Os albergues dos migrantes no interior do estado de São Paulo: programas de ação social ou políticas de circulação de população?
Este artigo tem por objetivo analisar os programas de Assistência aos Migrantes não apenas para demostrar que estes não atingem o seu objetivo assistencial, mas sobretudo como suas práticas institucionais enquanto políticas de migração isoladas ao nível municipal criaram uma rede de controle sem saídas que disciplina e circunscreve um fluxo migratório “que não tem mais origem nem destino, que é fluir permanente, circulação interminável” (Vainer, 1987:24); ao mesm o tempo, definem as possibilidades de circulação em tempos e espaços urbanos bem demarcados nas cidades do Interior Paulista.
Esta nova forma de mobilidade espacial é induzida e perpetuada pelas ações municipais a partir de mecanismos de controle que desterritorializando os migrantes acaba por reforçar o poder de instituições - os albergues - que passam a existir exclusivamente para administrar os efeitos produzidos pela sua própria ação, ou seja a circulação permanente dos itinerantes. Como resultado deste processo tem-se que estes migrantes, longe da liberdade de ir e vir, permanecem constantemente em movimento, paradoxalmente em lugar nenhum, mas concomitantemente em todos os lugares.