Poder local e gestão urbana
Controle de vida, interseccionalidade e política de empoderamento: as organizações políticas das trabalhadoras domésticas no Brasil
Reestruturação produtiva e regionalização da economia no território fluminense
Fetiche da participação popular: novas práticas de planejamento, gestão e governança democrática no Recife – Brasil
Racism, democracy, and civil society in Brazil: comparing non-governmental organizations with neighborhood associations in the state of Bahia
Globalização e desigualdade
A relação globalização-desigualdade é o foco desta coletânea de quinze artigos, que abordam políticas públicas, habitação, meio-ambiente, poder local e outras questões de relevo, sempre tendo o vista o tema geral da relação entre globalização e desigualdade. Parte-se do princípio de que a globalização está, de diversas formas, relacionada à seletiva anulação ou diminuição de barreiras entre os países em suas relações políticas, econômicas e culturais. Mas, da forma como está estruturada, tal seletividade tem sido detrimental do pleno desenvolvimento social e, em diversos campos, causadora de desigualdades sociais e regionais tanto entre os países mais e menos desenvolvidos como internamente em cada país. A partir disso, os autores analisam os impactos da globalização em diversas áreas da sociedade brasileira, combinando análises gerais e estudos de caso.
L'héritage du pragmatisme: conflits d'urbanité et épreuves de civisme
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Violência, crime e polícia: o que os favelados dizem quando falam desses temas?
O artigo baseia-se em duas pesquisas em favelas cariocas, especialmente em uma de suas atividades, aproximadamente 50 horas de dinâmica com 15 grupos focais (envolvendo 150 moradores de mais de 40 favelas). Designou-se de “coletivos de confiança” os grupos focais compostos a partir de relacionamento anterior dos participantes com algum dos pesquisadores, capaz de, através do conhecimento pessoal, gerar alguma confiança prévia. Pensada com vistas a minimizar os prováveis efeitos de uma “lei do silêncio” imposta pelos agentes da violência nessas localidades, esta forma de recrutamento demonstrou ter sido adequada. O texto analisa os enunciados colhidos durante os debates, claramente concentrados nas diferentes modalidades de presença e atuação dos bandos de criminosos e das forças policiais nas favelas cariocas. Sustenta que, menos que questionar a violência criminal e policial como um todo, eles expressam intensa preocupação com algumas de suas manifestações, aquelas que impedem o prosseguimento das rotinas diárias. Sem ser diretamente tematizado, este é o horizonte de atenção que organiza todo o discurso crítico “para fora” das favelas, bem como as atitudes e condutas nos locais de moradia. Os autores avançam um pouco mais, argumentando que, em suas descrições e denúncias, os moradores demonstram não lidar da mesma maneira com todas as formas de desestabilização de suas rotinas, evitando homogeneizar os responsáveis. Assim é que, de um lado, a violência deflagrada durante as famosas “operações” policiais e sempre presente na arbitrariedade da conduta regular desses agentes aparece associada ao seu caráter quase totalmente imprevisível. De outro lado, quando se trata da violência envolvida nas práticas dos traficantes, com os quais os moradores são obrigados a compartilhar o mesmo território, há muitos relatos de tentativas (bem e mal/sucedidas) de redução da imprevisibilidade do fluxo da vida local. Isto ocorre por meio do ajustamento das condutas a um cálculo – inviável e/ou ineficaz no caso da ação policial – dos riscos envolvidos nesta convivência forçada. Este, tornando “administrável” uma pequena porção da violência na localidade, permite reabsorvê-la como a parte “extraordinária” das rotinas “ordinárias”.
As mudanças nas formas de representação política dos moradores de favelas: do líder comunitário aos agentes sociais
Vida sob cerco: violência e rotina nas favelas do Rio de Janeiro
Com centenas de depoimentos fornecidos por moradores de favelas cariocas, esta pesquisa expõe a verdadeira dinâmica social envolvendo a violência do tráfico e da polícia e a reação da população diante da existência dessas comunidades carentes. Machado estuda como se fecha o cerco em torno das pessoas que convivem com o medo e com a intolerância de uma maneira muito mais direta do que você pode imaginar.