Poder local e gestão urbana
Em torno da Cracolândia Paulista: apresentação
“O trator passará em cima de sua casa de qualquer maneira”: os mecanismos de gestão populacional agenciados nos processos de remoção de favelas no Rio de Janeiro
O objetivo desta comunicação é apresentar parte da discussão que realizei em minha tese de doutorado, onde abordei o que chamei de reatualização dos discursos e práticas de remoção de favelas no Rio de Janeiro. Neste período, pude observar como os procedimentos estatais se diversificavam e se atualizavam ao longo das interações estabelecidas entre os agentes públicos e os moradores de favelas em situação de remoção. A descrição e análise destes procedimentos permitirão destacar a conformação empiricamente observável de formas de gestão estatal destas populações. Neste sentido, apresentarei dois casos de remoção em que estas tecnologias de gestão puderam ser visualizadas, exatamente nos instantes em que ocorriam.
Perscrutando a Cracolândia: entre gestão dos ilegalismos, modos de governo e focos de resistência
Este artigo apresenta uma discussão crítica dos artigos publicados no Dossiê Em torno da Cracolândia Paulista, Ponto Urbe nº 21, através de um percurso reflexivo sobre a emergência da Cracolândia como um território híbrido, no qual confluem distintos modos de governo, de gestão do território e de pessoas “indesejáveis”, coexistindo e concorrendo com a própria lógica constitutiva desse espaço como territorialidade itinerante e dispersiva do comércio de drogas. O artigo também problematiza, a partir das etnografias apresentadas no Dossiê, um novo governo das cidades, embasado na ideia de um duplo indissociável, a violência policial das intervenções militares sobre o território e a gestão dos corpos vulneráveis pelo cuidado e pela tutela, lógicas que implodem, ao mesmo tempo, a configuração do espaço público e da cidadania, desafiando as formas de resistência e as possíveis configurações do conflito.
Megaeventos, Estado e favelas sem UPPs no Rio de Janeiro: qual legado?
O presente artigo reflete sobre o período de transformações urbanas oriunda dos megaeventos, centrando a análise sobre as concepções que estruturam esse projeto de cidade, as características territoriais desse tipo de gestão, a importância que o Estado e seus agentes tiveram para sua realização e os efeitos para os moradores de favela sem UPP. A partir de uma pesquisa qualitativa realizada em 2016 em uma favela sem UPP na Zona Oeste da cidade, argumento que os megaeventos esportivos são um complexo de relações, discursos, racionalidades e práticas que conformam um projeto de cidade que tem no Estado (e seus agentes) um parceiro fundamental para a sua materialização política. Mesmos que esse empreendimento seja voltado para lugares específicos de interesse do mercado, ele também afeta áreas “outras” que não fazem parte desse complexo, demostrando que o real “legado” dessa política foi a produção de uma cidade ainda mais segregada, estigmatiza e desigual.
Plano Diretor de São Paulo - 1991: avanços e permanências
Propomo-nos a analisar o Plano Diretor do Município de São Paulo de 1991 e suas novas propostas de intervenção urbana. Arrolamos as características do modelo de plano diretor anteriormente vigente às quais se contrapõe, o que permanece e o que caracteriza uma inovação. A análise do Plano Diretor de 1991 levou-nos a estudar a Constituição de 1988 e a obrigatoriedade de Planos Diretores contida em seu art. 182, para verificarmos que outras competências caberiam ao municípios ao gerir a política urbana local. O Plano Diretor, por sua vez, surge na Constituição como uma reação dos defensores do planejamento urbano à Emenda Popular de Reforma Urbana, originária das discussões do MNRU - Movimento Nacional Pela Reforma Urbana. A idéia da Reforma Urbana foi ventilada em 1963 e retomada na década de 80. Os integrantes do MNRU participaram da elaboração das Constituições Estatuais, Leis Orgânicas Municipais e Planos Diretores. Em São Paulo, a obrigatoriedade de Plano Diretor coincide com a eleição de um governo municipal democrático. Apesar de não haver sido aprovado, seu processo de elaboração e seu conteúdo influenciaram a elaboração de planos por todo país, contribuindo na formulação de novos princípios de planejamento urbano, enquanto teoria e prática e de novos conceitos urbanísticos.
Cooperação entre o Poder Público e a Iniciativa Privada: uma relação delicada
A dissertação faz uma análise crítica do Projeto Eixo Sé-Arouche. O referido Projeto foi promovido pela administração municipal de São Paulo, no governo de Luiza Erundina de Souza (1989-1992) e buscou, através da participação da iniciativa privada, a requalificação dos espaços públicos de um eixo viário no coração da área central da cidade de São Paulo. Neste sentido, este trabalho contém uma investigação teórica que informa o conceito de espaço público utilizado na análise do Projeto Eixo-Arouche, bem como a descrição detalhada de seu surgimento e implantação.
Um Arquiteto Investigando o Acesso Público dos Espaços Urbanos da Avenida Paulista
A partir de um levantamento extenso e detalhado contendo fotos, desenhos e mapas da Avenida Paulista, foram relacionados o momento histórico do seu surgimento, as forças econômicas, políticas e mais atuantes, o conceito de espaço urbano público e privado, as necessidades e a participação na vida urbana. Frente a esses dados foi-se delineando um projeto preliminar de desenho, propondo a requalificação e a recuperação de alguns espaços deficitários, estruturado por um programa arquitetônico genérico justificando o caráter e a viabilidade de cada proposta. Dessa forma foi possível a reflexão sobre como um arquiteto se comporta e consolida o projeto arquitetônico nas situações que envolvem o desenho da cidade, o papel dos seus espaços urbanos, sua gerência e observação e os cidadãos que nela convivem.
Remodelação de Bairros Populares em São Paulo e Madrid 1976-1992: projeto e participação popular
O trabalho analisa processos de remodelação de bairros populares em São Paulo e Madrid, no período 1976 e 1992 que pode ser considerado de transição e consolidação democrática no Brasil e na Espanha. Aborda a participação de associações demoradores e do poder público na elaboração dos projetos e execução das obras. Através de estudos-referência e estudos de caso, se estrutura a reflexão teórica e metodológica sobre a transformação de territórios das classes populares e a importância da participação dos moradores nesse processo, ressaltando a experiência paulistana de Heliópolis/São João Clímaco durante a gestão municipal 1989-1992 e os conflitos e potencialidades do trabalho conjunto entre Estado e movimentos sociais urbanos.
A cidade de São Paulo e o desenho de seus espaços em planos e projetos
Esta monografia traduz o resultado de pesquisa feita sobre o desenho de espaços da cidade de São Paulo, através da leitura e análise dos vários planos urbanísticos já elaborados, e que representam momentos de mudança do pensamento urbanístico local, definindo políticas públicas e diretrizes para a ação governamental. Do estudo aprofundado das propostas contidas nos planos, maior atenção foi dada àquelas que reformulavam espaços urbanos, e o significado e efeitos de uma nova conformação ambiental. Além da compreensão da influência de determinada ação urbanística sobre a estrutura da cidade, preconizada nos planos, este estudo procura explicitar em que medida a organização dos espaços urbanos resultaram de uma intenção projetual e quais as possibilidades e limites da disciplina urbanística, que tem como instrumento primeiro o desenho urbano.