Homicídios na cidade de São Paulo: uma análise de causalidade e autocorrelação espaço-temporal
Uma das questões mais relevantes nos últimos tempos é a da criminalidade. Ela é, indubitavelmente, bastante complexa, e pode (e deve) ser abordada em diferentes aspectos, sendo o econômico o fundamento central para este trabalho. Quando se fala em aspectos econômicos da atividade criminal, pode-se pensar em duas formas: variáveis econômicas (macroeconômicas principalmente) afetando o comportamento dos indivíduos. A outra, que tem em Becker (1968) e Ehrlich (1973) como dois de seus "fundadores", encara a escolha pelo crime como uma escolha racional, uma alocação que o indivíduo faz entre seu tempo, a exemplo da escolha entre trabalho e lazer, tradicional dos livros textos de microeconomia. A abordagem utilizada neste trabalho é esta última. O crime a ser estudado é o homicídio. A hipótese é que existe uma relação causal entre o número de crimes em uma região (no caso deste trabalho, a divisão da cidade é feita pelas áreas de atuação dos distritos policiais, em dados mensais de 1995 e 1996) e o número de crimes na região vizinha no período anterior. Esta relação de causalidade no espaço-tempo, que também poderíamos chamar de propagação é a questão que procura-se responder empiricamente. Para isso, utilizaremos os recursos da Econometria Espacial unidos aos recursos da Econometria de Séries de tempo.