Várias são as formas de representar uma cidade: desenhos, fotografias, projetos, plantas, relatos. Todas essas escritas são a cidade e não são ao mesmo tempo. A cidade é um organismo em constante transmutação. Focar um período é fazer uma operação intelectual onde o que importa são as relações estabelecidas entre quem direciona o olhar e o objeto em questão. Nenhuma explicação racional para a escolha. Quando comecei esse trabalho, não imaginava as constantes mudanças que ocorreriam. Passaram pelos meus olhos Rino Levi, as galerias comerciais do Centro de São Paulo, os edifícios galeria que existem tanto no centro, quanto na Av. Paulista, os planos urbanos da década de 1950, a comparação entre década de 1950 e década de 1990. O que permaneceu imutável é a cidade de São Paulo na década de 1950. Pelo levantamento bibliográfico percebe-se a quantidade de publicações sobre o período. E depois de tanto tempo debruçado sobre esta cidade e sobre este período, o que ficou da pesquisa e que acho necessário mostrar é isto: o que sobreviveu no imaginário de São Paulo hoje. É como uma grande colcha de retalhos que às vezes carece de uma ordem mais legível. Mas não é o que importa agora, me importa deixar testemunhado com outro discurso. Nem acadêmico, nem popular. Uma forma fragmentada de imagens que se olhadas como uma espécie de roteiro, tudo o que foi aprendido de mestrado, estão representadas. Isto não torna a dissertação um discurso mais moderno, pelo contrário busca através dos fragmentos um sentido para relação de profunda administração pela tentativa de se construir uma cidade moderna. Porém as forças que construíram a cidade e continuavam a construir, oscilavam entre projetos de qualidade e especulação imobiliária. Sim, ao contrário do Rio de Janeiro, onde a arquitetura moderna é patrocinada pelo governo, em São Paulo foi a iniciativa privada que ergueu os mais importantes exemplos de uma arquitetura de extrema qualidade. Rino Levi, Oscar Niemeyer, Abelardo de Souza, David Libeskind desenharam em outra cidade, fincaram marcos, referência. Para outra parcela, moderno é apenas um mote de propaganda: uma cidade moderna que não pára de crescer. Construía-se na periferia e deixavam-se vazios urbanos para que mais tarde recebessem infra-estrutura e se valorizassem. Dizer que a cidade cresceu desgovernada é um lado da moeda. Para além das cópias que se escondiam na experiência do caos, houve planos urbanos, mas nunca unânimes. Ora buscavam soluções para questão do transporte, ora para a legislação, ora pretendiam ser totalizantes. Mas de fato o Plano de Prestes Maia, configurou a cidade, muito próxima do que conhecemos hoje. Vários elementos contribuíram para "dar forma aquilo que era informe". A metróple tornava-se um gigante de 400 anos.