Estrutura econômica e mercado de trabalho

Correndo metas: autogestão de uma corporalidade empreendedora

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Cairoli, Valentina Iragola
Sexo
Mulher
Orientador
Leite Junior, Jorge
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Espanhol
Palavras chave
Corredor/a
Qualidade de vida
Subjetividade neoliberal
Dor
Prazer
Resumo

A corrida de rua é um fenômeno que tem se destacado nos contextos urbanos brasileiros, sendo considerada, inclusive, como o segundo esporte mais praticado no ano de 2011. Nesses meandros, o/a corredor/a de rua tem se transformado em uma figura estratégica para refletir a respeito das produções e reproduções corporais e subjetivas da nossa época, marcada por a competitividade e o paradigma da auto superação. Posto isso, os objetivos que orientaram a investigação consistem em a) analisar a produção de determinado tipo de subjetividade característico da prática da corrida de rua, para, enfim, b) refletir sobre os diálogos com um tipo de racionalidade que caracteriza o sujeito neoliberal. Para responder esses objetivos, desenvolvemos uma pesquisa etnográfica em um período de dezoito meses na cidade de São Carlos, interior de São Paulo, na qual buscamos acompanhar dois grupos de corridas de rua, de homens e mulheres caraterizados por diversos níveis de compromissos com a prática. A fim de apresentar os dados resultantes da pesquisa etnográfica e da pesquisa bibliográfica, o texto segue dividido em três seções. Na primeira seção, trabalhamos com a construção de uma estética corporal vinculada à saúde e qualidade de vida com caminhos possíveis de eleição e a construção de uma matriz moral em torno destas dimensões. Já na segunda, focamos na análise dos elementos que permitem uma comparação com a figura teórica do homem-empresa. Enfim, na última seção, abordamos a produção e reprodução da dor e do prazer, assim como os diálogos com o tipo de subjetividade neoliberal.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Carlos
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2017
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5006495

Imbricações entre trabalho decente e população trans: uma análise do programa Transcidadania (2015-2016)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Suarez, Lucy Victoria Ojeda
Sexo
Mulher
Orientador
Martinez, Elias David Morales
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Bernardo do Campo
Programa
Ciências Humanas e Sociais
Instituição
UFABC
Idioma
Português
Palavras chave
Transcidadania
Política Pública
LGBTIQ+
Trans
Transgênero
Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo principal analisar as imbricações entre trabalho decente e população trans, por meio do estudo do programa TransCidadania implementado na cidade de São Paulo nos anos 2015 e 2016. Isso foi possível por meio da discussão teórica dos diferentes entrelaçamentos entre a teoria queer, o direito ao trabalho, o trabalho sexual e as pessoas trans; a identificação das noções de Trabalho Decente e a implementação do conceito dentro das narrativas trans; e a avaliação do programa TransCidadania à luz da teoria do Trabalho Decente. Para cumprir com esses objetivos, foram utilizadas a estratégia de avaliação qualitativa e a perspectiva de observação participante, assim como as abordagens metodológicas de estudo de caso e avaliação de políticas públicas. Durante a revisão bibliográfica do quadro teórico, abordou-se o debate entre essencialismo e construtivismo das identidades trans; a teoria queer decolonial; as tecnologias de poder de Foucault; as teorias do sujeito e performatividade de Butler; as implicações da corporeidade trans na esfera do trabalho em geral; e o trabalho sexual em particular. Também foram estudadas as noções do trabalho decente no que diz respeito à relação com a informalidade, às pessoas LGBTIQ+ e ao trabalho sexual, além de estabelecer as convergências entre os pilares do Trabalho Decente com as narrativas trans. Para assim, no terceiro capítulo, avaliar o projeto do programa TransCidadania a partir da inclusão dos elementos do conceito do trabalho decente no desenho, teorização e estrutura programática dessa política pública municipal. Concluímos que, o programa TransCidadania corresponde enormemente com as recomendações da OIT no que diz respeito à melhora das condições que propiciem o acesso e permanência das pessoas trans em situação de vulnerabilidade ao Trabalho Decente.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6410796

O trabalhador digitalizado: a formação do sujeito neoliberal no setor bancário (2008-2018)

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Santos, Wilson Emanuel Fernandes dos
Sexo
Homem
Orientador
Braga Neto, Ruy Gomes
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Trabalho
Bancários
Bancos
Sindicatos
Relações de trabalho
Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo principal discutir as transformações no trabalho bancário brasileiro no período pós-crise de 2008 até 2018, no contexto da era digital do capitalismo avançado. A estratégia da investigação compreendeu uma observação participante no Banco do Brasil, na cidade de São Paulo/SP, que registrou o cotidiano do trabalho, as ações e reações de apoio ou resistência às novas formas de organização e conteúdos do trabalho, e flagrou um dos maiores processos de reestruturação da história deste banco. Por meio de entrevistas, depoimentos e questionários aplicados a trabalhadores bancários que exercem distintas funções em diferentes bancos e a representantes sindicais de trabalhadores dos principais bancos do país, coletaram-se dados sobre as percepções, as opiniões e os discursos predominantes sobre os temas. O conjunto dos fenômenos estudados e suas singularidades aponta para o que seria um novo momento na trajetória do trabalho bancário. Observou-se que as tecnologias digitais, em especial as mídias sociais digitais, são responsáveis por mudanças agudas no conteúdo, na organização e nas relações do trabalho bancário. Como canais de comunicação, associados à inteligência artificial, elas modificaram a forma da interação entre empresas, trabalhadores e população. No cotidiano do trabalho, o taylorismo persiste sob essa nova base tecnológica e constrói o perfil do bancário vendedor nas plataformas digitais, um “bancário digivendedor”, sobre o qual o controle gerencial a intensificação do fluxo das tarefas e do cumprimento de metas encontram-se agora na própria ferramenta de trabalho. Dois fenômenos principais estão na essência dessas transformações: a ascendência da tecnologia digital como a própria plataforma de trabalho e as reestruturações que causaram uma sensível diminuição do número de postos de trabalho, a partir da adoção de novos modelos de negócios. Em paralelo, a individualização das relações de trabalho emerge nos formatos de contratação precários, na remuneração condicionada ao resultado individual e no afastamento das ações coletivas. A análise dos resultados da pesquisa mostra uma disputa de narrativas, entre o discurso do individualismo meritocrático reproduzido pelos representantes das empresas e que encontra eco em boa parte dos trabalhadores, em contraposição ao discurso do coletivismo classista reproduzido pelos sindicalistas e por outra parcela de trabalhadores. Nessa disputa, prevalece a lógica do indivíduo prestador de serviço independente, o “eu-empresa”, que se sobrepõe ao trabalhador pertencente a uma categoria com relações de trabalho protegidas por garantias típicas da sociedade salariada. O discurso gerencial procura responsabilizar cada trabalhador pelo resultado financeiro da empresa e, no limite, pela própria sobrevivência dela. Essa lógica serve de base para a justificação da individualização das relações de trabalho, que desponta em suas diversas dimensões.

Disciplina
Referência Espacial
Brasil
Habilitado
Referência Temporal
2008-2018
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6442037

O mundo do trabalho e os dilemas da modernização: percursos cruzados da sociologia francesa e brasileira (1950-1960)

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Festi, Ricardo Colturato
Sexo
Homem
Orientador
Antunes, Ricardo Luiz Coltro
Ano de Publicação
2018
Programa
Sociologia
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Centro de Sociologia Industrial e do Trabalho (CESIT)
Modernização
Sociologia do Trabalho
Resumo

A sociologia do trabalho francesa e brasileira foram partes e partícipes de um projeto de disciplina e de um estilo de pesquisa articulados internacionalmente no decorrer das décadas de 1950 e 1960, desenvolvidas sob as tensões e os dilemas das ambiguidades de uma perspectiva, ao mesmo tempo contemplativa e crítica, ao ideário da modernização capitalista. Por meio de um estudo comparativo, pesquisou-se o grupo de sociólogos franceses que trabalharam em torno de Georges Friedmann e Alain Touraine, e um conjunto de acadêmicos como Juarez Brandão Lopes, Azis Simão, Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes entre outros da Universidade de São Paulo. As pesquisas realizadas buscaram refletir acerca dos impactos da industrialização e das transformações técnicas e organizacionais sobre o trabalho e o conjunto da sociedade, destacando suas implicações tanto relacionadas às orientações como às consciências dos sujeitos envolvidos, visto que, naquele momento, acreditava-se que as ciências sociais teriam um papel de destaque na produção de conhecimentos e seriam capazes de instrumentalizar as ações com vista à superação dos elementos atrasados, tradicionais e arcaicos das sociedades.

Este trabalho também analisou as relações acadêmicas e políticas e a constituição de um diálogo intelectual entre franceses e brasileiros, quando, ao longo das décadas de 1950 e 1960, estabeleceu-se uma comunidade acadêmica internacional de ciências sociais com apoio decisivo de organismos internacionais e nacionais, governamentais e intergovernamentais, assim como de fundações filantrópicas e associações acadêmicas. Para a reconstituição dessa relação e uma análise comparativa entre as sociologias francesa e brasileira, efetuou-se um estudo sistemático das principais obras produzidas e uma análise de fontes encontradas em diversos arquivos da França e do Brasil. Em seguida, essas informações recolhidas foram confrontadas com entrevistas e memórias dos personagens envolvidos nesses projetos. Concluiu-se, portanto, que essa geração de sociólogos do trabalho acabou por constituir uma tradição sociológica que ainda repercute nas produções contemporâneas.

Disciplina
Referência Espacial
Brasil
Habilitado
País estrangeiro
França
Referência Temporal
décadas de 1950 e 1960
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6568594

Nas Tramas de Produção e Reprodução: Mulheres Titulares do Programa Bolsa Família no Município de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Lima, Brenda Rolemberg
Sexo
Mulher
Orientador
Silva, Marcia Regina de Lima
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Programa Bolsa Família
Trabalho
Gênero
Pobreza
Resumo

A pesquisa analisa a forma como se articulam as experiências de trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres que compõem a base da pirâmide social e que se encontram na titularidade do Programa Bolsa Família (PBF) no município de São Paulo, no intuito de compreender em que medida o substrato social existente favorece ou desfavorece a superação da pobreza por essas mulheres. Visou-se identificar o cenário no qual se encontram tais mulheres no município de São Paulo e analisar suas trajetórias individuais no que se refere ao trabalho não remunerado desenvolvido no âmbito doméstico-familiar e o trabalho remunerado desenvolvido no mercado de trabalho, bem como a maneira pela qual o Programa Bolsa Família interfere na dinâmica laboral. Para tanto, a pesquisa integrou abordagens metodológicas de naturezas distintas, quantitativa e qualitativa, a fim de tanto captar um panorama geral sobre quem são as mulheres titulares do PBF em São Paulo, como entender o funcionamento da dinâmica existente entre as esferas da produção e da reprodução. A metodologia quantitativa consistiu na análise estatística dos dados do Cadastro Único dos Programas Sociais (CadÚnico) referentes ao universo total de mulheres titulares do PBF na cidade de São Paulo. Por sua vez, a abordagem qualitativa partiu de entrevistas semiestruturadas com quinze mulheres titulares do PBF em três diferentes regiões da capital, com base na técnica dos relatos de vida. Como resultados da metodologia quantitativa, obteve-se um perfil geral de mulheres majoritariamente negras, com média etária superior a 30 anos, com ensino fundamental como maior escolaridade alcançada, inseridas no mercado de trabalho em atividades sem registro em carteira de trabalho. O resultado da abordagem qualitativa, por sua vez, aponta para um engajamento ainda na adolescência no mercado de trabalho, por vezes interrompido por gravidez e/ou casamento. Também aponta para as dificuldades de conciliação de trabalho remunerado e o cumprimento de obrigações da esfera reprodutiva. O Programa Bolsa Família incrementa a renda familiar mensal e confere a suas titulares arbítrio sobre a destinação do valor monetário transferido, porém gera acúmulo de funções atreladas à maternidade. Observa-se que os fatores que criam o substrato para a situação de pobreza na qual tais mulheres são complexos e a superação sustentada dessa condição depende da articulação de políticas públicas referentes à infância, qualificação profissional e emprego ao Programa Bolsa Família.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6520768

O trabalho preciso e precioso nas fábricas de semijoias em Limeira

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Marta de Mesquita
Sexo
Mulher
Orientador
Gemma, Sandra Francisca Bezerra
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Limeira
Programa
Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Trabalho
Semijoias
Ergonomia
Resumo

A cidade de Limeira - SP é oficialmente a capital da joia e semijoia do Brasil, além de ser reconhecida no cenário mundial nesse setor produtivo. No entanto, esses prósperos dados financeiros contrastam com as externalidades socioambientais ocasionadas por esse tipo de produção.

Nesta pesquisa, três fábricas formais da cidade foram estudadas objetivando dar visibilidade para o trabalho efetivamente realizado, ainda bastante pouco explorado na literatura, explicitando seu conteúdo, de que maneira e sob quais condições os trabalhadores dessas fábricas o realizam, por meio do método Análise Ergonômica do Trabalho (AET), principal ferramenta da ergonomia da atividade.

Evidenciou-se que o trabalho inclui desde a criação e montagem de produtos, passando pelos serviços e pós-venda, bem como análise e gestão de custos e logística. Características essas essenciais para tratar a vasta diversidade e alto volume de produtos, e desveladas nas atividades que foram foco nessa pesquisa, os setores responsáveis por vendas e entregas de produtos.

Diferente do esperado de uma produção em massa, o trabalho se revelou uma manufatura de constantes criações sobre as peças que dependem do conhecimento e manejo dos(as) trabalhadores(as). Sendo mulheres que estão na linha de frente das negociações em vendas, com fornecedores e com os outros trabalhadores da empresa, evidenciando suas responsabilidades decisivas para as empresas.

Mesmo num ambiente de intensa cobrança desse setor, que está imerso no consumo do mercado globalizado, prósperos resultados são atingidos e é no empenho dessas trabalhadoras que reside o grande valor da produção de semijoias.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Limeira
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6837058

Os treinadores do "jogo anterior"

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Teixeira, Bruno Casalotti Camillo
Sexo
Homem
Orientador
Holzmann, Lorena
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
Porto Alegre
Programa
Sociologia
Instituição
UFRGS
Idioma
Português
Palavras chave
coaching
reestruturação produtiva
processos de trabalho
disciplinamento
campo gerencial
Resumo

Esta pesquisa tem como objeto a prática de desenvolvimento pessoal e capacitação profissional conhecida como coaching. Traduzido do inglês o coach é o treinador, aquele que conduz o seu coachee (treinando) num determinado processo de aprendizagem. Neste trabalho, busco investigar como o coaching acaba se tornando um tipo específico de treinamento (executivo e gerencial), com suas peculiaridades teóricas e metodológicas. Dessa forma, busco investigar também quais são os fundamentos de sua origem no Brasil, como ele chega a nosso país, e de que forma que ele pode ser conectado ao contexto histórico da reestruturação produtiva. Por isso, a abordagem de nossa investigação é radicada na sociologia do trabalho e na sociologia econômica. A análise aqui registrada buscou compreender também as trajetórias dos profissionais do coaching, os coaches. Para tal, realizamos entrevistas semiestruturadas e em profundidade com coaches de dois pólos dinâmicos da economia brasileira: Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). A nossa abordagem metodológica é qualitativa, formulada para poder abarcar uma análise de conteúdo. A análise comparada entre a absorção do coaching nesses dois pólos permitiu construir recorrências, observar códigos de uma linguagem própria do campo gerencial brasileiro, e aferir correlações entre essa linguagem e novas demandas por disciplinamento para o trabalho. Partiu-se do pressuposto de que realizar uma interpretação sociológica sobre o fenômeno significa, em primeiro lugar, saber encontrar o seu espaço na esteira da reestruturação produtiva neoliberal. E, em segundo lugar, o modo como ele pode ser relacionado a um entendimento mais geral sobre os sistemas integrados de gestão pós-fordistas. Estas pautas colocam na ordem do dia uma discussão sobre a presença da governança corporativa na sociedade brasileira contemporânea. Nesse escopo, coloca-se um papel preponderante nos atores do campo gerencial que, graças às suas qualidades seria responsáveis por garantir a adesão de todos aos objetivos, e a condução de acordo com os seus imperativos. Assim, metas e objetivos (e o próprio método em si) são referenciados através de princípios de legitimação e princípios de heteronomia. Estes princípios demarcam as mal traçadas fronteiras daquilo que chamamos de “sistema de pensamento” do coaching.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Porto Alegre
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Rio Grande do Sul
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4215630

Ondas de interiorização do profissionalismo médico e o desenvolvimento em São Carlos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Almeida, Fábio de Oliveira
Sexo
Homem
Orientador
Bonelli, Maria da Glória
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UNIFESP
Idioma
Português
Palavras chave
ondas de interiorização
profissionalismo médico
poder local
Resumo

Este trabalho analisou, no contexto do poder local de São Carlos (SP), as conexões entre o profissionalismo médico, o desenvolvimento urbano-industrial e a centralização política de Estado brasileiro, o que condicionou específicas ondas de interiorização do profissionalismo médico, assim como certas correntes profissionais de retorno. O foco do trabalho dirigiu-se para a investigação dessas questões no período de 1889 e 1988, quando se verificaram três ondas de interiorização do profissionalismo médico e duas correntes profissionais de retorno. A primeira onda (1889-1930) aconteceu em meio ao início da República, à relativa descentralização política do coronelismo e ao paralelo crescimento da economia cafeeira paulista e, em particular, por sua pujança em São Carlos, que provocou o primeiro impulso da economia urbana local, a criação dos primeiros serviços de saúde pública e assistência médica e pelo estabelecimento de um inicial, mas efetivo mercado médico local. Houve a chegada dos primeiros médicos a localidade, com perfil generalista e que logo se inseriram na estratificação social local. Neste caso, predominou a atividade médica liberal e junto à Santa Casa de Misericórdia. A segunda onda (1948-1966) foi caracterizada pela centralização política do Estado, seu papel no desenvolvimento urbano-industrial e no sistema de saúde nacional. Diante dessas mudanças, as anteriores relações de aliança dos médicos com, especialmente, a elite agrária local, deixam de ser tão decisivas, já que o Estado central passou a rivalizar com o poder das elites locais. Este é o momento de uma reação médica à socialização da medicina, a partir da criação da Sociedade Médica de São Carlos. Houve um movimento importante de filhos de famílias são-carlenses que saíram do município para estudar medicina, voltando a São Carlos para desenvolver suas carreiras. Os profissionais ainda apresentam o predomínio do perfil generalista. Já a terceira onda (1970-1988) decorreu, em parte, da reação médica frente aos problemas da assistência médica previdenciária. Este período foi marcado pelo surgimento da Casa de Saúde e Maternidade São Carlos, assim como pela ampliação da Santa Casa de Misericórdia, em meio a um maior desenvolvimento industrial e urbano local, com ampliação de setores operários e de classes médias urbanas. Favorecido ainda pela interiorização de cursos de medicina, este período verifica a chegada de novos profissionais especialistas formados em cursos mais novos. De um mercado menor, fechado e exportador de pacientes, São Carlos tornou-se polo de atração de profissionais e pacientes de outras localidades. Isso impulsionou a criação e expansão da UNIMED São Carlos, em resposta a maior demanda por serviços médicos locais, à crescente crise da assistência médica previdenciária e às pressões de certos setores de convênios médicos privados. No período, a UFSCar e a USP São Carlos se articularam ao crescimento do município, envolvendo-se com outros grupos locais e médicos e em melhorias no sistema hospitalar são-carlense. Como correntes profissionais de retorno, entre a primeira e a segunda ondas, e entre a segunda e a terceira, observou-se a ocorrência de fatores sociais que, enquanto contra processos sociais, arrefeceram, relativamente, cada prévio movimento de onda de interiorização, favorecendo a emergência, em cada caso, de uma nova ondas de interiorização. No final do período analisado, ainda se nota o crescimento dos convênios médicos, em especial da UNIMED São Carlos, bem como piora na assistência médica estatal, movimentos médicos de reinvindicação trabalhista e movimentos de grupos envolvidos com a ascensão da saúde coletiva, que buscavam a reforma do sistema nacional de saúde, já no contexto de crise do desenvolvimento urbano-industrial, de redemocratização do país pós-ditadura militar e de ações descentralizadoras da área da saúde, que desembocaram na emergência do SUS.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Carlos
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1889-1988
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=3679525

O rasgar do véu: as manifestações de junho de 2013 e as contradições históricas

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Braga, Felipe de Queiroz
Sexo
Homem
Orientador
Silva, Ana Amélia da
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Movimento Passe Livre
Lutas sociais
Protestos
Resumo

Esta dissertação tem por objetivo analisar as manifestações que ocorreram durante o mês de junho de 2013 no Brasil, após o reajuste das tarifas de transporte público em diversas cidades. A análise terá como recorte espacial a cidade São Paulo, epicentro do movimento, buscando compreender como e por que uma pauta que, historicamente, suscita protestos, o reajuste do preço do transporte público, neste determinado contexto conseguiu gerar mobilizações em centenas de cidades do país. Buscaremos também interpretar as causas que conduziram diversos grupos sociais às ruas, ampliando o leque de reivindicações e tornando, em última instância, um movimento social e ideologicamente diferente do iniciado. Considerando-se que esse fenômeno abarca questões que transcendem as pautas relacionadas ao transporte público – apesar de serem centrais ao entendimento do movimento –, à medida que seus desdobramentos remetem às contradições históricas decorrentes de uma economia capitalista subdesenvolvida e dependente, buscaremos interpretá-lo a partir da perspectiva socio-histórica, ressaltado nossas raízes de sociabilidade. Desse modo, poderemos compreender as ambiguidades e contradições sociais, econômicas e políticas que dão forma ao Brasil contemporâneo e que se tornaram mais evidentes a partir do rasgar do véu que se deu em junho de 2013.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Junho de 2013
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4440511

O Programa Minha Casa Minha Vida: política habitacional dos governos Lula e Dilma no período de 2009 a 2014

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Depieri, Marcelo Alvares de Lima
Sexo
Homem
Orientador
Veras, Maura Pardini Bicudo
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Política Habitacional - Brasil
Programa Minha Casa Minha Vida
Neoliberalismo
Habitação popular
Resumo

Os objetivos do presente trabalho se voltam à avaliação do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) no período de 2009 a 2014, levado a efeito como política habitacional das gestões do Partido dos Trabalhadores no governo federal. Avaliar uma política é sempre tarefa difícil, independente da conjuntura, pois devem ser investigados seus alvos concretos e latentes. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder as contradições manifestadas pelas políticas se tornaram mais complexas. Ao mesmo tempo em que foram implementadas medidas de equalização social e de acesso a direitos básicos para o combate à pobreza, manteve-se uma estrutura econômica e política, que acabam por reproduzir a desigualdade social e suas marcas na sociedade brasileira. O objetivo do trabalho foi investigar se o PMCMV, como política pública, proposta pelo Partido dos Trabalhadores, caracterizou-se como um programa efetivo de acesso à moradia digna às classes sociais menos abastadas. Neste trabalho reconhece-se que a habitação é moradia (teto, piso e parede), mas também é o seu entorno (infraestrutura, paisagem e integração com a cidade). Para essa investigação procurou-se contextualizar historicamente a intervenção do governo no campo habitacional e urbano, sabendo que a moradia é importante ingrediente da reprodução da força de trabalho. Além de ser uma mercadoria cara e custosa e acessada por poucos na realidade social brasileira, envolve aspectos ideológicos e simbólicos como o sonho da casa própria. No primeiro capítulo foi realizada uma revisão da Teoria do Capital. Nesse capítulo foram revisitados conceitos e categorias de Karl Marx que contribuíram para a melhor compreensão do funcionamento da lógica do capital e da sociedade capitalista atual e neste caso para análise da realidade brasileira. O segundo capítulo traz a análise do Programa Minha Casa Minha Vida, a partir de uma análise mais ampla da forma de governo do Partido dos Trabalhadores. O capítulo se inicia com uma apresentação da história da política habitacional no Brasil, para, nas páginas posteriores, analisar os governos Lula e Dilma e o PMCMV. No terceiro e último capítulo, é apresentada a parte empírica do trabalho: entrevistas com moradores do Conjunto Habitacional Teotônio Vilela – Piracicaba, localizado no bairro de Sapopemba na cidade de São Paulo entregue pelo Minha Casa Minha Vida na modalidade “Empresas” no ano de 2012 e destinado para a Faixa 1 do Programa (entre 0 e 3 salários mínimos). Ao analisar a política a partir da realidade e avaliação daqueles que são o seu público, juntamente com os dados referentes ao PMCMV, foi possível apreender como a questão da habitação (moradia e entorno) para a baixa renda está longe de uma resolução concreta: as construções das moradias realizadas pelo MCMV estão voltadas majoritariamente para as famílias que possuem renda a partir de 3 salários mínimos, ou seja, classe média, e não para famílias de baixa renda entre 0 e 3 salários mínimos. Além disso, os problemas de conforto dos apartamentos para a realidade das famílias brasileiras e a localização de muitos conjuntos afastados dos centros urbanos são realidades produzidas pela política.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Leste
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Sapopemba
Localidade
Conjunto Habitacional Teotônio Vilela – Piracicaba
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2009-2014
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4555028