de se verificar, sugerimos uma nova indagação: que efeitos (benefícios ou não) são ocasionados por prováveis modificações à estrutura das redes sociais dos envolvidos pós-migração? A partir daí, duas novas dimensões são aqui abarcadas: além das alterações experienciadas pelo componente formal das redes sociais (sua estrutura), há ainda transformações no seu componente substantivo, ou seja, no capital social derivado desta mesma estrutura de relações sociais, bem como das possibilidades de transformações sociais mais gerais (suas vantagens ou limitações). Como ilustração desse último domínio toma-se como conceito operativo o de vulnerabilidade social. Em suma, interessa observar de que maneira as alterações tanto de forma (mais ou menos contatos e quem eles são), assim como de conteúdo (qualidade dos recursos por eles disponibilizados) das redes sociais de migrantes podem ter sido responsáveis, pós-migração, por uma determinada condição/situação de vulnerabilidade social ou pela superação por parte daqueles nela envolvidos. Para tanto, é realizado um estudo acerca da Região Metropolitana de Campinas (RMC) com base nos dados de uma pesquisa domiciliar realizada em 2007, realizamos um estudo da Região Metropolitana de Campinas (RMC), promovendo um levantamento quantitativo e qualitativo. No primeiro, oferecemos um grande detalhamento sobre a mobilidade da população na região, bem como informações interessantes para a análise de vários elementos relativos à atuação das redes sociais no processo migratório e algumas formas de capital social de que dispõem as pessoas e famílias. No segundo, aspectos qualitativos foram verificados através da aplicação do software EGONET, de autoria da Universidad Autónoma de Barcelona (UAB)
Urbanização e saúde da população : o caso da dengue em Caraguatatuba (SP)
Buscou-se compreender neste estudo as possíveis inter-relações entre, por um lado, a distribuição dos serviços de saneamento ambiental que caracterizam a urbanização (água, esgoto e resíduos sólidos) e as características sociodemográficas da população residente e, por outro, a dispersão espacial da dengue no nível intramunicipal. Utilizou-se como objeto de estudos o município de Caraguatatuba, no litoral norte do estado de São Paulo, Brasil, no ano de 2013. MÉTODOS ¿ Foram aplicadas as seguintes metodologias: i) distribuição dos dados do universo do Censo Demográfico de 2010 (IBGE) em uma grade regular; ii) análise de cluster; iii) aplicação do Índice de Moran; iv) pesquisa de campo e v) realização de uma Regressão Binomial Negativa Inflacionada de Zeros (ZINB). RESULTADOS ¿ A análise de cluster apontou a existência da relação entre baixa cobertura de saneamento ambiental e alta taxa de incidência de dengue para 10% das sub-áreas analisadas neste estudo. A regressão, por sua vez, mostrou que, entre os fatores de risco, o fato de se estar a 300 metros de proximidade de um ponto estratégico (ferros velhos, borracharias, depósitos de materiais recicláveis, etc.) aumenta em 67% a taxa de incidência de dengue. Além disso, o aumento de 1% da proporção de domicílios com renda per capita até 3 salários mínimos faz aumentar em 71 vezes a taxa de incidência de dengue, enquanto o acréscimo em 1% da proporção de pessoas não brancas contribui para o incremento de mais de 4 vezes nessa taxa. Por outro lado, enquanto fator de proteção, constata-se que o aumento de 1% na proporção de domicílios não próprios, com destaque para os domicílios alugados, reduz em 92% a taxa de incidência de cada sub-área de estudos. Verifica-se, assim, que o fator mais fortemente associado à taxa de incidência de dengue foi proporção de domicílios com renda per capita até 3 salários mínimos. CONCLUSÃO ¿ Além da questão do saneamento, foi possível observar ao longo desta dissertação o papel das características sociodemográficas dos grupos populacionais no interior do município de Caraguatatuba que estão associadas com espalhamento e a intensidade da doença no território. Concluiu-se que a dengue possui um conjunto múltiplo de fatores relacionados com a incidência de epidemias e que apresenta um condicionamento social, ao passo que esta doença tem maior chance de atingir grupos populacionais com características específicas, notadamente aqueles em piores condições socioeconômicas
Child Health in an Urban Context: riskfactors in a squatter settlement of Rio de Janeiro (Rocinha)
A population survey focusing on mothers and children under the age of five was undertaken in Rio de Janeiro's largest squatter settlement - the favela of Rocinha. The aims of the study were: 1. To describe the socio-economic, demographic and health patterns of a well established, inner city squatter settlement of a Brazilian metropolis. 2. To verify if and to what extent there are intra-community health differentials. 3. To identify the risk factors for child health in a squatter settlement context. Special emphasis was given to: 2.1. The migration characteristics of the mother and whether these are direct or indirect risk factors to child health. 2.2. Whether socio-economic indicators were risk factors for child health in conjunction with or as an alternative to migration status. A two stage random sample was carried out. First, ten out of thirty areas comprising Rocinha were selected and screened for mothers and children. ■ Subsequently, a sub-sample of mothers and children were randomly selected for in-depth evaluation. The final sample size was 620 children. A partly structured and partly unstructured questionnaire was applied to the mothers, and the children were weighed and measured. In addition, unstructured information was also collected from local leaders and health workers from the area. The tested study model comprises a set of theoretically independent variables and a set of child health outcome indicators. ■ In the first set four areas were focused:1) Socio-economic characteristics such as incomes, household possessions, environmental conditions, and occupations;2) Migration characteristics of the mother such as length of time living in Rocinha, length of experience in Rio de Janeiro, and rural/urban birth;3) Other maternal characteristics such as age, education, marital status, parity, history of child loss in the past through death, and mental health status;4) Children characteristics such as age, gender, birthweights, breastfeeding history, birth intervals, and degree of weekly separation from mother. Regarding the child health indicators, six areas were evaluated: 1) Acute and chronic illnesses; 2) Nutritional status; 3) Accidents; 4) Skin disorders; 5) Vaccination status and6) Pattern of utilisation of health facilities. Although different risk factors were identified in relation to the different outcome indicators a major pattern stood out. None of the studied migration variables showed any association with child health, suggesting that migration status is a poor risk indicator. Conversely, with the exception of accidents, child ill-health or growth deficit were prominently associated with unsatisfactory environmental conditions and low incomes. Besides indicating their relevance as risk factors, these findings demonstrated the presence of an explicit intra-community stratification which is also expressed in terms of health differentials.
Em busca da resiliência: urbanização, ambiente e riscos em Santos (SP)
Neste início de século, a incorporação da questão ambiental na agenda de pesquisas acadêmicas ocorre em velocidade acelerada, através de um debate amplo em termos de temas e abordagens. Nas cidades, a necessidade de respostas frente aos riscos ambientais e as alterações climáticas influenciou a adoção de posturas proativas, indo além da tradição reativa. Uma dessas propostas baseia-se no conceito de resiliência, pensado aqui como um processo que relaciona um conjunto de capacidades de pessoas, comunidadese cidades no enfrentamento de riscos ambientais, de tal modo que esse resulte na minimização do impacto e na geração de adaptação e aumento do bem estar. Nessa análise utilizamos o conceito para avaliar riscos ambientais no município de Santos, localizado na zona costeira do Estado de São Paulo. A pergunta da qual o trabalho parte é: Como dimensões da dinâmica demográfica, urbana e social interagem na promoção da resiliência? A hipótese da tese é que a efetividade da resiliência dependerá da composição desses elementos nos lugares atingidos pelos riscos, em um processo que é contínuo. Para essa discussão a tese está estruturada em cinco capítulos. No primeiro discutimos a importância de um olhar amplo e crítico sobre a adaptação às mudanças climáticas no contexto da urbanização brasileira. O segundo trata do conceito de resiliência e de suas interfaces com a demografia, especificamente, e com as ciências sociais de modo mais amplo. Focalizado na dinâmica da cidade de Santos, o terceiro capítulo traça sua formação histórica e dinâmica recente em termos intraurbanos e regionais. Também são apresentadas as duas localidades específicas do trabalho dentro da cidade: a Orla e a Zona Noroeste de Santos. No quarto capítulo discutimos os resultados observados nos trabalhos de campo feitos nessas duas localidades, ressaltando os discursos apontados. No quinto e último capítulo relacionamos tais discursos, políticas públicas e a dinâmica demográfica observada em dados secundários para compor um quadro que traça as dimensões da resiliência consideradas no trabalho. Os resultados apontaram que são significativas as diferenças nas áreas de estudo em termos da resiliência, sendo que há persistência das condições mais precárias de vida na Zona Noroeste, enquanto na Orla estão concentradas as condições de bem estar. Nos dois casos a resiliência foi condicionada aos elementos da composição demográfica e à promoção de políticas urbanas
Mobilidade cotidiana e acidentes de trânsito em Campinas-SP: Everyday mobility na traffic accidents in Campinas-SP
Os acidentes de trânsito vêm sendo estudados por pesquisadores e técnicos de diversas áreas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,24 milhão de pessoas morrem a cada ano vítimas de acidentes de trânsito. Em 2011, mais de 43 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes de transporte terrestre no Brasil, o que corresponde a 22,4 óbitos por 100 mil habitantes. Muitos fatores são apontados como causas desse tipo de ocorrência: ausência de leis adequadas e/ou de fiscalização, uso de álcool por motoristas e motociclistas, uso de celular ao volante, falhas no processo de formação dos condutores, falta de atenção ou de respeito para com os demais usuários da via pública, problemas relacionados à infraestrutura ou ao funcionamento do veículo, demora ou deficiência no atendimento às vítimas. Sem negar a importância destes fatores, o objetivo deste estudo foi avaliar como a exposição ao risco de acidentes pode ser potencializada pelas condições de mobilidade dos indivíduos que, por sua vez e, em grande medida, está condicionada pela segregação espacial urbana. Para isso, a pesquisa parte de uma revisão sobre alguns conceitos e definições dados pela literatura nas áreas de geografia, sociologia, antropologia e engenharia de tráfego, além da demografia. Em seguida, é apresentada a análise empírica construída com as seguintes fontes dados: acidentes fatais e não fatais em vias públicas municipais ocorridos no município de Campinas (SP) no ano de 2009, compilados pela EMDEC/Setransp e com informações coletadas especialmente para esta pesquisa; dados do Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e dados da Pesquisa Origem e Destino 2011, realizada pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM). A partir do georreferenciamento dos locais de residência das vítimas, são calculadas taxas de vitimização por
Áreas de Ponderação e por zonas da Pesquisa Origem e Destino (O/D). As taxas de vitimização são confrontadas com informações socioeconômicas, demográficas e de mobilidade através de análises de correlação. Embora as conclusões não possam ser inferidas para o nível individual, observa-se que em áreas com maiores percentuais de pessoas com baixa renda há menor posse de meios próprios de transporte e menores taxas de acidentes. A condição que "propicia" a vitimização é intermediária. Talvez porque essas pessoas tenham condições de escolher como realizarão sua mobilidade e a escolha da moto seja sempre uma escolha arriscada. Talvez porque elas tenham um emprego, mas não tenham condições de morar perto deste emprego, o que as obriga a realizar os deslocamentos de maneira insegura. Aqueles com as piores condições socioeconômicas e, consequentemente, com pouquíssimas oportunidades de mobilidade cotidiana, não estão expostos ao risco de acidentalidade De outro lado, aqueles que se localizam no outro extremo na pirâmide social tem possibilidades de escolhas quanto à intensidade e formas seguras de se locomoverem para realização das atividades cotidianas. Entretanto, nenhum dos dois extremos mostra um "ideal" de mobilidade ou de segurança no trânsito, apenas reforçam o uso desigual das vias públicas, onde quem pode se desloca muitas vezes e com segurança e quem não pode se desloca pouco e, quando tem condições econômicas mínimas, o faz com pouca segurança