Práticas transdisciplinares na rede pública de ensino
Esta dissertação visa analisar as implicações das práticas transdisciplinares do ensino e da aprendizagem por meio de estudos de caso, realizados em três escolas com alunos jovens e adultos do Ensino Médio, da rede pública do Estado de São Paulo, em que atuei durante três anos como professor de Sociologia. Parte-se do pressuposto de que a aplicação da prática transdisciplinar nas aulas de Sociologia são adequadas tanto para responder aos desafios da gestão de conflitos em sala de aula – manifestos através da forma de marginalização escolar, autoritarismo, indisciplina e banalização da violência –, como para oportunizar vivências e experiências, voltadas para a formação integral do alunado, cujo comprometimento está na formação humana e ética – valores fundamentais para o exercício da cidadania e para o mercado de trabalho, tal como é apontado nos princípios da LDB. Por tais razões, este trabalho optou pela abordagem do pensamento complexo, à luz das contribuições teóricas de Antoni Zabala (2002, 2010) e Edgar Morin (1995, 2011a, 2011b). Aliado a isto, foram utilizados os princípios das práticas transdisciplinares dos quatro pilares da educação apontados pela Unesco e proposto por Delors (2012): aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros, aprender a conviver, aprender a ser. Concluiu-se que, por meio dos relatos dos alunos das três escolas, as intervenções das práticas transdisciplinares foram capazes de responder, de forma adequada, aos desafios apresentados pelo conflitos nas três escolas, ao mesmo tempo que estimularam o diálogo entre as disciplinas da grade escolar e os saberes e vivências trazidas pelo alunado. Também fomentaram o senso crítico, a solidariedade, a disciplina, o respeito, a tolerância e a educação ética, disposições necessárias para a formação humana cidadã e para o mercado de trabalho.