Entrevistas e visitas: perspectivas do CadÚnico em São Carlos
O Cadastro Único do Governo Federal é uma ferramenta criada no ano de 2001, a partir da junção de bancos de dados de diversos programas sociais com o objetivo de subsidiar a formulação e a implementação de políticas públicas voltadas para a população em situação de pobreza e extrema pobreza. Uma de suas principais características é ser um instrumento utilizado pelo Governo Federal que possui gestão municipalizada, o que significa que dinâmicas e conflitos locais passam a fazer parte e interferir na maneira como o CadÚnico é implementado. Esta dissertação é fruto de uma pesquisa de campo realizada entre 2011 e 2013 no município de São Carlos, SP e apresenta alguns desdobramentos, continuidades e rupturas após uma alteração no quadro político da cidade, resultado das eleições de 2012. Acompanhei a rotina de entrevistadores, entrevistei gestores e pessoas que trabalharam diretamente nos processos de criação e implementação do cadastro localmente e no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em Brasília. O argumento desta dissertação é que o balcão (ou baias de atendimento) funciona como uma atualização dos “grandes divisores” já amplamente discutidos pela Antropologia. A partir da interação entre beneficiárias e entrevistadores e da análise dos Manuais de Cadastramento, pode-se perceber de maneira privilegiada os modos pelos quais se (re)produzem concepções a respeito de raça, papeis de gênero e a própria definição das fronteiras de setores estatais a partir dos diferentes recortes e possibilidades de se estar posicionado de um lado ou de outro do balcão.