Participação social no Rio de Janeiro: uma análise do relacionamento entre Estado e sociedade civil durante as primeiras décadas do século XX
Nesta dissertação de mestrado investigamos os relacionamentos existentes entre Estado e sociedade civil durante as primeiras décadas do século XX. Neste período, moradores da cidade do Rio de Janeiro buscaram interferir no processo de tomada de decisão governamental por intermédio de diferentes estratégias de mobilização. Afirmamos que a referida interferência ocorreu sobretudo através das três diferentes formas de participação social – contatos diretos e indiretos com o poder público, ativismo e associativismo civis e imprensa. Para averiguar de que modo os cariocas participaram das decisões políticas do período, analisamos sistematicamente demandas, reclamações e pedidos efetuados por residentes do bairro de Copacabana. Utilizamos evidências coletadas em jornais de bairro e documentos oficiais da época para demonstrar o processo que permitiu que demandas dos moradores de Copacabana se convertessem em políticas implementadas pela administração pública local. A partir da análise efetuada constatamos que a interlocução entre autoridades políticas e moradores foi frequente durante as décadas iniciais do século passado, o que resultou em oportunidades reais para que parte da população carioca efetivamente participasse dos assuntos políticos da cidade. O resultado, de modo geral, foi a conquista pelos cidadãos de melhoramentos para a sua área de residência.